Fic

LEMBRANÇAS DE UMA FLOR
por Aldara Evans Potter


Lily está prestes a se casar com James, mas lembranças de um outro moreno não param de lhe atormentar a mente. Será que suas dúvidas voltarão a fazer parte dos seus pensamentos? E tudo por causa de uma simples flor.

Ship: Sirius Black e Lily Potter | Classificação: NC17 | Gênero: Romance/Drama | Spoilers: 7 | Capítulos: 1 | Status: Completa | Idioma: Português | Observação: Marotos | Publicada em: 07/10/2007 | Atualizada em: 07/10/2007

Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos.




A noite estava calma. O vento quase não soprava, apesar de o Verão estar quase no seu fim. A mão fina e delicada dedilhava o vapor do sopro na janela. Olhou calma para o céu. Ia haver uma tempestade aquela noite. Uma tempestade igual à que houvera na noite em que tudo acontecera.

Flashes de lembranças passaram-lhe pela memória. Sorrisos… murmúrios… um riso suave… lágrimas… ela pensava em tudo de olhos fechados… quando abriu os olhos verdes, estes fitaram o horizonte. O escuro. O vazio. Reparou no que tinha escrito na janela… Six … com um movimento rápido e brusco, passou a mão pelo vidro e foi até perto da cama, onde se sentou.

Porque pensava nele? Porque o nome do homem com quem ia casar daí a algumas horas não lhe aparecia, estampado, profundo como uma cicatriz, na sua mente?

Suspirou. Olhou placidamente para o vestido branco que repousava, intacto, no manequim. Um vestido simples, singelo, puro. Puro . Como ela queria ser. Como seu futuro marido pensava que era… mas como mostrar a realidade? Que a menina que todos pensavam que fosse era, na verdade, uma mulher, com desejos, paixão, luxúria… a mulher que ele fazia despertar apenas com um simples toque…

Um arrepio intenso percorreu-lhe a pele. Seus pelos eriçaram-se. Um suspiro silencioso ecoou pelo quarto. Porque tudo não era mais fácil?

Apertou o robe mais contra o corpo. O quarto ainda estava quente, as brasas na lareira ainda tinham aquela luz de calor, mas ela sentia frio. Um frio esquisito. Um frio conhecido. Um frio que ela queria que desaparecesse, tal como as lembranças.

Lembranças…

Abriu a primeira gaveta da escrivaninha. Tirou um pequeno baú. Abriu, rodando a pequena chave que trazia no pescoço. De dentro dele retirou algumas cartas… pergaminhos… fitas de seda… pétalas secas… uma fotografia…

Aquela fotografia… era apenas uma lembrança de um dia de Inverno… ela, James, Remus, Marlene, Dorcas… e ele… Sirius… o vento fazia seus cabelos balançarem… ao mesmo ritmo do seu… James e ele abraçavam-na. Mas enquanto o primeiro o fazia de uma forma protectora, ele fazia-o de uma forma possessiva… da mesma maneira que a olhava.

Flashback

- James, não! Não vou tirar uma fotografia convosco! Eu não gosto de tirar fotografias!

Uma jovem ruiva, de braços cruzados, olhos verdes, uniforme Gryffindor, falava com um rapaz alto, moreno, cabelos pretos, óculos.

- Lils! Vá lá! Só uma! É para ficar de recordação! É o nosso último ano em Hogwarts!

- Sim, Lily! – uma loira, Marlene, puxava seu braço – Vá, ficas entre mim e o Six!

Lily revirou os olhos e lá se posicionou, com James de um lado e do outro, Sirius. James sorria como um tolo, murmurando frases românticas no seu ouvido, fazendo-a rir. Sentia-se feliz. Finalmente, tinham-se acertado. Um namoro que deixara todos felizes. Bem, maior parte…

Olhou para o lado. O seu olhar cruzou-se com o de Sirius. Verde contra azul. Um brilho estranho passou pelos olhos dele. E um sorriso ladino formou-se nos seus lábios. Um sorriso diferente. Mirou-a de cima a baixo, o que a fez corar como uma menina pequena.

Sirius inclinou-se ligeiramente, sussurrando algo no seu ouvido. Algo que só ela ouviu. E que nunca iria esquecer.

