Fic

O CASAMENTO DA MINHA MELHOR AMIGA
por Alix Raven e Elektra Black


2º lugar no I Challenge de Comédia Romântica do 3V. Quando o dia mais feliz começa às oito da manhã confusão pouca é bobagem!

Ship: Sirius Black e Personagem Original | Orientação: Hétero | Classificação: 12 anos | Gênero: Comédia/Romance | Spoilers: 5 | Formato: ShortFic | Capítulos: 1 | Status: Completa | Idioma: Português | Observação: Marotos | Publicada em: 16/04/2006 | Atualizada em: 16/04/2006

Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos.




Aviso: Continuação dos fics gêmeos “Palavras” e “My Prerrogtive” escritos respectivamente por Elektra Black e Alix Raven

O relógio de uma igreja próxima marcava exatamente meia noite quando um pop foi ouvido na frente do apartamento 613 do prédio Saint James, que ficava no cruzamento da Primeira Avenida com a Rockfort. Um homem acabava de aparatar. Ele não estava muito preocupado, e àquela hora da noite acreditava que nenhum trouxa o veria. E se ocorresse de ver, ele não teria um pingo de culpa na consciência em apagar sua memória. Tirando do bolso um chaveiro de uma garotinha vestida de rosa (ele não fazia idéia de que o nome era Penélope Charmosa), ele fez um esgar de desgosto na boca. “Somente Alix para ter uma idéia dessas. Por Merlin, ela disse que era bonitinho... BONITINHO?!”.

Mas estava com saudades demais da namorada para se importar com aquilo. Abriu a porta, entrando no apartamento às escuras. Há duas semanas que não aparecia ali. Estava viajando pela Europa Oriental a pedido de Dumbledore, fazendo coisas sobre as quais preferia não pensar naquele momento.

Dois olhos amarelados brilharam no escuro, e logo ele sentiu algo se enroscando em suas pernas. Ligou as luzes e deparou-se com Mr. Snuffles, o gato alaranjado, de pernas arqueadas e cara amassada, que parecia feliz em vê-lo. Segurando o bichano no colo, andou para a cozinha sem fazer barulho e pegou a primeira coisa que encontrou para comer: um pacote aberto na bancada da pia, que a princípio lhe pareceu ser biscoito. Era crocante, mas tinha um gosto estranho. Uma, duas mastigadas depois, Sirius olhou para o gato na sua frente que o observava, se aquilo não fosse impossível, com um olhar divertido.

Depois de engolir, curioso, ele pegou o pacote novamente, tentando ler o que estava escrito na embalagem. Estava exausto, mas aquelas palavras o despertaram completamente:

“Sr. Gatoso. Alimento mágico para gatos”.

- Oh, que merda! – xingou, correndo para o banheiro.

Depois de garantir que não havia mais nada no seu estômago, Sirius lavou o rosto na pia. Quando levantou para olhar-se no espelho, deparou-se com o reflexo de Alix. Se era possível, ela estava ainda mais bonita do que quando começaram a namorar, e já se iam dois anos. Os cabelos negros caíam pelos ombros em grandes ondas, os olhos da mesma cor, pele muito branca e de textura macia. Usava uma camisola branca até a metade das coxas, segurava o gatinho e o olhava com um sorriso, no mínimo, sarcástico.

- Querido, o que está acontecendo?

- Por que diabos você deixou a comida desse gato bem cima da pia?

Ela abriu a boca e olhou para o gato.

- Ele comeu sua comida? – o gatinho acenou que sim, e Alix se voltou para Sirius sorrindo debochada. BEM debochada... – Se eu soubesse que meu namorado seria tão tapado a ponto de comer a ração do Mr. Snuffles, eu a teria guardado.

- Também estou feliz em vê-la, Alix. – Disse, sarcástico.

- Eu também estou, seu tapado. – Ela respondeu, soltando o gatinho e abraçando-o. – Não espere um beijo antes de escovar os dentes.

- Isso é injusto – Disse, mau humorado, parecendo não gostar muito.

- Isso é higiênico. Vá tomar um banho enquanto eu faço comida de gente pra você.

- Você cozinha mal. – Torceu o nariz.

- Qualquer coisa é melhor que comida de gato. Mas eu conheço as mil e uma utilidades das comidas trouxas congeladas, eles tinham que ser úteis para alguma coisa. – E, sem esperar resposta, ela saiu.

“Comida de gato?! Oh, Merlin! Comida de gato!” Alix gargalhava sozinha, enquanto colocava a lasanha congelada no forno. Em seguida, foi até o barzinho na sala e pegou uma garrafa de firewhisky, servindo-se e conjurando gelo com a varinha. Com o copo na mão, ligou o aparelho de som trouxa, deixando que a música dos Beatles tomasse conta do lugar. Logo imaginou que, na manhã seguinte, sua “querida” vizinha de cima, Sra. Clotilde Parker, iria buzinar no seu ouvido sobre como era irresponsável e não tinha respeito pelos vizinhos e mais velhos. Para impedir sua convocação para comparecer ao Ministério por transformar uma trouxa num trombone, tornou as paredes imperturbáveis.

Usando apenas uma calça e secando os cabelos na toalha, Sirius apareceria minutos depois.

- Cheirosinho, sexy e quase magnificamente despido. Bem melhor. – Alix brincou, sentada no sofá, as pernas cruzadas, degustando a bebida. Uma bela cena de mulher fatal.

- Você ainda me deve um beijo, Alexandra Eileen Snape.

- Totó... Desde quando você pede beijos? – Indagou, marota – Normalmente você exige e toma, não é mesmo?

- Eu estava querendo ser educado, mas já que você insiste...

E então Sirius a puxou, fazendo seus corpos se chocarem. Alix riu alto, jogando a cabeça para trás, mas com esse gesto seus lábios ficavam levemente entreabertos. O rapaz aproveitou a deixa, capturando-os em cheio em um beijo. As línguas começaram a brincar uma com a outra numa dança voluptuosa, enquanto as mãos de Sirius escorregavam pelas coxas dela, e as mãos de Alix estavam enroscadas nos cabelos negros, as unhas longas arranhando a nuca e fazendo-o gemer dentro de sua boca. Quando se desgrudaram, ambos estavam corados e com falta de ar.

- Humm, pasta de dente sabor eucalipto e menta. – Ela disse, passando a língua nos lábios.

- Vai me importunar com isso por quanto tempo?

- Deixe-me pensar... Pro resto da vida – Dizendo isso o puxou pela mão, levando-o para a cozinha, onde a lasanha já começava a liberar um cheiro bom que estava tentando o pobre “totó” esfomeado.

- Os trouxas deveriam ser canonizados por essas coisas que inventam. – E se encostou na pia, o pacote da ração ainda estava lá. – Alexandra, guarde logo isso.

- Tá ficando tentado a comer de novo? – indagou, com os braços cruzados, parecendo se esforçar muito para não cair na gargalhada.

- Me nego a responder uma babaquice dessas.

- Se você gostou tanto, eu posso comprar ração para cachorro, é mais a sua cara.

- Alix, está perdendo a noção do perigo?

- Moi? – indagou dramaticamente, apontando para o próprio peito. – Totó, assim você vai acabar me assustando – E fez um bico dengoso.

Sirius deu dois passos em direção à namorada, enlaçando sua cintura com o braço direito, sussurrando no seu ouvido:

- É essa a intenção.

- Desculpe, Black, mas eu sou uma slytherin e não me assusto facilmente.

