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VALENTINE por Amanda Dumbledore 2º lugar no XII Challenge Ron e Hermione do Fórum do 3V. Hermione resolve seguir uma tradição japonesa para tentar fazer Ron se tocar... Ao mesmo tempo que McGonagall se deixa convencer por retratos e nada mais em volta é o mesmo. Ship: Ron Weasley e Hermione Granger | Classificação: G | Gênero: Romance/Comédia | Spoilers: 4 | Capítulos: 1 | Status: Completa | Idioma: Português | Observação: - | Publicada em: 10/09/2006 | Atualizada em: 10/09/2006 Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos. Minerva McGonagall entrou na sala da direção sentindo um alívio triste e uma nostalgia da qual não conseguia fugir. Seu coque continuava firme, seus olhos permaneciam rígidos, mas seus pensamentos pertenciam ao passado naquela tarde. Era inacreditável, era impossível aceitar que já se tivesse passado um ano desde o final da guerra... Ela sentou-se à mesa de diretora e seu olhar percorreu o ambiente. Ninguém diria que as coisas poderiam voltar ao normal... Seus alunos podiam andar sozinhos pelos corredores e não precisavam estar sempre em alerta; Hogwarts afinal voltara a ser um símbolo de segurança – depois da segunda guerra, até mesmo era mais confiável do que o Gringotes. Seu olhar buscou o retrato do Prof. Dumbledore na parede, tendo seu rosto apoiando-se na mão direita, complacente. Albus estava se esticando no canto do quadro do Prof. Dippet, que ficava próximo a uma cômoda de arquivos, em cujo topo estava depositado um saquinho de Feijõezinhos de Todos os Sabores, tentando colocar um braço para fora... -Não adianta, Albus – ela falou, assustando-o, e conteve um sorriso. A barba longa dele se curvou num sorriso. -De fato, professora, eu estava quase convencido de que estava perto de conseguir. – ele falou, e seus olhos brilharam de modo travesso como se fosse ele de verdade. Ela sacudiu a cabeça. -Você nunca se deu bem com esses doces, Albus. – ela lembrou-o. -Sim, você tem razão, Minerva – ele replicou. – Mas talvez agora eu tivesse um lance de sorte... Ela curvou os lábios e baixou a cabeça. O retratado se ergueu, ajeitou as vestes e, tirando o chapéu par Dippet com elegância, recolheu-se à sua moldura. -Problemas? – ele perguntou, sentando-se à sua cadeira na pintura com um suspiro. McGonagall sacudiu a cabeça. -Já faz um ano. – ela falou, depois de ficar em silêncio por alguns instantes. Ele ergueu as sobrancelhas. -Ah – ele murmurou. – Certo. Mas eu não entendo o motivo da sua tristeza, Minerva. Ela não respondeu. A verdade é que ela nunca pedira para ser diretora de Hogwarts. Era a bruxa mais capaz, de maior liderança entre os professores restantes, mas ela não conseguia deixar de se sentir apenas uma sombra pálida de diretora, pelo mero fato de suceder Albus Dumbledore. Pensou em dizer a ele o que pensava, mas lembrou-se do contrato mágico. Os retratos estavam ali para auxiliar em assuntos da escola. E não para seções de terapia com os diretores atuais. -Enfim. – ele continuou, quando ela pareceu não estar com vontade de conversar. – Em que dia do ano estamos? -Primeiro de fevereiro – ela respondeu, sem entender os princípios dele. -Praticamente às vésperas do dia dos namorados! – ele exclamou, como se aquilo fosse um grande achado. – Sabe, Minerva... O retrato de Albus estava falante demais naqueles últimos tempos. Às vezes, nem parecia ser o reflexo da alma do maior bruxo que já pisou na Terra, e sim da criança mais travessa que alguém poderia criar. Semana passada ele tinha pedido a McGonagall para brincar de pedra, varinha e adaga com ele, porque estava muito entediado em sua moldura. E ele continuou como se estivesse dando um discurso de boas vindas aos alunos. -Desde o primeiro ano em que eu assumi como diretor de Hogwarts eu quis fazer isso... Acho que agora você