NADA IMPORTA
por Gih Hillinger

Nada realmente importa. Amor é tudo o que precisamos.

Ship: Rodolphus Lestrange e Bellatrix Black Lestrange | Orientação: Hétero | Classificação: Livre | Gênero: Romance | Spoilers: 4 | Formato: ShortFic | Capítulos: 1 | Status: Completa | Idioma: Português | Observação: Universo Alternativo | Publicada em: 28/09/2008 | Atualizada em: 28/09/2008

Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos.


Ela acordou com o ruído do globo atmosférico, como sempre. Na verdade, desde que se lembra, mas depois de ocupar o trono do planeta Blek parecia que o ruído aumentara. Ainda era muito cedo, Heron ainda nem aparecia naquele céu violeta, mas ela não sentia mais sono. Levantou-se da cama octogonal e calçou os tamancos com pressa. Mais um dia.

E aquele dia parecia que se arrastaria por mais de suas costumeiras 32 horas. Era um dia solene até, em que, gentilmente, cederia um espaço na cama para o Inominável do planeta vizinho. Mal o conhecia, mas sabia que a partir daquela data, todos os seus sonhos em ser uma blekiana comum iriam por fossa a baixo.

Olhou pela janela, e avistou uma motonave sobrevoando. Abriu a janela e sorriu ao ver aquelas feições que amava. “Precisava falar com você antes de…”, disse Sirius com a voz rouca. “Entre, também preciso lhe falar”, ela respondeu.

Assim que ele entrou, enlaçou Bel num caloroso beijo, o último dos últimos. As peles se tocando fê-la despertar do perigo que corriam. “Hoje eu me tornarei consorte do Inominável do planeta Groom”, disse olhando para as botas do amante. “Não que eu queira”, acrescentou rapidamente. “Eu te amo”, Sirius murmurou antes de abraça-la novamente, e sair se desgarrando de tudo pela janela, com sua motonave.

Bateram à porta, ela destrancou e deparou-se com seu serviçal, Kea. Ele sorriu, mas ela não, dirigiu-se ao closet para encontrar uma roupa adequada para a ocasião. Escolheu um vestido preto e vermelho, o cabelo num coque-trança, a maquiagem costumeira. O diferente, talvez, era a maior indiferença desde que começou a reinar.

Com um sorriso congelado recebeu os pais de seu noivo, com quem foi almoçar ao lado dos próprios pais. Enquanto comia, podia ouvir o ruído dos globos se chocando, céu e terra. Maldita invenção. O ruído era na verdade inaudível, mas um amplificador fora instalado para avisar aos blekianos que seu planeta não estava normal.

Um par de olhos brancos também não ajudavam. Secavam-na o máximo que podiam, sentados pouco distantes daqueles vermelhos. E não só os olhos brancos, como o homem todo a quem pertenciam. O famoso Inominável de Groom, que atendia por Rolf Strange; 19 anos groominos, 21 anos blekianos. Os cabelos pretos contrastavam com seus olhos, que combinavam com sua roupa, uniforme de astronauta condecorado.

No outro lado da mesa, Bel estava se sentindo incômoda. Era diferente dele, os cabelos eram pretos, mas seus olhos vermelhos, a boca em tom azulado, era astronauta também, mas se sentia presa naquela roupa de Inominável. Mal se sentia capaz aos 19 anos, ou 17 anos groominos. E seus sentimentos eram todos de Sirius.

Conheceu-o aos 18 anos, numa missão, enquanto não governava. Foi seu chefe, era experiente. Deixou em sua bolha duas filhas pequenas e a mulher. Ah, pobre; ela se acidentou numa missão em Gota, ficou inválida. Desde então, se tornou agressiva, e os sentimentos de Sirius encontraram novo lar em Bel. Viraram amantes logo. Nem a diferença de 14 anos os impediu. Se pertenciam para todo o sempre, sabiam.

O jantar acabou rápido, e sem cerimônias ou palavras, o Inominável pegou Bel pela mão e a levou até a escada. “Quer fazer isso rápido?”, ele perguntou rouco. Ela não sabia o que responder, pela primeira vez, estava confusa. Se pudesse, seria toda de Sirius, mas não podia, nunca. O sofrimento de saber que seu planeta estava se destruindo, o sofrimento de não poder contar à população, tudo isso já era suficiente. O melhor era mesmo se juntar a Strange e usar a potência de Groom para salvar a todos.

Não respondeu. Olhou no fundo de seus olhos e subiu o primeiro degrau. Assim que chegaram na porta, Rolf pôs suas mãos nos ombros de Bel, que se sentiu tonta, fraca. Abriu a porta, sentaram-se na cama octogonal, de frente um ao outro. Ele foi se aproximando, tocou-lhe os lábios; ela sentiu o gosto dele, e não era tão mau.

Nunca tinha feito aquilo, sabia o que viria a seguir. Para seres superiores como os blekianos e os groominos, cópula era apenas para a reprodução, e nada mais. Depois daquele momento, sabia que em seu ventre um ser híbrido surgiria, provavelmente para governar os dois maior planetas, um em ascensão e outro em declínio. Mas como seria?Quando tudo acabou, ela se sentou novamente na cama, cobrindo o corpo nu com a capa do agora consorte. Sua consciência berrava de asco, mas sua cerne gargalhava. Sentia-se bem, melhor que nunca, o ventre estava morno, podia sentir algo se formando. Em quatro ou cinco meses um novo ser completaria a família.

E Sirius? Tinha sua família para cuidar, fora fraco, fora franco. Era apenas um guardião, ela era a rainha. O amor impossível que ela prendeu numa garrafa, trancou num baú e jogou num buraco negro. Agora cumpriria suas funções.