- Estamos fora de Hogwarts, então tecnicamente você não é mais uma slytherin.

- Slytherin é sempre slytherin, amor. É uma qualidade única, inalienável e imprescritível. [1]

- Alix, você está me incomodando. – disse, fechando a cara, Slytherin era e sempre seria uma pedra no seu sapato.

- Eu adoro te incomodar, querido.

Estavam tão entretidos que não perceberam que já havia passado da hora de tirar a lasanha do forno. Só repararam que havia algo errado quando sentiram cheiro de coisa queimada.

- Droga! – Alix exclamou desligando o forno, de onde começava a sair uma fumaça escura. – A lasanha queimou. – e voltou-se para Sirius com olhar raivoso. – A culpa é sua.

- Você é um desastre culinário e a culpa é minha? – indagou, divertido.

- Se você não ficasse me entretendo com essa conversinha mole, eu não teria perdido o tempo.

- Mulheres! – exclamou, tirando a varinha do bolso da calça e apontando para o prato de lasanha queimada. – Revertus - A comida retrocedeu até o ponto antes de queimar. - Adoro ser bruxo. Eu sou muito bom no que faço.

- Black, só eu posso dizer isso. – Alix deu um sorriso sacana.

- Você está negando que eu seja bom em tudo o que faço? – indagou, abraçando a cintura dela, a mão escorregando até os quadris.

A mulher mordeu de leve os lábios e olhou para o peito masculino a poucos centímetros do seu. Em seguida, voltou a encarar Sirius.

- Por enquanto, você ainda está dando para o gasto... – disse sarcástica, tentando se livrar do abraço.

- Só por enquanto? – sussurrou, próximo ao seu ouvido, subindo languidamente o tecido fino pela coxa dela, lhe causando arrepios inegáveis.

- O que você quer, Sirius? – falou, encarando-o no fundo dos olhos, em claro desafio.

- O que sempre quero, Alix, você.

Engoliu em seco. Era impossível reagir de outra forma. Não importava quantas vezes ele lhe dissesse aquilo, sempre era como a primeira vez.

- E a comida? – indagou, num fio de voz, e as mãos dele já estavam nas suas nádegas.

- A outra fome é mais importante...

Batidas na porta. Uma, duas, três vezes. Sirius colocou o travesseiro sobre a cabeça. Quem iria ter a indecência de bater na porta – pára e olha no rádio relógio ao lado – às OITO DA MANHÃ DE UM SÁBADO?! Virou-se para o lado, procurando a namorada. Alix sumira. Perfeito, ele teria que levantar e atender a maldita porta. Levantou-se e enrolou-se no lençol branco, arrastando-se até a sala com a luz do dia ferindo os olhos, e ficando cada vez mais irritado. Abriu a porta com violência.

O que estava na sua frente tecnicamente o surpreendeu. Era um homem, de aproximadamente vinte e cinco anos, loiro e que parecia irritantemente animado, trazendo um sorriso largo e retardado nos lábios, que sumiu rapidamente quando viu Black.

- QUEM É VOCÊ, E O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI?!

- Ah... Bem... Eu... – o homem começou a diminuir. – Sou Erick Douglas. – ele levantou a mão trêmula, apontado para a porta ao lado. – Vizinho.

- Certo. – Sirius estreitou os olhos. – Já sabemos quem é você. Agora, o que está fazendo aqui?

Naquele momento, a porta do elevador se abriu e uma Alix, usando um micro short e um top, apareceu. “Por Merlin, ela está praticamente DESPIDA!”

Ela parou, olhou pra os dois e abraçou a sacola de pão que trazia consigo como se fosse um escudo. Como se dissesse “não faça nada comigo que todos os pães estão na minha frente, e se fizer, você não vai tomar café, seu faminto”.

- Ah... Bom dia – Disse, como se não estivesse acontecendo nada na sua frente.

- B-bo-bom dia, Alexandra. – Erick respondeu, gaguejando.

- Ótimo dia. – Sirius cruzou os braços, percebendo que o tal vizinho também estava usando roupas trouxas de corrida.

- Então, como nós já nos comportamos como pessoas civilizadas, - disse, agarrando o braço de Sirius. – que tal entrarmos? Agora.

- Por quê? – ele fez-se de desentendido. - Eu estava tendo uma conversa tão animada com seu vizinho, Erick, aqui! – falou, enquanto se desvencilhava de Alix e agarrava o ombro do rapaz, que naquele momento já tinha diminuído uns 20 centímetros. – Ele já estava quase dizendo o que estava fazendo na porta do seu apartamento às oito horas da manhã. – Sirius voltou-se com um sorriso maroto-assassino para o trouxa. - Então, Erick, F-A-L-A!

- Ah... Bom... Sabe... Eu... Como é... Eu não tive... Eu só estava... – Erick deu um suspiro angustiado. – Ah, eu estou me sentindo um completo idiota.

Alix estava com a mão no rosto, balançando a cabeça em negativa, como se dissesse “eu não acredito que isso está acontecendo comigo”.

- Você não está se sentindo um idiota, você é um idiota! – Sirius falou. – Suma da minha frente.

Agradecendo a Merlin por Sirius não ter transformado o idiota num verme de duas cabeças, Alix entrou sem olhar para trás e foi até a cozinha, ainda segurando a sacola de pão, ouvindo atrás de si os passos de um Sirius extremamente nervoso.

O bruxo estava tão bravo que acabou perdendo o controle da magia. Transformava-se de homem em cachorro e de cachorro em homem sucessivas vezes, sem conseguir parar, rosnando e correndo atrás do próprio rabo.

- Sirius, por Circe, pare! Você está me deixando tonta!

Voltando a ser ele novamente, Sirius parecia realmente furioso.

- Por todos os demônios da Cornualha! O que aquele trouxa estava fazendo aqui às oito horas da manhã?

- Meu, você tá com ciúmes ou tá irritado pelo Erick ter te acordado às oito horas da manhã? – indagou, com pequeno divertimento.

- É... – e deu alguns passos perigosos em direção a ela, que também foi para trás, parecendo arrependida de ter aberto a boca. – Mais uma e é a última vez, Alexandra Snape, - falou, frisando cada palavra para que ela não tivesse dúvidas. – o que aquele trouxa veio fazer aqui?

- Sirius Black, - disse, levantando o topete, bem ao estilo Slytherin. – olhe para mim, este ser perfeito e maravilhoso que está na sua frente. Você nem supõe o que ele veio fazer aqui? – indagou, rolando os olhos. – Oh, Merlin, a comida de gato realmente lhe fez muito mal.

- Chega da maldita comida de gato, Alexandra! – ele estava realmente furioso. – Você estava... – respirou fundo, tentando se acalmar. – Me diga que você não estava.

- Colocando chifres na sua cabeça enquanto você estava fora, e me esfregando no primeiro cara que bateu na minha porta? – ela colocou as mãos na cintura bem petulante. - Me diga o que você acha, Sirius.

- O que eu acho?! – ele cuspia cada palavra. – O que me garante que você não fez exatamente isso?

- O QUÊ!?

Os copos de cristal que estavam sobre a bancada da pia explodiram. Um dos cacos feriu Sirius, um filete de sangue escorrendo por seu rosto.

- Se eu sou tão vagabunda a este ponto, Sirius Frederico Black, suma da minha frente agora, antes que eu lhe transforme num camundongo e sirva de lanchinho para o Mr. Snuffles.

- Você não está falando sério. – Ele disse, descrente.