tem todos os motivos para fazer isso sem passar por tola... Veja bem, um baile de dia dos namorados se encaixaria bem nesse contexto... -Pelo amor de Merlin, Albus – McGonagall virou os olhos. – O que o dia dos namorados tem a ver com um ano de final de guerra? -Tudo – ele sorriu de novo. – Se você chamar os antigos alunos para encontrarem os novos. – ele acrescentou. McGonagall observou a pintura por alguns segundos. -Não fale asneiras. – ela respondeu, logo em seguida. Hermione acordou de mau humor. Trocou de roupa ainda de mau humor, jogou Pó de Flu na sua lareira e um monte dela entrou pelo seu nariz quando as chamas se ergueram. Ela ficou zonza e seu humor piorou... Aquele dia não seria bom. Ela se lembrava de ter chutado as aulas de Adivinhação, mas nem sempre se precisa de uma bola de cristal para algo tão óbvio quanto um dia ruim... Seu cabelo estava uma bagunça quando ela chegou ao Ministério da Magia. Estava amaldiçoando uma dezena de coisas, até chegar até a sua repartição. Tinha apenas dezoito anos e tinha que começar de baixo... Mesmo sendo ela Hermione Granger, era impossível enriquecer apenas com o gesto diminuto de ajudar a salvar o mundo... Ela deu um sorriso afetado ao pensar nisso. Ela usava vestes limpas, sem uma dobra, talvez tão rígida em aparência quanto a diretora de Hogwarts, mas seu humor certamente não era amenizado por um quadro com síndrome de infância. Hermione aceitara um emprego com Percy Weasley no Departamento de Cooperação Internacional em Magia. Ela ficava em um daqueles cubículos abomináveis, ouvindo o ronco de David Stevenson, um bruxo solteirão cuja mesa estava sempre repleta de memorandos desesperados, que nunca eram respondidos ou arquivados. Do outro lado ficava Yanajima Tagamoya, uma bruxa japonesa que chegou assim que a guerra terminou. Ela tinha planejado apenas um curso intensivo de inglês de seis meses, mas Percy acabou descobrindo nela a capacidade assustadora de acalmar embaixadores e Ministros da Magia estrangeiros, de modo que ela acabou se mudando definitivamente para a Inglaterra. Yanajima era pequena, magricela, usava óculos de suporte preto que deixavam seu rosto ainda menor, Sempre usava uma capa vermelha ou amarela, e Hermione nunca teve coragem de perguntar o motivo. Quando ela chegou até os cubículos, Yanajima veio recebê-la com um sorriso animado e cheio de energia. -Ohayou! – ela exclamou, alegre. -Bom dia, Yanajima. – Hermione murmurou, jogando sua pasta sobre a mesa. Dez memorandos lutavam entre si pela posição mais destacada de sua escrivaninha. A vontade de chorar perdeu para o dever de ser educada com a colega... -Veja só isso, Lermione – ela disse, ainda alegre, e estendeu um pedaço de pergaminho para ela. Hermione examinou o papel, pensando ser algum discurso de Ministro da Magia... Mas era uma receita de chocolate feito em casa. -O que significa isso? – ela perguntou, sem entender. Esfregou os olhos e bocejou. -O dia dos namolados está chegando! – ela exclamou, como se fosse óbvio. Hermione passou por ela e sentou-se em sua cadeira, depois de lançar a ela seu pior olhar de o-que-eu-tenho-a-ver-com-isso. -Sei, E você vai dar chocolates para o seu noivo? – ela replicou, sem conter o desdém. -É o nosso costume no Japão! Eu sempre complei plontos, mas – o rosto dela pipocou em cima da divisória, depois de se ajoelhar em sua cadeira. – esse ano eu quelo que seja especial! Não plecisa ser apenas pala namolados, sabe. Pode ser apenas pala alguém que você goste muito! Hermione forçou um sorriso e pegou de novo a receita da mão dela. Correu os olhos pelos ingredientes... Bem, ela não era nenhuma autoridade na cozinha. Tinha dezoito anos, ainda morava com os pais, porém não se envergonhava. A única coisa que ela ainda não fazia era cozinhar... Pensando bem, havia ainda duas semanas. Duas semanas inteirinhas, apenas