- Estás linda hoje. Incrivelmente… apetecível…

E abraçou-a. Sua mão fixou-se na cintura dela, apertando-a contra si. Num gesto de possessão.

- Olha o passarinho! – gritou Peter, numa voz esganiçada.

E, enquanto todos sorriam para a câmara, Lily e Sirius trocaram um novo olhar… ela olhou para a frente novamente, completamente corada e ele… ele sorriu… como se tivesse ganho algo importante…

Fim do Flashback

Um sentimento de culpa apoderou-se dela. Culpa por não ter resistido àquele olhar… culpa por não ter conseguido ser forte o suficiente para dizer “não”… culpa por não sentir nenhum tipo de arrependimento… nem um bocadinho… nada… e aquela fotografia vinha afirmar isso…

Atirou a foto para o chão, levou as mãos ao rosto… porquê? Não estava certo… amava um homem, mas desejava outro… aquela culpa tomava cada vez mais conta de si… “ignora-a”, murmurava uma voz na sua cabeça, “ignora-a… ou não vais conseguir viver em paz”…

Voltou a caminhar até à janela. A noite encontrava-se agora sem estrelas, devido às nuvens enormes que povoavam o céu. A lua mal se via. Lua cheia. Imaginava que os dois homens da sua vida estariam com Remus. Só de pensar que este poderia magoá-lo… ele… ele, sempre ele! Raios! Ela deveria pensar no bem-estar de James, não de Sirius!

Levou a mão à nuca. E voltou a encaminhar-se para o lugar da cama. Mas não se sentou. Ficou a encarar a estante, povoada de livros. Sorriu. Como é que consegues ser tão organizada? , perguntara-lhe ele uma vez. E tu, como consegues ser tão desleixado? Nunca consegues organizar nada! Aposto que, contigo, é tudo ao molho e fé em Deus! Nada sai perfeito! ; Há uma coisa que sai sempre perfeita, Lils… ; O que? . E ele sorriu. Aquele sorriso malicioso e pervertido, que só ele conseguia dar, por vezes. E ela sentiu-se corar novamente, apenas pela lembrança dessa conversa.

Passou os dedos pelas lombadas dos livros. Livros recentes, livros antigos… livros muggle, livros bruxos… de tudo um pouco… parou num deles… um dos livros mais antigos. Tirou-o da estante. Desfolhou-o. Numa das páginas, encontrou um pergaminho amarrotado. Leu-o.

Desculpa-me.

Não foi minha intenção.

Vem ter comigo à Torre de Astronomia.

Quero esclarecer tudo.

S.B.

Lembrava-se de tudo como se tivesse sido hoje… aquele dia… aquele beijo… a noite… a Torre… onde tudo começou…

Flashback

A sala de Poções começava a esvaziar-se. Todos os alunos pertencentes à casa dos leões arrumavam as suas coisas, apressados. Uma ruiva distraída fazia o mesmo, sem se aperceber do que a rodeava. Apenas sentia uma presença sobre si. Devia ser o seu namorado, pensou. Sorriu e levantou a cabeça. Mas quem a olhava era outro moreno.

- Sirius… o Jay já saiu?

A voz começou a sair-lhe trémula. Não soube dizer porque, mas a maneira como ele a olhava fazia-a sentir-se despida na sua frente.

- Acabou de sair. – a voz grossa do moreno fê-la arrepiar-se. Desviou o olhar e continuou a arrumar as coisas… quando sentiu uma mão sobre o seu braço.

- O que é que…

Não teve tempo para falar. Só sentiu uma pressão sobre seus lábios e uns braços masculinos envolverem-na num abraço apertado. A intensidade do beijo foi aumentando e ela correspondia instintivamente. Não pensava em nada, apenas sentia.

Da mesma maneira que começou, Sirius terminou o beijo, mas não o abraço. Lily sentia-se bem, mas ao mesmo tempo pensava em como era injusto aquilo estar a acontecer com James.

Soltou-se bruscamente do moreno à sua frente e pegou nas suas coisas, correndo desesperada pelos corredores, ouvindo uma voz que a chamava, muito distante.