- Mutatis Mutandis! – gritou, apontando a varinha para Sirius, porém o feitiço esbarrou no vidro da janela, refletindo-se e acertando uma cadeira, que, realmente, transformou-se num camundongo.

- Você é louca! – Sirius exclamou, vendo o gato alaranjado começar a perseguir o pobre ratinho que um dia fora uma cadeira.

- Só descobriu isso agora? – indagou, os braços cruzados sobre o peito. – Saia!

- Mas eu estou só enrolado no lençol...

- Dane-se, SAIA!

- Você vai pagar por isso.

- Jura? - e apontou a varinha na direção dele novamente. – Mutatis...

Antes que ela pudesse terminar de pronunciar o feitiço, Sirius desaparatou. Ela soltou um palavrão, e no segundo seguinte o telefone tocou. Atendeu disposta a xingar quem quer que fosse, mas se conteve ao ouvir a voz desesperada de Betsy.

- Alix, você está atrasada! Minha mãe está completamente louca, e vai me deixar louca também. Porque você ainda não está aqui?

- Betsy, acalme-se. Do quê está falando?

- Do quê eu estou falando? Merlin, do quê eu estou falando? Eu estou falando do meu casamento, Alix! Do meu casamento com Brian Braddock, que por acaso é de uma família ultra tradicional, que faz questão de que toda a high society bruxa esteja convidada. E que, é só um detalhe, você vai ser a madrinha! O que raios você está fazendo que não chegou até agora?!

“Bom, se eu disser que eu esqueci completamente o casamento, acho que você vai ficar um pouquinho brava comigo”, pensou, olhando para o ratinho que continuava correndo desesperado tendo Mr. Snuffles em seu encalço.

- Eu já estou indo, Betsy.

Ainda sem parecer satisfeita, a noiva perguntou.

- E Sirius, ele já voltou? Por Merlin, diga que ele já voltou.

- Er... Ele já voltou. – disse, enquanto apontava a varinha para o camundongo, transformando-o em cadeira novamente.

- Jura? Que bom, as alianças estão com ele.

Se alguém visse a cara de Alix, veria uma expressão de “Oh, merda!”.

- Betsy, será que você pode pedir para o Brian me esperar assim que eu chegar aí?

- Ah, posso sim, espera um pouco. BRIAN!

Alix tirou o telefone do ouvido imediatamente, soltando um “Ai!”, achando que depois daquele grito, nunca mais recuperaria a audição.

- Ele vai te esperar, sim. Mas, por favor, venha logo antes que eu morra.

Alix ouviu uma voz de mulher gritando ao fundo: esse vaso não é aí, as orquídeas vão ficar no altar, seus idiotas, e não nos corredores, bando de incompetentes!

- Já estou chegando – Disse, desligando o telefone. - Sirius, a mãe de Betsy, o que poderia piorar ainda mais o meu dia? – indagou alto, cobrindo o rosto com as mãos.

Mr. Snuffles miou alto e esganiçado, como se dissesse “você não deveria ter perguntado isso”.

Meia hora depois, Alix aparataria na mansão Braddock. Realmente aquela casa merecia ser chamada de mansão. Era enorme, em estilo colonial, e com um belíssimo jardim que estava apinhado de gente andando para todos os lados, fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Ela suspirou, tentando não parecer muito angustiada, e olhou para o que vestia: uma calça jeans justíssima e uma camiseta que deixava a barriga de fora, mostrando um piercing em forma de lua.

- Admirando a bagunça, Alix?

Ela se virou, encontrando um rapaz loiro de olhos esverdeados e porte atlético, que caminhava em sua direção com as mãos dentro dos bolsos da calça jeans e um sorriso maroto. Era Brian Braddock, o noivo de Betsy.

- Nada como um casamento para transformar um palácio numa feira.

- Por mim, nós poderíamos pular todas essas baboseiras e ir direto para a lua de mel. Mas sabe como é, minha mãe e Jennifer insistiram... – e deu de ombros. – E aqui estamos.

- É... Estamos... – Alix começou a mexer no cabelo, sem graça, olhando para o chão.

- O que aconteceu? – indagou, estranhando. - Você não parece bem.

- Bom... É... Euperdiopadrinho – Disse tudo numa tirada só, como se parecesse mais fácil.

- Você o quê? – indagou, confuso. - Eu não entendi.

- Eu... perdi... o... padrinho. – ela falou, respirando fundo, dizendo cada palavra pausadamente para que não houvesse dúvidas.

- Você O QUÊ? Você tá brincando. Isso é bem típico do meu primo. Cadê o Sirius? – olhou em volta, como se esperasse que Sirius aparecesse de trás de uma árvore. - Sirius? – chamou.

- Ele não está aqui, Brian. – ela parecia disposta a acabar com o próprio cabelo. – Nós tivemos um briga feia hoje pela manhã e... hum... eu o expulsei de casa... hum... tipo... só de lençol.

Brian não resistiu e soltou uma gargalhada.

- Você o expulsou de casa só de lençol? – ele continuou rindo, mas em seguida ficou sério. – Você tá mesmo falando sério? Merlin, estamos perdidos.

- Nem tanto, você vai encontrá-lo. Eu seguro as pontas enquanto você estiver fora. – sorriu, matreira.

- Eu? – indagou, sem acreditar. - Você faz a burrada e eu tenho que consertar?

- Você quer se casar, não quer? – indagou simplesmente. - Pois ache o padrinho, ele está com as alianças.

- Você tem 365 dias num ano para brigar com Sirius e escolhe justamente o dia do meu casamento!

- Brian, - disse, tentando manter a calma. – seu primo é psicótico. E eu não vou dar explicações da minha vida pra você! – e perdeu a calma. – Se quer casar, ache o Sirius.

- Talvez eu devesse comprar um novo par de alianças. – Levou a mão à testa, parecendo desolado. - Se bem que não tem como substituir uma herança de família. As alianças que pertenceram aos meus bisavós cujo casamento durou mais de cinqüenta anos e que minha mãe me obrigou a usar acreditando que ia dar sorte.

- Então, ótimo. – ela começou a empurrá-lo. – Vá atrás do Sirius.

- Tá bom, mas não precisa empurrar, eu conheço o caminho.

- Já, rápido, suma da minha frente.

- Alix, como você é delicada. Que Merlin me ajude. – E desaparatou.

A ruiva dormia profundamente, enroscada nos braços do seu namorado. A noite havia sido boa. Na verdade, muito boa. Quando ela acordou, com um barulho inconfundível de aparatação, abriu os olhos e gritou:

- SIRIUS!

James, que dormia calmamente, deu um salto e caiu da cama. Resmungando “deixa que eu pego, deixa que eu pego”. Certamente estava sonhando com quadribol.

- QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – ela indagou gritando a plenos pulmões, puxando o lençol para se cobrir até o pescoço.

Potter, ainda sem entender o que estava acontecendo, engatinhou até o criado mudo, pegando seus óculos. Depois que o quarto entrou em foco, vendo Sirius lá – só de lençol, com a cara muito amarrada e sem parecer se importar nem um pouco com os gritos da ruiva – falou:

- Oi, Almofadinhas. – disse, puxando um dos lençóis para cobrir a cintura. - Pode me dizer o que está fazendo aqui?

Lily deu um grito revoltado pelo tom casual que o namorado usara e correu para o banheiro, espumando de raiva.

- Ela é sempre tão nervosinha assim de manhã? – Sirius perguntou, olhando para a porta do banheiro, que se fechava num estrondo.