para aprender a fazer chocolate. E sua mãe poderia ajudá-la! Por que não? No fim da tarde, ela entrou em casa segurando uma cópia da receita. -Já estou em casa! – anunciou para o pai, que agora terminava de atender os pacientes antes da mãe; ele devia estar na sala, lendo o jornal que não tinha tempo de ler pela manhã. Hermione deixou a receita no quarto e foi tomar um bom banho. Percy tinha uma reunião perigosa com o embaixador russo no dia seguinte... Ela tinha ficado responsável por todos os relatórios que baseariam os argumentos do Weasley mais maluco por trabalho, e ficou por alguns instantes repassando mentalmente as informações que tinha colocado nos papéis... Não, ela conferia os números duas vezes. Não podia haver nada errado! Quando saiu do banho, seus pensamentos já tinham voltado para os chocolates. Hermione mordeu o lábio. Ela não estava pensando sinceramente em dá-los a Ron, estava? Ela não estava se deixando levar por suas fantasias outra vez, estava? Era simplesmente que ela não podia entender o que tinha dado errado! O que tinha faltado? Será que ela tinha imaginado tudo? NÃO! Garotas não imaginam essas coisas! Ela não confundira a amizade dele... Porque ele a tratava de uma maneira totalmente avessa a Harry! E Harry ela nunca confundiu com outras coisas... Parecia apenas incestuoso. Mas Ron... Por que eles não tinham ficado juntos depois da guerra? Ginny não se atrevia a perguntá-la, tampouco sua mãe, que sabia do que Hermione sentia. Aquele era o único motivo que existia para que as duas discutissem... Hermione odiava ser tratada como uma criança, ao passo que era justamente esse o adjetivo que sua mãe usava, ao perguntar por que ela não saía mais. Por que ela não se distraía com outras pessoas? Sempre Ron e Harry? Se ao menos ela chegasse feliz dessas reuniões de amigos!, Jane Granger exclamava, sem entender. Mas não! Sempre Hermione chegava ou com os olhos vermelhos, ou com uma raiva arrasadora que sempre destruía a louça que ela lhe mandava lavar. E agora ali estava ela de novo, tentando adivinhar como Ron reagiria. E ali estava ela, voltando do supermercado, carregando os ingredientes... Evidentemente Hermione dera um pulinho no Beco Diagonal, porque Yanajima usava uma série de coisas que decerto NÃO eram vendidas no comércio trouxa. Já escurecia; fazia um frio desconfortável e Hermione fechou a porta de casa aliviada. -Ei, Hermione! Ron gritou do sofá da sala de estar. Harry estava ao lado dele, e sorriu. -Seu pai disse para esperarmos por você. – Harry explicou. -O que tem aí? – indagou Ron, levantando-se, com uma expressão curiosa. Hermione tratou de enfiar a sacola atrás de si e tentou não enrubescer. -Erm... Nada, minha mãe pediu para que eu buscasse algumas coisas para ela cozinhar. Mas Ron já estava revirando a sacola, que tomou da mão dela. Harry deu um sorriso contido e deu de ombros, vendo Hermione começar a perder a paciência. -Sua mãe vai fazer um bolo bem doido com isso, hein? – Ron murmurou, malicioso. – Não sabia que ela usava coisas do Beco. – ele acrescentou, apontando para uma estampa em movimento de um dos ingredientes. Não, de fato não havia como salvar aquele dia! -Ah, está bem – ela confessou. – Eu vou cozinhar, entendeu? -Ahn... – Ron mordeu o lábio, malicioso, enquanto Harry escondia outra risada, sem se levantar do sofá. – E o que deu em você de ter essa idéia agora, hein? Hermione virou-se para Harry, implorando por um pouco de apoio naquela situação, mas ele só soube sorrir de maneira cúmplice e perguntar: -Ah, então é verdade que Krum está vindo passar uns dias na Inglaterra? Eu me lembro dele dizendo que estava cansado da comida pesada da Bulgária... Ron ficou vermelho até as orelhas como se fosse um termômetro no deserto do Saara; Hermione experimentou por um instante o maior desejo de Voldemort; erguer a