O tecto do dormitório era um pedaço muito interessante da divisão. Milhares de perguntas passavam pela sua mente. E se James descobrisse? E se Sirius e ele brigassem? E se se chateassem? E porque é que ela tinha gostado do beijo? E o mais desesperante é que todas elas não tinham resposta.

Sentia um barulho distante nos seus ouvidos. Toc toc toc . Só alguns minutos depois deu conta que era uma coruja de penas negras e farfalhudas que bicava o vidro da sua janela. Abriu e retirou o pequeno pedaço de pergaminho amarrado na pata do animal. Leu. Fechou os olhos, largou o papel no chão e desabou sentada em cima da cama. A sua vida estava a dar voltas surpreendentes.

Lily caminhava pelos corredores sombrios de Hogwarts. Tentava passar despercebida, por entre as sombras, por entre as estátuas e armaduras. Não queria ser vista. Não queria que James soubesse. Mas… porquê? Não ia fazer nada de mais… pois não?

Subiu as escadas, temerosa. Entrou na Torre. Ele já lá estava. Debruçado no parapeito, cabelos rebeldes, ao vento. O olhar perdia-se na noite, chuvosa, tempestuosa. Como os seus olhos.

- Six…

Falou num murmúrio, mas foi o suficiente para ele sair do transe em que se encontrava e encará-la. Abriu um sorriso enorme.

- Vieste…

Caminhou para ela, mas ela recuou.

- Não, Sirius. Não.

Ele parou.

- Lils, eu… desculpa, eu… eu não devia ter-te beijado…

- Pois não, Sirius. – ela voltou-se para a parede – Raios, Sirius! Eu sou a namorada do teu melhor amigo!

- Eu sei.

- Tu devias ter consideração por ele! – a ruiva falou, irritada, mas trémula.

- Eu sei.

- E por mim!

- Eu sei.

- E também… – mas não conseguiu continuar. Os braços dele envolveram-na num abraço caloroso. Um abraço que fez as suas pernas começarem a tremer, perdendo as forças. Que a fez arrepiar-se. Um arrepio que começou na nuca, onde a respiração quente dele se concentrava, e se espalhou pelo corpo inteiro dela.

- Desculpa, Lilith…

Só ele a chamava assim. Não sabia o porquê, mas só ele dizia aquele nome de um jeito especial.

- Sirius…

Ele virou-a para si. Os seus olhares encontraram-se. Os seus lábios roçavam um no outro. As suas respirações misturavam-se. Morango com menta.

- Lil… eu… eu não consigo… não consigo estar perto de ti e não te tocar… – os seus dedos acariciaram o rosto dela, que fechou os olhos – não poder dizer-te o que sinto todos os dias… não poder beijar-te… como se fosses minha…

- Sirius… eu… não posso… eu… eu estou com o James… – a voz dela saiu menos segura do que ela queria.

- Eu também sei disso.

A mão que ele mantinha na cintura dela fez com que ele conseguisse puxá-la mais para si.

- Si… – mas, mais uma vez, não conseguiu continuar. A maciez dos lábios dele fizeram-na quase perder os sentidos. Sentia-se embriagada, como se tivesse bebido algum tipo de álcool.

Quando soltaram seus lábios, Sirius não a afastou de si. Inspirou o perfume dela, em seu pescoço, o que a fez soltar um ligeiro gemido involuntário.

- Six…

- Shii… não digas nada… nada…

E ela não disse mais nada. O colar de lábios calou qualquer palavra que pudesse ser pronunciada.

Fim de Flashback

Fechou o livro com violência e atirou-o pra cima da cama, com brusquidão. Tudo, tudo na sua vida, remetia a ele. Sirius Black. Maldito! Como queria tirá-lo da memória! Como queria deixar de lembrar todos os beijos, todos os toques, tudo…

Lily não sabia mais o que fazer. Quantas vezes James a beijara e ela desejara que fosse ele Quantas vezes a tocara e ela preferira que fossem as mãos dele. E, mesmo agora, quisera que fosse Sirius quem a tivesse pedido em casamento e esperasse por si no altar, em menos de doze horas…