- Não, normalmente só quando algum dos meus amigos aparece no quarto, despido e sem avisar.

- Da próxima vez eu aviso, Pontas. – respondeu, indo até o guarda roupa e pegando uma calça de James, sem se importar com a também confusa cara do amigo, e saiu do quarto sem dizer mais nada.

Vestido com a calça um pouco mais apertada do que devia, Sirius foi até a cozinha, abrindo a geladeira, tirando leite, geléia, pão, queijo e presunto, servindo-se calmamente. Ouviu a voz de Lily ainda brigando e, dando de ombros, montou seu sanduíche. “Garota louca!” – pensou, dando a primeira mordida e bebendo leite no gargalo.

James apareceria na porta da cozinha momentos depois, também vestindo só uma calça, com os cabelos mais assanhados que o normal, os óculos meio tortos e com um sorriso maroto nos lábios.

- Alix te pôs para fora de novo, né? – indagou, pegando a garrafa de leite e também se servindo.

- Por que motivos eu apareceria aqui num sábado de manhã, usando só um lençol? – indagou, com a voz embolorada pelo pão.

- Para fazer a Lily gritar e também me mandar para o inferno? Você gosta de dividir a desgraça com os amigos, né?

- Quando um Maroto se ferra, nunca se ferra sozinho. – falou o velho lema de escola. – Fome? – indagou, oferecendo o sanduíche.

- Oh, sim... – puxou a sacola de pão e começou a fazer o próprio sanduíche calmamente, enquanto ouviam o som de portas batendo e gritos raivosos passando pela porta. – Ela realmente ficou brava... – disse, ajeitando os óculos, e voltando para Sirius. – Será que eu devo ir lá tentar acalmá-la?

- Da última vez ela te transformou num suporte de chapéus. – Sirius rolou os olhos, tomando leite. – Deixa ela descarregar a raiva nos móveis... Hum... Quem ganhou o jogo de ontem? Bulgária ou Rússia?

- Rússia! – os olhos de James brilharam. – Cara, você tinha que estar lá! Foi o jogo do século!

E as batidas nas portas continuaram, mas foram completamente ignoradas enquanto James falava das manobras espetaculares dos artilheiros russos durante o último jogo da eliminatória para a Copa Mundial de Quadribol.

Depois de se “despedir” de Brian, Alix começou a entrar na casa, ouvindo ao longe os gritos de Jennifer, a mãe de Betsy. Desejava ficar o mais longe possível. Não precisava de ninguém falando mal da sua roupa, do seu cabelo ou como o seu piercing não caía bem para “uma moça de boa família”. Definitivamente, precisava ficar longe dela.

Estava subindo as escadas, com o intuito de ir até o segundo andar, onde sabia que sua amiga devia estar arrancando os próprios cabelos naquele momento... Foi então que ouviu alguém gritando seu nome e voltou-se, dando de caras com um adolescente, por volta dos quatorze anos, cabelos castanhos, sorriso jovial e largo, bonitinho, mas... Era um moleque. Marcus Cooper, irmão de Betsy. A mulher suspirou, chateada, seu dia estava conseguindo piorar.

- Oi, Alix! – disse, parecendo odiavelmente satisfeito.

- O que quer, pirralho? – indagou, mal humorada, sem querer perder tempo.

- Bom... Eu fiquei sabendo que você e o Sirius terminaram... – começou, parecendo muito satisfeito. – Então...

- Eu não terminei com o Sirius! – disse, impaciente.

- Nós poderíamos sair, não é? – indagou, como se não a tivesse ouvido.

- Não, nós não poderíamos. – falou entre dentes, olhando para o teto. “Circe, me dê paciência!”

- Eu sei que você gosta de se fazer de difícil, Alix. – ele deu dois passos em direção a ela, ficando muito próximo. – Mas eu gosto de garotas difíceis.

- Marcus, cai na real. – disse, empurrando-o sem o menor cuidado. – Você não tem a menor chance, você tem quatorze anos, eu tenho dezoito! Nem que fosse o último homem do mundo e disse dependesse a continuidade da espécie eu não sairia com você. POR QUE EU NÃO GOSTO DE VOCÊ!

- Tsc, tsc, tsc. – ele fez que não com a cabeça. – Você não sabe mentir, eu sei que sempre me dá umas olhadas...

Alix levou a mão à testa, lutando contra a vontade de tirar a varinha do bolso e azarar a “criança”.

- Marcus... – ela o segurou pelos ombros, e o garoto quase caiu para trás de surpresa. – Eu gosto de homens! – disse, ferina. – E você vai levar uns cinco anos para se tornar algo que se aproxime disso. Eu não olho para você, não te desejo, não sinto tesão por você. NADA! Vai pastar, guri!

- Mas... – ela começou a se afastar, subindo a escada.

- Mas nada, moleque! – gritou, sem olhar para trás. – Me esquece!

Aquilo era demais para um dia só. Alix tinha certeza disso enquanto passava pelos mordomos, arrumadeiras e outros serviçais que estavam arrumando a casa. Uma ala inteira da mansão fora destinada a Betsy. Na ante-sala do quarto que ela ocupava um grupo de profissionais estavam sentados, nenhum com boas caras. Era a modista, o cabeleireiro, o maquiador, a massagista, a camareira. Todos pareciam terem sido expulsos do quarto. Ela nem fez perguntas, bateu direito na porta.

- Betsy... – falou. – Sou eu... – antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, foi puxada para dentro do quarto, por mãos nervosas. A porta se fechou às suas costas.

- Oh! Você veio! – Betsy se jogou em cima dela, abraçando-a, parecendo desesperada. – Eu não quero me casar! Me tira daqui antes que eu enlouqueça!

- Betsy, calma. – pediu, levando-a até uma cadeira, obrigando-a a se sentar. – Está tudo bem, vai dar tudo certo. As flores já chegaram, a comida, o bolo está a caminho. Sua mãe já achou alguém para gritar, e o Brian... Bem, o Brian está resolvendo um probleminha para mim. – falou, sem dar ênfase ao fato. – Mas logo ele vai estar de volta, não se preocupe. – “Eu espero”, completou mentalmente.

A noiva respirou fundo, contando até dez, várias vezes. E aí sim, olhou para a amiga.

- Eu estava entrando em pânico.

- Eu percebi. – Alix riu. – Agora, nós só precisamos que você fique assim, deixe aquelas pessoas entrarem, fazerem o trabalho delas, e te transformarem na noiva mais linda do mundo. Está bem?

- Tá. – concordou, parecendo uma criança.

Alix levantou-se e foi até a porta, todos a olharam com expectativa.

- Todos podem entrar. – os profissionais respiraram mais calmos ao ouvirem isso, adentrando rapidamente no quarto.

Satisfeita, a bruxa disse mais algumas palavras para a amiga e saiu do quarto. Tendo certeza que se Marcus aparecesse teriam mais uma estátua na decoração daquela casa. Pela segunda vez em menos de meia hora, alguém gritou seu nome.

- ALEXANDRA! – era a voz de Jennifer, a mãe de Betsy.

Sentindo-se como se tivesse sido pega fazendo algo errado, Alix voltou-se sem graça para a senhora, que andava na sua direção pisando fundo.

- Oi, tia. – falou, num fio de voz.

- Que roupas são essas?! – falou horrorizada. – E seu cabelo! Está um desastre! Porque ainda não está vestida?!

- Porque faltam dez horas para o casamento. – disse o óbvio.

- Isso não é motivo para...