varinha e assassinar Harry Potter ali mesmo, onde ele estava. -Mas de que diabos você está falando? – ela inquiriu, correndo até a cozinha. Ron trocou um olhar indignado com o amigo. -Você está falando sério? Harry deu de ombros. Antes que Hermione colocasse a sacola em cima da mesa, Ron já estava cutucando-a por trás. -Krum está vindo para a Inglaterra de novo? – ele inquiriu. -Pare de tolices... -Ele está? – a voz do ruivo soou mais urgente. -Se você ficar dando ouvidos às bobagens do Harry o tempo todo agora... -ELE VEM OU NÃO? – Ron gritou, no meio da cozinha. Foi a vez de Hermione sentir a raiva crescendo. -É da sua conta? – ela interpelou, virando-se para ele e resistindo ao impulso de ficar na ponta dos pés para encará-lo devidamente. -Verdade, Ron. – Harry apareceu à porta da cozinha. – Krum deve estar com saudades da Mione... Afinal, são tantos anos... Antes mesmo da nossa guerra começar... Ron esmurrou a mesa e Hermione estremeceu. Ele voltou o olhar para ela, irado. -Eu não confio nele, você sabe disso! No labirinto, ele... Ele enfeitiçou o Cedric! Harry cobriu os olhos com uma mão. De onde ele teria desenterrado aquela? -Pare com isso, Ron! – Hermione recuou um passo, ofendida pela agressividade dele. – Ele estava sob a Imperius do Crouch Jr., você está cansado de saber disso! Até que Harry cansasse de rir da discussão dos dois, eles continuaram a brigar. A Sra. Granger chegou, cumprimentou-os, foi tomar banho, e eles ainda não tinham voltado às boas. Hermione finalmente resolveu ignorar categoricamente as exclamações violentas e infundadas do ruivo e se pôs a seguir sua receita. Ron se sentou na cadeira mais distante e Harry ficou lendo a receita. -Essas anotações aqui no canto – ele indagou, mostrando os rabiscos para Hermione – O que significam? -Eu nem faço idéia – ela replicou, depois de olhar. – Eu peguei a receita com uma japonesa que trabalha comigo, então... Ron não falava mais nada. A conversa tornou-se centrada em Hermione reclamando de não saber cozinhar e Harry falando de forma quase aérea sobre suas idéias de jogar quadribol, agora que não havia mais perigo para a bruxidade. -AI! – Ron exclamou de repente, e os dois se voltaram para ele. Havia uma coruja parda pousada na cabeça dele, segurando uma carta de aparência oficial. Ron estava tentando dar um tapa no pobre animal, mas ela voou até o braço de Harry antes que ele conseguisse lhe fazer algum mal. Ele pegou a carta e virou-a. Quando viu o selo de Hogwarts, com o antigo emblema, a sensação de nostalgia foi impossível de reprimir. Era como se ele estivesse sendo convidado para um novo ano letivo... Hermione franziu a testa. -Um... Baile? - ela disse, depois de ler. -Baile? - Ron não resistiu ao som da palavra. -Mas, Hermione, nós já nos formamos. - Harry falou, sério, como se estivesse fazendo alguma conclusão genial. -Obrigada pela lembrança, Potter. - ela forçou um sorriso. - Mas aparentemente McGonagall resolveu comemorar um no do final da guerra... No dia dos namorados. -Deixa eu ver isso - Ron levantou-se e curvou-se por cima do ombro de Hermione para ler. - Há! Vejam só isso! "Não significa que haja necessidade de ficar patrulhando os corredores à caça de convidados demasiado indiscretos"! Hermione, acuada pelo ruivo curvado sobre ela, não disse nada. -É bem a cara dela - Harry comentou. - Vocês se lembram daquilo no quarto ano? Sobre termos que agir com discrição e educação para representar bem o nome da Grifinória... - e virou os olhos. As duas semanas se passaram mais rápido do que Harry, Ron e Hermione puderam controlar. -Nós devemos levar pares para esse Baile, Harry? - Ron arriscou-se a perguntar, quando foi à casa dele em Godric's Hollow na manhã do Baile. -Acho que já superamos essa fase, Ron. - o outro disse com um sorriso afetado. - Mas acho mesmo que você deveria considerar