No outro dia, já embarcou para Groom, ser recebida pela população. Lá, todos estava muito felizes, era uma rainha de beleza e exótica, e mais que isso, era a única dona dos sentimentos de seu Inominável. Sentou-se no trono de prata, suspirando. Não pensava em seu planeta, não pensava em seu povo, nem em sua família. Só pensava naquele ser em sua barriga, como nasceria?

Quatro meses se passaram muito devagar sem ninguém por perto. Mal podia dormir sem o ruído de Blek, sem o chato Kea… sem as escapadelas com Sirius. Então seu filho nasceu. Um pouco de dor, de esforço, e uma menina surgiu. Seus cabelos pretos, suas formas perfeitas, Bel pensou que estava tudo bem, mas não. Sua filha tinha um olho de cada cor.Por que eclodiram uma guerra galáctica justo agora? Por que seu marido teria que lutar também? Por que Groom e Blek fizeram uma aliança? Por que Sirius também lutaria? Ficaria sozinha com aquela aberaçãozinha presa ao seu peito, sem parentes, sem seus homens.


Estava no bosque do palácio. Colhia frutos dourados que não conhecia para alimentar sua ferinha. Alguém veio correndo até ela, parou e disse “O Inominável está trazendo alguns guardiões de Blek, chegarão em breve”. Os frutos caíram no chão.

No tempo em que viveu com Rolf se afeiçoou a ele. Começou a sentir por ele o que sentia por Sirius. Estava de volta, seria pra sempre? Olhou para o céu aflita, queria seu marido de volta, ao seu lado, para lhe dizer que o amava, pela primeira vez.

Uma nave pousou na porta do palácio, onde muitos funcionários pararam para ver. Saíram de lá homens e mulheres feridos, aplaudidos. E por fim, saíram o Inominável e um blekiano a seu lado, os dois apoiados. Era Sirius.

“Ele salvou seu planeta”, disse Rolf abraçando Bel. “Sua população estará se mudando em breve, são poucos blekianos para bastante Groom”. Então ela se soltou. “Não, aqui não é nosso planeta!” “Sim, mas Blek não durará muito mais. É hora de se salvar”. Bel então olhou para o lado e seus olhos vermelhos encontraram os vermelhos de Sirius. Teria que viver com ele por perto novamente.

Mais um jantar de gala, juntando monarcas, festejando a vitória. Pelo menos tinha sua família por perto, Kea, e seu marido estava de volta. Encheu-o de beijos quando estava se arrumando, e disse-lhe “Eu te amo, Rolf”. O Inominável, em choque, abraçou a esposa com força, encheu-a de beijos também e respondeu “Eu te amo, minha rainha”. Naquela hora, viu que sua ferinha já não era tão ferinha.


Bel Strange despertou naquela cama macia, a janela estava aberta, mas com a cortina translúcida, viu uma sombra de homem. Levantou-se sem pressa, atravessou a cortina e jogou-se no homem. Mas era Sirius, não Rolf.

“O quê…?!”, ela berrou. Ele só sorriu e observou sua imagem confusa. “Seu marido me confiou sua segurança. No momento, está brincando com seu pequeno monstrinho no bosque”. Bel se sentiu um pouco incomodada; tudo bem que blekianos desprezavam muitos híbridos, mas aquele era sua filha! “Quer me proteger invadindo o meu quarto?”, ela perguntou agressiva. Agressivo também foi o beijo que ele roubou dela. “Continuo te amando, Bel. E para sempre”. Ela o empurrou e cruzou os braços. “A recíproca não é verdadeira. Ponha-se daqui para fora, agora”.

Quando ele se foi, não sentiu remorso. Sentiu que estava realmente mudada, e queria sinceramente que Sirius voltasse com a esposa. Antes, era egoísta. Descobriu que algumas coisas acabam para outras começarem.

Desceu até o bosque e encontrou o marido e o filho. “Rolf”, ela o chamou. Sentou-se a seu lado e resolveu na conter suas palavras. “Nada realmente importa. Amor é tudo o que precisamos. Tudo o que eu te dou, tudo voltará para mim”. “Uau, posso saber de onde surgiu tanta inspiração?”. Vou ser sincera, ela refletiu. “Eu fui amante de Sirius. Era muito nova e nada importava para mim, só que eu fosse feliz. Eu era única. Agora que eu amadureci, tudo mudou. Nunca serei a mesma, porque eu te amo”.

Rolf suspirou meio perplexo. “Olhe para minha vida”, ela recomeçou. “É muito óbvio para mim. Eu vivi de modo tão egoísta…” “Chega”, ele pediu. “Nada apaga o passado como o futuro. Nada some com a escuridão como a luz. Você está protegida comigo”. Então a filha deles apareceu. “Bel, precisamos dar um nome a ela”.

A vida era tão boa quando a única preocupação era essa! Sirius fora dispensado dos seus serviços, continuava morar com a mulher e as filhas, mas parecia ainda amar a rainha. O que, para ela, era completamente dispensável. Blek se desfez totalmente em pouco tempo, mas sua reduzida população estava a salvo em Groom.

Heron iluminava o céu lilás de Groom quando Bel acordou inspirada. Sua filha era a hibrida mais maravilhosa de todas. “Vou chamá-la de Mira”. “Parece perfeito”, respondeu o marido, e voltaram a dormir tranqüilos.

FIM


N/A: Não me matem, tá? Eu sei que ficou tosquinha, mas eu tiiiinha que fazer algo baseado na música/clipe Nohting Really Matters da Madonna... Comentem que eu melhoro! ;*