- Chega, Jennifer! – um homem apareceu no fim do corredor, beirando os cinqüenta anos, usando terno e gravata, cabelos castanhos já grisalhos. Antony Cooper. Alix nunca pensou que ficaria tão feliz em vê-lo na sua vida. – Por Merlin, mulher, você vai enlouquecer todos assim.

- Vai haver pessoas muito importantes nesse casamento, tudo tem que estar impecável! – começou a discutir.

- Se você continuar, não vai haver casamento! – disse, dando um ponto final na discussão, voltando-se para Alix com o melhor dos seus sorrisos. – Tudo bem?

- Er... – ela soltou um suspiro angustiado, enquanto Jennifer se afastava resmungando. – O senhor pode prendê-la num quarto escuro até as nove da noite? Por favor?

- Acredite, ela daria um jeito para se livrar.

- Oh! Então só mantenha a tia longe de mim, por favor. – pediu, desesperada.

- Vou fazer o possível, mas não garanto nada. – disse, tocando o ombro da jovem e se afastando em seguida.

- Além de bonita, a apanhadora da Rússia é magnífica.

- Em todos os sentidos. – Sirius gargalhou na varanda da casa, fazendo as palavras cruzadas do Profeta. – O ângulo esquerdo dela, o “ângulo” esquerdo – salientou. – vale a pena.

- Eu acho que a Lily foi embora – James disse, tirando os olhos do caderno de esportes, virando-se para dentro de casa, notando que os barulhos haviam acabado. – Lily? – chamou alto, sem resposta. – É, ela foi embora.

- Eu sinceramente já deixei de tentar entender a cabeça das mulheres! – Sirius disse, negando com um aceno. – Te contei a última da Alix?

- Não! O que ela aprontou? – indagou, muito curioso.

Sirius fechou o jornal e explicou muito sério.

- Eu acordo hoje às oito da manhã com um cara batendo à porta do apartamento dela!

- Nããão! – James pareceu horrorizado. – Quem bate a porta de alguém às oito da manhã? E num sábado?!

- Um trouxa! – respondeu o óbvio. – Tá explicado porque eles são chamados assim.

- Cara, e o que você fez? – indagou, tomando mais leite no gargalo.

- Por mim, eu teria transformado ele em óleo de motor e usado em Gertrudes, – disse, falando da sua moto, – Mas Alix apareceu na hora, praticamente despida!

- Oh! – James pareceu deliciar-se com a visão que se formou na sua mente.

- Ei! – Sirius reclamou, não gostando da cara do amigo.

- Opa, foi mal, Almofadinhas, – disse, bagunçando o próprio cabelo, – Foi por isso que brigaram? – indagou, querendo mudar de assunto.

- Também, - disse, mal humorado. – Eu fiquei com ódio de corno por causa do trouxa, aí ela ficou toda eriçada quando questionei o que ela andou fazendo enquanto estive fora.

- Oh! Quem diria, hein! Sirius Black com ódio de corno, só a Alix mesmo! – James riu-se.

- Porra, James, você é amigo de quem nessa história?

- Seu, por isso ‘tou tirando com a sua cara, tenho o direito. – o maroto gargalhou.

Eles ouviram um barulho de porta sendo aberta, e logo um rapaz gordinho, baixinho e risonho apareceria na varanda.

- Peter! – James exclamou ao ver o amigo e apontou para uma cadeira. – Sentaí, cara, e conte seus infortúnios amorosos para nós.

- Infortúnios? – Peter indagou, sem entender.

- Oh, esqueça. – um Sirius impaciente levantou-se e se espreguiçou. – Eu tive uma idéia, vamos apostar numa corrida de hipogrifos.

- Uhu! – James começou a balançar os braços. – Apostas, bruxas e firewhisky!

- Jóquei Club Mágico de Denver. – Peter completou.

Alix se olhou no espelho, encarando atentamente seu reflexo. O vestido verde fruta-cor, com alças finíssimas e com um decote profundo quadrado, tinha corpete apertado e deixava a cintura bem marcada. A saia lisa ia até os tornozelos. Sandálias altíssimas prateadas, como também eram as pulseiras largas em seu pulso esquerdo. Brincos de diamante e o cabelo preso num coque alto que deixava alguns fios soltos caírem pelo rosto elegantemente. Maquiagem leve, a sombra verde-água marcava os olhos e os lábios cheios eram destacados por um simples gloss.

Estava abotoando o fecho da sandália quando alguém bateu na porta. Quando abriu, encontrou Brian visivelmente desesperado.

- Oh, Merlin, você não o encontrou. – ela concluiu logicamente.

- Em nenhum lugar. Eu fui à casa de James, não havia ninguém. Eu fui à casa de Peter, não havia ninguém. Eu fui à casa de Remus, ele não fazia idéia de onde eles estavam. Eu teria ido à casa de Dumbledore, só que eu não sei onde é!

- Calma, Brian. – disse, segurando no ombro dele. – Você já considerou aquela idéia de comprar um par de alianças?

Ele simplesmente tirou do bolso uma caixinha de veludo vermelho.

- Menos mal, não é por falta de aliança que não haverá casamento.

- Mas é por falta de padrinho. – Brian estava ficando cada vez mais desesperado. – Alix, isso é um contrato mágico. Não dá pra mudar na última hora. Precisamos do Sirius aqui!

- Eu sei, eu sei... – Alix ia levando a mão ao rosto, mas então lembrou que já estava maquiada. Parou no meio do caminho.

Então a porta se abriu e Jennifer – já magnificamente arrumada num tailleur marrom – entrou no quarto. A mulher estranhou a cara dos dois jovens.

- Está tudo bem, não é? – indagou, temendo uma desgraça.

- Sim! – responderam em uníssono rapidamente, como se não quisessem deixar dúvidas. Ninguém queria aquela mulher no estado em que se encontrava à tarde.

- Brian, você ainda não está vestido?!

- Já vou, Jennifer. Sou o noivo, me arrumo em cinco minutos. Eu só preciso conversar dois minutos com a Alix, será que você poderia nos dar licença?

Ela olhou de um para outro, repetidas vezes, de maneira desconfiada. O noivo e a madrinha, sozinhos durante dois minutos. Não, não havia perigo algum.

- Oh, sim. Mas só dois minutos, ok?

- Tá bom, Jennifer. – Brian suspirou, cansado. – Dois minutos, pode contar no relógio.

Assim que a porta se fechou.

- Você precisa encontrar o Sirius! – Brian disse, apontando para a madrinha. – Agora! Já! Neste minuto!

A porta abriu pela segunda vez. Brian se virou pronto para xingar a sogra quando um Sirius Black, vestido de black-tie, segurando nas mãos uma caixinha de veludo negro, com um sorriso jocoso, entrou no quarto.

- Sirius! – Alix correu e se jogou nos braços dele, para em seguida se afastar. – Onde você esteve, seu desgraçado?! – indagou muito brava.

- Bom... hum... – ele olhou para Brian, que parecia muito aliviado. – Isso não importa agora. – sorriu. – O que importa é que eu estou aqui.

- Com as alianças? Por favor, diga que está com as alianças! – Brian quis confirmar.

Sirius abriu a caixinha revelando as belíssimas jóias, fazendo com que o noivo e a madrinha respirassem mais calmos.

- Vocês realmente pensaram que eu ia esquecer do casamento do meu primo preferido aqui? – e deu um tapa nas costas do loiro. – Né, Brian?

- Eu nem te conto o que nós pensamos. – disse, meneando a cabeça em negativa. – Deixa eu ir me vestir antes que a Jennifer tenha uma síncope.