a idéia de levar Hermione com você... Imagine se o Krum chega antes, de novo? -Pare de usar o nome dele para me apavorar, cara - o ruivo retrucou, desviando o olhar. Três dias depois do acontecido na cozinha de Hermione, Harry afinal se dera ao trabalho de explicar que tinha inventado a idéia somente para deixá-lo nervoso. -E você devia parar de se apavorar e fazer alguma coisa. - Harry retorquiu, exasperado pela atitude do ruivo. -E fazer o quê? - o outro disse, girando e encarando o amigo. Harry sentou-se no sofá. Sua casa estava exatamente do jeito como a encontrara, no final da guerra. Do modo como seus pais haviam deixado. A vizinha, conhecida por Melina McFoster, mantivera a casa livre de bichos papões e parasitas em geral. A sala era pequena, confortável, e havia um vaso de flores que desabrochavam magicamente todas as manhãs. Eram lírios... Lupin contara a Harry certa vez que foi o primeiro presente que James dera a Lily e ela deu um jeito de mantê-las para sempre. -Eu não tenho um manual para você seguir passo a passo, mas... - Harry hesitou. - Você poderia começar respirando fundo e deixando todo esse medo de lado. Seguiu-se um momento muito tenso para Ron. O ruivo encarou o tampo da mesa, os joelhos encolhidos no "sofá de anões" que Harry mantinha, e engoliu em seco. -Não consigo. - ele falou, por fim. Harry deu um tapa amistoso nas costas do outro. -Vamos almoçar - disse ele, esperando que Ron estivesse muito interessado em ser presenteado com chocolates... Embora ele não soubesse o que Hermione teria em mente com aquilo. Eles brigaram demais o tempo todo, pensava Hermione consigo mesma, quando chegou aos portões de Hogwarts. Por todo lado ela via rostos conhecidos, mas estava tão nervosa que parecia haver um abismo entre ela e seus antigos colegas. Lembrou-se se Yanajima e do vestido que ela lhe emprestara, de um tom azul celeste que lhe lembrava também seu quarto ano. Na sua bolsa, um pacote de chocolates feitos por ela. Ron iria gostar, não ia? Mas é claro, lhe dissera sua colega. "Você mesma não falou que ele devora tudo que vê pela frente?" Pois é, ela pensou consigo mesma... Mas não havia nenhuma garantia... -Hermione! A voz familiar fez a morena girar nos calcanhares para encontrar Ginny Weasley. Esta era uma visão tão ofuscante que Hermione recuou dois passos ao reconhecê-la: os cabelos vermelhos estavam combinados com um vestido mais vermelho ainda, cujas alças lhe escorregavam dos ombros, e os olhos castanhos brilhavam de animação. -Ginny!- exclamou ela de volta. - Que bom ver você! A ruiva aproximou-se e elas adentraram os jardins da escola juntas. -Eu estive um pouco ocupada ultimamente... - Ginny começou a contar. - Você recebeu minha última coruja? -Recebi - Hermione assentiu. - Mas eu não pude ir até a Toca... Estou com trabalho até o pescoço no Ministério e seu irmão não quer saber de relaxar os prazos. A outra virou os olhos. -Típico dele. - comentou. Mas estava com o olhar nas torres do castelo. - Sabe, não é a mesma coisa estudar por aqui. Hermione voltou-se para ela. -Sério? -Sim... - Ginny murmurou. - Todos estão mais confiantes e abertos, mas ao mesmo tempo é tão difícil confiar... Tem aqueles que se sentem perseguidos mesmo agora, e ficam inventando histórias nas quais eles são heróis em corredores escuros para ter um pouco da atenção que o Harry tinha, sem pedir... -Será que Hogwarts nunca será a mesma? - Hermione arriscou, quando se aproximaram da escadaria. -Não sei. - falou Ginny. - Mas posso dizer que estou feliz de finalmente estar me formando. Nas portas altas do castelo havia enfeites de corações e uma faixa de boas vindas para os antigos alunos; Hermione respirou fundo e olhou em volta, por um momento esquecida de Ron e da guerra, para experimentar a nostalgia de sua época de estudante. Era engraçado perceber como fazia pouco tempo desde que ela abandonara o castelo. A Profª McGonagall estava parada na entrada, juntamente de Hagrid, para receber os convidados. Quando viu Hermione, ela esboçou um sorriso saudoso. -Seja bem vinda, Srta. Granger - ela disse, parecendo um pouco mais amolecida do que o normal. - Hogwarts sente falta da sua genialidade. Ginny pareceu não se incomodar com a atitude totalmente lisa de McGonagall para com ela: ela sabia que Hermione e Minerva tinham mentes extremamente parecidas. Sua amiga retribuiu o elogio e elas seguiram, olhando em volta. Hermione correu os olhos pelos novos alunos; eles pareciam mais barulhentos e menores do que eles naquela idade; as meninas pareciam ter risos mais irritantes e o garotos pareciam arrumar o cabelo de um modo ainda mais desastrado. Hermione olhou em volta. -Onde está Ron? - ela perguntou, desistindo do disfarce. -Não sei. - comentou Ginny. - Hoje eu pude passar em casa porque Fleur teve um alarme falso com a gravidez... Tanto melhor, não havia nenhuma boa aula ontem... Então quando eu saí da Toca, ele ainda estava lá, e nem estava vestido. Hermione bufou. -Típico dele. - foi dito mais uma vez, agora sobre outro Weasley. As duas avistaram Draco Malfoy a alguns passos. Vestia um terno verde escuro e parecia mais alto do que ela se lembrava. O cabelo estava jogado e despenteado numa clara tentativa de passar pelo penteado de Harry. Hermione piscou; nunca pensou que fosse viver para ver Malfoy imitando Harry. Passaram por ele e ele acenou com a cabeça para elas; Hermione arregalou os olhos, sem acreditar. Mesmo que Malfoy tivesse os ajudado no final das contas, era difícil encontrá-lo e pensar que tinham lutado juntos. Ginny não disse nada, até que alcançaram uma mesa. Luna estava sentada ali, com um vestido verde musgo de babados estranhamente posicionados em diagonal na saia; o decote parecia não lhe pertencer, sua varinha continuava atrás da orelha e o olhar permanecera viajante. -Boa noite, Luna - cumprimentou Hermione, sentando-se. -Ah, olá! - ela disse, voltando-se para elas. - Olá, Ginny! Que bom ver vocês, realmente bom... Viram como está cheio? Só espero que as pessoas não comecem a trocar as almas por acidente, com essa proximidade toda. Ninguém se atreveu a contestar o risco. Ginny olhou para as portas do castelo ao mesmo tempo que todo o salão; Harry Potter havia acabado de chegar. Talvez ele ficasse tão bonito só porque não tentava. Parecia estar vindo para a aula... De novo não tinha dado um jeito naquele cabelo, não tirara os mesmos óculos de sempre e o andar continuava miúdo, como se ele não tivesse percebido que não era mais uma criança criada num armário de escada. Ela desviou o olhar depois, mas Hermione percebeu. Entretanto, também não disse nada. Harry se sentiu acuado com tanta gente lhe dispensando atenção... Nunca ficara confortável com aquilo, por mais que tentasse. Os olhares para sua cicatriz, então... Era como se ele estivesse desfilando sem roupa. Quando ele ergueu a cabeça, já no meio do caminho para a mesa onde tinha avistado Hermione e Ginny, alguém se colocou no seu caminho. -Potter. - Malfoy resmungou, Harry encarou-o. -O que foi? Ginny, ao lado de Hermione, mexeu-se na cadeira. Nenhuma das duas tinha gostado de ver os dois bruxos parados no meio do caminho para a mesa delas. Ao menos ninguém mais estava prestando atenção, pensou Ginny consigo mesma, mas a catástrofe é a mesma. Ela levantou-se sem pensar duas vezes e foi até eles. Hermione também ficou de pé, mas apenas os observou. Luna, por sua vez, estava examinando os desenhos na taça que segurava com ambas as mãos, completamente alheia à tensão, como uma criança. -Não é problema seu, Potter, e você sabe muito bem disso. - dizia Malfoy, com o sorriso mais descarado que conseguia exibir. -Você pode descobrir que é da minha conta sim... - Harry