E saiu, deixando o casal sozinho.

- Hum... Sirius. – Alix cruzou os braços enquanto batia o pé no chão, lançando um olhar mortífero para o namorado. – Onde esteve?

- Ora, você me expulsa de casa às oito da manhã e eu ainda tenho que dar satisfações? – Sirius finalmente olhou bem para ela, reparando o quanto estava bonita. – Oh... – ele engoliu em seco. – Você... hum... está muito bem.

- Jura? – Alix aprumou o corpo, fazendo o decote ficar ainda mais saliente.

Sirius tentou desviar o olhar, mas foi impossível.

- Você não vai sair vestida assim. – tentou parecer mau humorado.

- Não? – indagou, descrente e rindo ao mesmo tempo, deixando bem claro que fazia pouco caso dele. – Por favor, quando você determinar o que eu visto e o que eu deixo de vestir, pode me internar em Saint Mungus.

- Você fala como se eu nunca tivesse cogitado essa possibilidade... – devolveu no mesmo tom.

- Ora, como ousa, Sirius Black? – Alix pôs as mãos na cintura e estreitou os olhos em direção a ele.

- Você sabe bem que eu ouso muito mais do que isso. – Sirius sorriu lascivo, e ela sentiu as faces esquentarem imediatamente.

- Pode ir parando por aí. – Ela disse, quando Sirius deu alguns passos em sua direção, já que sabia qual era a sua intenção. – Eu acabei de me maquiar. Nada de beijos.

O rapaz fez uma completa cara de descrédito.

- Você está tirando com a minha cara, não é?

- Não! – ela deu de ombros, baixando para pegar uma bolsa mínima que estava em cima de uma cadeira. – A única parte do meu maravilhoso corpo em que você vai encostar nas próximas horas é o meu braço, que você vai segurar enquanto estivermos no altar.

- Mas... Mas...

- Mas nada, Sirius! – ela agarrou-se ao braço dele. – Vamos para o hall interno, tenho certeza de que daqui a cinco minutos a Betsy vai estar gritando por mim de novo, ela fez isso o dia todo. – Alix deu uma ligeira tremida. – Não foi uma situação muito confortável, se me permite dizer.

- No Jóquei Club Mágico de Denver. – contou Lily cerca de duas horas depois. As duas estavam numa grande sacada de pedra, que se abria para os fundos da mansão, dando uma vista de um grande vale, que acabava numa floresta fechada. Era o refúgio de Brian, que permanecia intocado. – Os encontrei lá! Eu quase joguei um Cruciatus no James! Eu não sei ainda porque não joguei.

- Talvez porque fosse para Azkaban por isso. – Alix brincou, mas os olhos brilhavam com um pequeno reflexo de raiva. Ela ouvia as vozes das pessoas que estavam chegando para a cerimônia ao longe, ainda faltavam duas horas, mas o local se enchia rapidamente. Betsy já lhe chamara no mínimo umas três vezes na última hora, e por tal motivo ela fugira com Lily para aquele local isolado.

- É, deve ser por isso. – a ruiva concordou, tomando um gole de champanhe. – Eu não entendo o que vimos neles. Afinal o que vimos neles, hein? – ela indagou, sarcástica.

- Eles são bons de cama. – respondeu, sem pensar duas vezes.

- Falando em bons de cama, eu tenho uma reclamação a seu respeito, Alix. – Lily, que definitivamente não era acostumada a beber, já estava sofrendo os efeitos da segunda dose.

- A meu respeito? – Alix estranhou.

- Que tal, da próxima vez que decidir expulsar Sirius de casa, fazer ele vestir alguma coisa, hein? – gargalhou. – Não que a visão de Sirius Black só de lençol seja ruim, óbvio, mas...

- Ei! – a namorada reclamou, mas acabou rindo também. – Cuidado para o que olha, viu?! O cão sarnento é só meu!

- Oh, não se preocupe... Pontas ainda dá bem para o gasto. – Lily tomou mais um gole, e Alix decidiu que iria mantê-la longe dos garçons daquele momento em diante, tudo o que precisava era uma ruiva bêbeda numa casa com três piscinas. – Muito bem para o gasto.

- Não me fale!

A mulher estava rindo, quando sentiu algo na sua espinha. Um frio incomum, muito incomum mesmo, pois estavam no início da primavera. Olhou à sua volta. Conhecia aquela sensação de outros tempos. Tentou se convencer de que era impossível, de que ele não podia estar lá. Foi quando viu a figura encapuzada perto das árvores que seu coração deu um salto: era ele... Realmente, não devia ter perguntando como o seu dia poderia ficar pior! Pois ela definitivamente conseguira o feito.

- Lily! – Alix tirou a taça da mão da ruiva. – Chega de beber. – disse, séria.

- O que há? Eu ainda não te contei o que eles...

- Esqueça, Lily. – Alix fez que não com a cabeça. – Eles são idiotas, mas nos amam, sabemos disso, ok? – a ruiva concordou. – Avise ao Sirius para manter Brian o mais longe possível dessa ala.

- O que há? – Lily parecia ficar mais sóbria.

- Severus... – disse somente olhando para a floresta, onde a figura permanecia.

- Por Merlin, não! – a mulher também voltou-se para lá. - O que faremos? Ele pode acabar com o casamento!

- Ele não vai. – Alix disse, concisa. – Avise Sirius e James, por favor.

Deixando a amiga para trás, Alix desceu as escadas o mais rápido possível, tentando não chamar a atenção, o que foi em si muito difícil. Parecia que todos os empregados queriam saber se ela aprovava o que estavam fazendo, depois do ataque de Jennifer mais cedo, ela tivera que dar opinião sobre mil e uma coisas, ao lado da mãe de Brian. Aquilo foi um saco, mas naquele momento era pior.

Ela seguiu um caminho de pedras que levava até o vale, mandando uma mensagem mental para o irmão: “Severus, não se afaste”. A figura permaneceu parada até que Alix se aproximasse. Mesmo estando a uns dois metros de distância, sentiu o cheiro de firewhisky barato. Ela suspirou e se aproximou completamente. Fazia meses que não o via, desde a formatura em Hogwarts, mas mesmo antes disso, a relação dos dois havia ficado estremecida, pelo mesmo motivo que fez com que o namoro dele com Betsy terminasse. Severus se aliara ao partido das trevas, era um Comensal da Morte.

Tudo acontecera de uma maneira que ela não pudera impedir. Talvez fosse um pouco sua culpa, estava envolvida com coisas demais: Sirius, a monitoria-chefe em Hogwarts, as aulas especiais que tinha com Dumbledore; tanto que nem percebera o afastamento de Severus até que viera o golpe final: o fim do namoro com Betsy e a descoberta da verdade. Não podia ignorar que se encontravam em lados opostos na guerra, mas também não podia esquecer que era seu irmão, seu sangue. De um lado uma integrante da Ordem da Fênix, de outro um Comensal da Morte. O destino mais uma vez era um completo paradoxo.

- O que você está fazendo aqui? – indagou, parecia uma pergunta idiota a se fazer, mas era a única a ser feita naquele momento.

- Me divertindo, isso é uma festa de casamento, ou não é? – a voz dele estava ligeiramente arrastada e embolada.