disse, os olhos verdes faiscando com perigo. Por sorte, Ginny os alcançou a tempo. -O que está acontecendo aqui? - ela perguntou num sussurro nervoso, colocando-se entre os dois. -Eu estava apenas explicando a Potter as minhas circunstâncias, Weasley... - Malfoy respondeu preguiçosamente, colocando as mãos nos bolsos. Ginny virou os olhos. -Vamos sair daqui, Harry? - ela falou. Harry lançou um último olhar o loiro, cujo sorriso parecia pregado a marteladas no rosto. -Harry, vamos. - falou ela de novo, enfaticamente. Ele soltou o ar e foi com ela. -Não sei como você consegue... - disse ele. -Nós já falamos disso. - ela cortou-o, não querendo prolongar o assunto. - Não estou pedindo que vocês sejam amigos, apenas que não se matem toda vez que se encontrarem. Harry fechou a cara e sentou-se ao lado de Hermione, sem vontade nenhuma de concordar. Malfoy e Ginny estavam se dando bem demais e ele não gostava nada daquilo... Hermione, que não se sentara, cutucou Ginny para tirá-la de sua atmosfera própria. -Vou lá fora um minuto. A ruiva assentiu e Hermione deixou-os. Queria encontrar Ron antes que ele entrasse no saguão... Já estava quase arrependida de ter feito aqueles chocolates. Talvez um feitiço... Para que não derretessem na bolsa... Passou de novo por McGonagall, acenou e encarou a noite fresca dos jardins. Várias pessoas continuavam subindo o gramado... Não conseguia ver Ron entre os mais próximos. Parou e esperou. Do nada, uma voz conhecia lhe chegou aos ouvidos, embora não se dirigisse a ela. -Eu queria dizer é que... Que... - a voz hesitou, e Hermione curvou-se na direção de uma moita que ficava ao lado de uma árvore alta no caminho para as estufas. - Luna, eu... Hermione deu um passo para o lado, e afinal entendeu o que estava acontecendo. Neville. Segurava uma pedra e parecia fazer de conta que era a mão de Luna, e a cada minuto seu discurso ensaiado ia ficando pior. -Depois de tanto tempo que eu errei... Digo, que eu pensei... Hermione parou ali por um momento, perguntando-se se devia mesmo ajudar ou interferir de qualquer maneira. -Espionar é feio, sabia? - disse Ron em seu ouvido. Hermione virou-se de repente e bateu o ombro nele; o ruivo recuou dois passos com a pancada e coçou a cabeça. -Okay, recado entendido, não te assusto mais. - ele disse, arrependido. - Vamos entrar então? Ou está esperando... alguém? Os olhos azuis dele hesitaram e, ao mesmo tempo que Hermione se derreteu com o medo dele, sentiu raiva. Quem mais ela estaria esperando, pelo amor de Merlin! Ron estava de preto. Nem ele próprio sabia porque tinha se vestido como se estivesse indo a um funeral. Mas bem, se as coisas não dessem certo com Hermione, ele podia chamar a noite de um enterro sem problema algum... -Não! Espere um minuto. - ela disse, talvez alto demais. De repente os resmungos de Neville pararam ali perto. Ele parou e olhou para ela. -O que foi? Ela abriu a bolsa; de repente sua mão tremia e de repente ela estava arrependida daquela coisa toda... Como se ela fosse uma adolescente ainda! Tecnicamente, dezoito anos são considerados... De qualquer forma! -Eu pensei que você gostaria de provar. - disse ela, estendendo o pacote de chocolates embrulhado como um presente de aniversário. Ele engoliu em seco. -Aquele dia eu estava vendo se podia fazer certo... Mas dessa vez acho que deu certo. - ela completou, prendendo a respiração. Ele estendeu a mão e pegou o presente. -Ora... - disse ele, lançando um olhar travesso para ela. - Tem certeza de que não tem veneno nenhum aqui dentro? Toda essa gentileza... O cenho dela se franziu imediatamente. -Se não quiser, é só me devolver... -Não! - Ron recuou um passo, sem saber o que dizer. - Nem pensar... Quando eu esperei ganhar um chocolate seu! Se eu morrer com as suas péssimas habilidades culinárias, já saberemos se eu devia ou