- É, só que tecnicamente seu nome não está na lista de convidados. – ela disse, puxando o capuz e revelando o rosto. Foi uma grande surpresa ver que o rosto bonito de Severus estava transformado pela amargura. Magro, pálido, os cabelos oleosos. Os olhos estavam avermelhados e marcados por olheiras profundas, como se não dormisse há dias. Será que sua mãe sabia daquilo? Ela era tão exigente com os filhos... Ele parecia muito mais velho do que realmente era, e ele era apenas um garoto de dezoito anos.

- É, não está. A vagabunda não teve o descaramento de fazer isso. – e tirou uma garrafinha de firewhisky das vestes, tomando um grande gole.

Alix tomou a garrafa das mãos do irmão e deu um gole, para em seguida cuspir.

- Isso é uma porcaria. Você decaiu muito. Um lixo desses não é digno de um Snape.

Severus então puxou a corrente que Alix trazia no pescoço, fazendo o fecho se abrir. Era um fio de prata com um pingente de opala negra em forma da cabeça de um cãozinho.

- E isso? – Balançou a jóia em frente ao rosto da irmã. – Isso é digno de uma Snape? Um traidor do sangue, deserdado pela própria família.

- Antes um traidor do sangue que um assassino. – Alix estendeu a mão para que ele lhe devolvesse o colar. – Se você não pode ser feliz, deixe que eu e Betsy sejamos. Não há mais lugar para você na vida dela.

O rapaz empurrou o colar na mão da irmã. Ele não tentou esconder a raiva que sentia.

- Você está bonita.

- É. Sirius faz bem para mim. – disse simplesmente.

No instante seguinte Severus desaparatou. Alix respirou mais calma, então seguiu o caminho de volta encontrando Sirius, que esperava por ela.

- Pode guardar a varinha, ele já foi. – disse, ao perceber que Sirius estava pronto para um duelo.

- O que seu digníssimo irmão queria? – ele guardou a varinha a contra-gosto.

- Não sei... – ela suspirou, ligeiramente angustiada. – Talvez ele tenha se arrependido de ter perdido a vida dele.

Sirius iria responder alguma coisa quando ouviu Lily gritando: “VOCÊ ESTAVA OLHANDO PARA AQUELAS VEELAS SIM, JAMES! EU NÃO SOU CEGA!”

Os dois olharam para trás ao mesmo tempo e viram a cena de um James muito sem-graça tentando conter uma Lily completamente bêbada.

- Gryffindors não sabem beber. – Alix suspirou. – São certinhas demais para isso. Agora, senhor Black, - ela lançou um olhar bem petulante a Sirius. - o que você estava fazendo no Jóquei Club?

- Ah... Eu estava perdendo meus galeões e pensando em você, Alix, que mais eu estaria fazendo? – indagou com a cara mais lisa do mundo.

- Para o bem da sua constituição física e dos filhinhos que você ainda não tem, é bom que tenha sido apenas isso.

Sirius ia responder, mas novamente foi impedido por um grito:

- ALIX!

A mulher deu um pulo.

- Oh, céus. Betsy, casamento, agora, vamos! – e saiu correndo, puxando Sirius pelo braço.

O jardim da casa fora devidamente arrumado com um luxuoso altar, orquídeas brancas circundando todo aquele local, dando-lhe um ar sofisticado. O padre usava uma batina também branca com bordados dourados. Brian e Betsy estavam em frente a ele, as mãos dadas. O velho senhor voltou-se para o loiro sorrindo e perguntou:

- Brian Christopher Braddock, você aceita Elisabeth Jennifer Cooper como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la todos os dias de sua vida?

Brian sorriu e apertou a mão da mulher.

- Sim, eu aceito.

O padre voltou-se para Betsy e também sorriu para ela.

- Elisabeth Jennifer Cooper, você aceita Brian Christopher Braddock como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo todos os dias de sua vida?

- Padre. – ela suspirou, contente. – É o que mais quero.

Houve vários flashes vindos das máquinas fotográficas dos muitos repórteres que acompanhavam a cerimônia. O casal então trocou seus votos e o padre fez a pergunta crucial:

- Existe alguém presente que saiba de algum motivo para que este casamento não ocorra? Fale agora ou se cale por todo o sempre.

Silêncio absoluto. Internamente, os repórteres ansiavam por algum escândalo que pudesse ser manchete na manhã seguinte. Alix começou a olhar para todos os lados, temendo o pior. Que não aconteceu. Os noivos trocaram as alianças e em seguida receberam a bênção do sacerdote. Ao contrário do que normalmente acontece em casamentos, o casal foi recebido com uma chuva de pétalas de rosa branca e finalmente a recepção teve início.

Garçons começaram a circular com bandejas nas quais estavam as mais diversas bebidas, trouxas e bruxas. A banda contratada começou a tocar músicas alegres e alguns casais já estavam dançando quando Betsy e Brian seguiram para cortar o bolo. Novamente os fotógrafos ficaram a postos. Juntos, os noivos cortaram o primeiro pedaço.

- E para quem vai o primeiro pedaço do bolo? – Rita Skeeter perguntou, o bloquinho de anotações nas mãos e molhando a pena de repetição rápida na boca.

- E para quem mais seria? – Betsy sorriu meigamente. – Para o meu querido maridinho. – e jogou o bolo na cara de Brian, sujando-o todo. Jennifer ficou pálida na hora e sentiu que poderia desmaiar.

- Esposinha... – Brian lambeu os lábios. – Eu não posso deixar de compartilhar esse bolo delicioso com você. - E lambuzou a cara da esposa com o bolo, para em seguida puxa-la para si e beijar-lhe os lábios rindo.

Numa mesa próxima, sete pessoas gargalhavam à vontade.

- Dez pra um que esse casamento termina num funeral. A tia vai matar a Betsy. – Alix disse, com lágrimas de riso nos olhos.

- Mas a Betsy já tinha se divertido o suficiente ontem. – Lily já tinha voltado à sobriedade. Claro que isso foi com a ajuda de uma poção anti-ressaca.

- Todas nós nos divertimos muito ontem. Aqueles strippers eram maravilhosos. – Marlene McKinnon, a namorada de Remus, comentou sorrindo.

Os três namorados, que naquele instante estavam bebendo, ao ouvirem a palavra strippers, cuspiram toda a bebida na pessoa que estava na frente, leia-se, Peter.

- Marlene! – Alix e Lily gritaram em uníssono.

- Opa. – a mulher percebeu o fora. – Não foram bem strippers... – ela tentou consertar, mas as caras dos homens ficavam cada vez piores. – Estava mais para...

- Para quê, Má? – Remus indagou, surpreendentemente raivoso.

- Para ilusões de ótica da mente fértil da Marlene. – completou Alix.

Peter, que tentava se enxugar, se acabava de rir da cara dos ofendidos.

- Como se nós só tivéssemos ficado conversando. Aquelas veelas, hein, James? – Peter bateu nas costas do amigo que se engasgou.

Lily voltou-se furiosa para o namorado.

- VEELAS?!

Alix, cujo namorado não participara da celebração (por sorte dele, é claro), estava observando o amontoado de mulheres se reunir no meio do jardim, onde naquele momento Betsy ia jogar o buquê.

- Lily, minha cabeça de fósforo favorita, - sorriu. - depois você taca fogo no James. Agora vamos nos divertir com as solteironas necessitadas se matando para pegar o buquê da noiva.

- Mas vocês não vão lá? – Sirius perguntou, parecendo ligeiramente chateado.

- Magina! – replicou Alix, como se a simples idéia fosse descabida.

- Eu acho que vocês deveriam ir. – insistiu James.

- Eu realmente acho que vocês deviam ir. – Remus estava praticamente suplicando.

As três garotas se entreolharam, sentindo no ar o cheiro de armação. Marlene, sem pensar duas vezes, voltou-se para Peter.

- O que eles aprontaram?

Os rapazes começaram a fazer sinais pedindo para que ele ficasse calado, mas Peter já estava ligeiramente, para não dizer muito, bêbado e acabou soltando a língua.

- É que eles apostaram uma grana alta em qual de vocês iria pegar o buquê.

- Vocês O QUÊ!? – as três voltaram-se raivosas para os respectivos namorados.

Naquele instante, ouviram gritos, pois Betsy havia jogado o buquê. Houve um grande empurra-empurra entre as mulheres, alguns tapas e puxões de cabelo depois, perceberam que todas elas estavam vindo na direção da mesa onde estavam. O buquê se partira em dois e passava de mão em mão sem parar em nenhuma. Foi Peter que gritou o obvio:

- Corram! Se salvem! Elas estão vindo na nossa direção!

Todos se levantaram rapidamente, afastando-se do caminho das desesperadas, que caíram em cima da mesa. As duas partes do buquê escaparam das mãos delas, sendo jogadas para o alto novamente, e caindo exatamente aos pés de Lily e Alix que observavam a cena sem acreditar no fato de que, realmente, buquês de noiva têm vontade própria. Ainda passadas, elas se abaixaram e pegaram as flores.

- Acho que são nossos... – Alix disse. – Não é? – quis confirmar olhando para a ruiva.

- Claro que são! – James falou muito satisfeito.

- Não mesmo! – Remus se manifestou. – Ninguém apostou que o buquê ia se dividir em dois.

- Seja um bom perdedor, Aluado. – disse, jocoso. - Me passe os seus galeões.

Enquanto James e Remus continuavam a importante discussão, Alix olhava para Sirius, para o buquê, para Sirius, para o buquê, quase a ponto de ficar tonta.

- Isso foi... – começou, sem saber o que dizer.

- É... foi... – Sirius concordou, também sem saber o que falar.

- Inesperado. – Alix suspirou.

- Absolutamente. – Sirius completou, finalizando aquele interessante diálogo monossilábico.

- ELAS ESTÃO COM O BUQUÊ! – alguém gritou.

Percebendo o perigo, James e Sirius trataram de defender suas namoradas, enlaçando-as pela cintura num gesto que dizia claramente: “O buquê é delas!”.

A festa seguiu madrugada adentro, e já estava amanhecendo quando Sirius e Alix foram até a cobertura onde uma suntuosa carruagem esperava para levar os noivos à lua de mel.

- Então, agora vocês dois não podem fugir. – Brian, que já tinha trocado de roupa, brincou. – O buquê sobreviveu a uma revolução para chegar às mãos de Alix. – e piscou o olho para o primo.

- Sim, e nós seremos os padrinhos. – Betsy, que também trocara de roupa, apareceu pela porta.

- Eu ainda tenho dúvidas se isso não foi uma armação. – Alix disse, e ainda tinha o buquê nas mãos.

- Talvez sim, talvez não. – Betsy fez uma cara inocente. – Você vai se remoer de dúvida pelo resto da vida.

- Se um dia um espírito estranho baixar e nós decidirmos nos casar, - Sirius abraçou Alix pela cintura. – vocês podem ficar despreocupados, serão os padrinhos. Agora vão embora! A gente não agüenta mais ver as suas caras.

- Sirius Black, sempre tão sutil. – Betsy riu alto.

- Adeus, gente. – Brian abraçou Sirius e Alix.

- Só não esperem cartas, vamos estar muito ocupados. – Betsy brincou, enquanto também abraçava os amigos, e em seguida entrou na carruagem onde o marido já a esperava. – Arrivederci.

Logo a carruagem alçou vôo, deixando Sirius e Alix sozinhos. Eles desceram uma escada longa em silêncio e seguiram o caminho de pedras que levava ao bosque de carvalhos, que circundava a propriedade. Era aquela hora fria entre a madrugada e o amanhecer. Havia um gostoso cheiro de orvalho no ar, vindo das folhas das árvores. Estavam completamente sozinhos, todos ainda estavam na festa nos jardins da mansão.

- Foi um dia longo, bem longo. – Alix suspirou. – Mas valeu a pena.

- Nós poderíamos ter isso, você sabe... – Sirius puxou a mulher para mais perto de si. Alix sentiu arrepios com a respiração quente no seu pescoço, mas ao mesmo tempo sentiu-se amparada e protegida, como sempre acontecia.

- Não preciso gritar para o mundo e dar uma festa fabulosa para saber que sou só sua.

- Te basta que eu saiba, não é? – ele aumentou a força do abraço, deixando o mais perto de si possível, havia um sorriso calmo e feliz nos seus lábios que só surgia quando estava com ela.

- Sim, senhor Black. – ela tinha o mesmo sorriso. – Porque eu te amo, e isso basta para mim.

Sirius segurou o rosto da amada entre as mãos, a encarando no fundo dos olhos, sem desviar um momento. O dia estava nascendo nas suas costas e uma fina garoa começava a cair, fazendo com que o calor dos corpos jovens se misturasse com o frio daquela manhã de primavera. Suas roupas, que umedeciam à medida que a garoa se tornava uma chuva fraca, começaram a se grudar nos corpos, causando-lhes arrepios, mas não eram com certeza a única causa. Eles eram jovens, estavam apaixonados e tinham todo o tempo do mundo...

- Desde o primeiro beijo, - ele disse tocando os lábios dela com a ponta dos dedos. – eu nunca tive dúvidas que você seria a mulher da minha vida, meu amor... Não quero me preocupar com o amanhã, com essa maldita guerra, e nem com mais nada...

- Sirius... – ela começou, mas ele a calou tocando novamente seus lábios.

- Minha vida sempre foi uma bela de uma farsa, garota, sempre o maioral, sempre o líder, sempre o conquistador... – ele riu convencido. – Sou mesmo. – riu mais ainda. – Mas... Eu só aprendi que aquilo não valia nada quando você me disse não. Aprendi o verdadeiro valor, o valor da minha vida era nada se não tivesse você nela.

- Sirius... – ela tentou novamente, mas ele não deixou.

- Agora e sempre, Alexandra, é a minha promessa para você. Nesta e em qualquer outra vida, serei somente seu.

Alix sorriu e acariciou o rosto dele, que suspirou com o toque. Então se ergueu nas pontas dos pés, roçando seus lábios nos dele. Foi um beijo leve com uma brisa, mas foi aos poucos se tornando passional. Sirius a envolveu num abraço forte, do qual Alix não podia, e nem queria, se soltar. O mundo parou naquele instante, não havia medos e incertezas para o futuro, apenas os dois e aquele beijo. Separaram-se algum tempo depois em busca de ar, os olhos de ambos brilhavam. Sirius a mantinha junto de si, sentindo o doce cheiro da mulher amada que se misturava ao orvalho e ao cheiro de terra molhada.

- Você cheira bem, Alexandra Snape.

- E você cheira a cachorro molhado, Sirius Black. – ela gargalhou, para em seguida selar o compromisso eterno com um novo beijo.

FIM

[1] As duas autoras fazem Direito e compararam Slytherin com o conceito de soberania (Sim somos loucas mesmo e para alguma coisa serviu as aulas de T.G.E)

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[b]Comentários:[/b] Adorei a Alix menina de personalidade bem forte. E a mãe da noiva também, daquelas que chega a dar nos nervos. Parabéns garotas.

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