não... Mas ele não terminou a frase e enrubesceu. -É assim? - Hermione decididamente estava brava agora. - Eu sou incapaz, agora? Perfeito! Engula tudo e quem sabe uma congestão vai te ensinar a ter modos com alguém que te faz um favor! Dito isso, ela entrou no salão batendo o pé. Como ele ia saber que ela estava supersensível logo naquela noite?, pensava ele, na segunda-feira seguinte. Dessa vez ele não tinha dito nada errado, tinha certeza! Ron bufou e se encarou no espelho. Grande Ronniekins, falou consigo mesmo. Talvez se ele passasse no Ministério antes de ir para a loja dos gêmeos... Talvez ela a ouvisse. Pessoas costumam ter a resistência baixa em começos de semana. Jogou o mesmo paletó do baile, acenou para a Sra. Weasley e desaparatou. Não havia ninguém ainda no cubículo com o nome "Hermione Jane Granger" escrito. Mas naquele à sua direita, estava uma bruxa de quem ele tinha quase certeza já ter ouvido falar. -Com licença... Yanajima virou-se e pareceu reconhecê-lo imediatamente. -Ah, ohayou! - ela exclamou, alegre como sempre. - Você deve ser Lon Weasley... Gostou dos chocolates que Hermione fez? Eram os melhores que ele já tinha provado ou era só porque ela que havia feito? -Erm, sim. - ele respondeu, chocado com o reconhecimento imediato dela. Yanajima sorriu. -Que bom - disse ela. - Espelo que você retlibua no plóximo mês, então. Ele abriu bem os olhos. -Retribuir? -É! - ela exclamou. - Hermione não te disse? No dia dos namolados os homens lecebem o presente; em um mês, eles retlibuem! Era dia 13 de março e Ron estava se joelhos diante da Sra. Weasley. -Chocolates? - ela perguntou, sem entender. - De onde você tirou isso? -Eu preciso que você me ajude - ele pediu, se cabeça baixa. - Ou Hermione não vai mais falar comigo... A Sra. Weasley observou o filho. -Mas assim, de uma hora para outra? -Eu já tentei, mãe! - ele exclamou. - Mas nada deu certo! Ela sacudiu a cabeça. -Se você não consegue fazer sozinho, não adianta... - ela falou, tão logo ele terminou a história. - Hermione vai fazer se você não tiver feito isso sozinho, meu querido. Tente mais uma vez, sim? No dia da devolução, era hora do almoço quando Ron entrou no prédio do Ministério da Magia... Segurando um vaso de flores. Mais alto do que o ranger do elevador era a palpitação que ele começou a sentir conforme subia os andares. Maldição! Ele não podia ter um ataque agora! Saiu zunindo do elevador e virou num corredor. Os cubículos ficaram na virada à esquerda... Um grito e tudo foi pro chão; Ron, flores... e Hermione. -Ron! - ela disse, ruborizando de imediato. - O que você está fazendo aqui? Ron coçou a cabeça, voltou-se para o buquê esparramado... Eram margaridas tão caras, pensou consigo mesmo. Já não ia almoçar por causa delas, na esperança de que Hermione o perdoasse, e agora ele conseguia pisar na abóbora de novo... Genial, Weasley! Hermione, sentada no chão do corredor ainda, pegou uma flor, visivelmente penalisada com o extravio do presente. -Eu... - Ron começou. Pare de se apavorar e faça alguma coisa. OK, Harry!, Ron pensou, talvez com entusiasmo demais. Eu vou fazer! -Eu vim pedir desculpas - falou ele apressadamente, precipitando-se diante dela e forçando Hermione a se encolher, ainda segurando a flor. - E como eu sou um inútil que nem mesmo consegue fazer chocolates direito, e a sua colega Yana-não-sei-o-quê me disse que eu tinha que retribuir, eu comprei... As flores. Hermione tinha os olhos muito abertos, chocada com a atitude dele. -Então não brigue mais comigo - ela falou, apenas. -Não vou. - ele falou, com a respiração acelerada, e encarando-a com a expressão chocada e a flor nas mãos. Inclinou-se, segurou as mãos dela junto com a margarida e observou, deliciado, enquanto Hermione fechava os olhos. Um beijo para honrar uma nova tradição de outra família Weasley a se formar... FIM |