Um grito surdo saiu pela sua garganta. Queria desaparecer, desistir do casamento, fugir, esconder-se. Mas como? Se por um lado, desejava Sirius, queria sentir o prazer que ele lhe proporcionava por todas as noites, era James quem amava. James, com o seu lado criança, um rapazinho no corpo de um homem, mas que também era responsável, meigo, carinhoso, fiel… principalmente, fiel…

Abriu outro livro que tirara da estante. Neste, uma simples orquídea seca repousava por entre as páginas. Ainda permanecia com o mesmo perfume. Tinha-lhe sido oferecida por James, mas fora Sirius quem a escolhera, pois só ele sabia quais as suas flores preferidas: orquídeas. Uma mesma flor, dada por dois homens. Uma mesma flor, assim como ela mesma, dividida entre dois homens. Suspirou de novo. E, mais uma vez, fechou o livro e atirou-o para cima da cama. Estava a ser uma noite impossível de passar.

Abriu a sua mala e tirou de lá um maço de cigarros. James detestava que fumasse, enquanto Sirius afirmava que lhe dava um ar sexy . Tanto lhe dava. Estava nervosa, e isso fazia-a acalmar-se. Deu um trago. E expirou o fumo. Ah… que sensação… sentou-se na cama novamente e cruzou as pernas. Se ele a visse agora… caramba, Lily, pára de pensar nele!, ordenou-se mentalmente. Levantou-se novamente e caminhou pelo quarto, às voltas.

Enquanto isso, os dedos reviraram o anel que tinha na mesma mão. Olhou-o. Era o anel de compromisso que James lhe havia dado. E, mais uma vez, fora Sirius quem o escolhera. Mirou-o. Era simples, de ouro branco, com uma pedra, um diamante. Não aguentava mais. Até um simples anel, ou uma simples flor, lhe remetia para ele. Estava a ser angustiante. Caramba, ia casar dali a poucas horas! Não podia fazer isso com James, não podia…

A chuva começara a cair. As gotas grossas batiam na janela, fazendo ressoar aquele som tão característico. O que a remeteu para mais uma lembrança. Uma mais que a atormentava…

Flashback

Era a noite do baile. As jovens do dormitório do sétimo ano preparavam-se para o evento. Lily ia com James, Dorcas com Remus, Marlene com Sirius. A ruiva estava radiante por Marlene ir com Sirius, mas… algo no seu íntimo lhe afirmava que era ela quem deveria estar no seu lugar.

As três desceram as escadarias em simultâneo. Os seus pares esperavam-nas, os três muito elegantes e sóbrios.

James ofereceu a sua mão à namorada, que aceitou. Enquanto este lha beijava, ela sentiu o olhar de Sirius sobre si e procurou-o. Quando cruzaram os olhares, a intensidade com que ele a olhava fê-la sentir-se queimar. Um rubor assomou-lhe à face.

- Vamos, James. – foi só o que conseguiu murmurar.

A noite estava maravilhosa, menos para Lily. Por mais que tentasse divertir-se, o seu olhar procurava incessantemente por Sirius, mas sem sucesso. Deveria estar a divertir-se com Marlene, com certeza. Mais uma vez, aquele apertozinho no íntimo.

As palavras que James dizia entravam-lhe por um ouvido e saíam pelo outro. Era como se se propagassem pelo vazio. Os seus olhos continuavam à procura de algum vestígio da presença do outro moreno, mas nada. Marlene sortuda, pensou.

Quando deu conta, James olhava-a, estático na sua frente.

- Podes trazer-me algo para beber? – ela murmurou, com aquele sorriso que sabia fazê-lo derreter-se. James sorriu e assentiu, saindo após ela se sentar.

Quando viu o namorado desaparecer no meio da multidão, Lily soltou um suspiro. Precisava organizar as ideias, os pensamentos, os sentimentos… o que não estava a ser nada fácil.

Levantou-se. Decidiu que não iria mais procurar Sirius, nem sequer mais pensar nele. “Pelo menos esta noite”, pensou. Dirigiu-se ao lugarzinho das bebidas. Mas, o que viu no caminho, deixou-a paralisada.

- James… – ela sussurrou. O seu namorado estava enrolado com uma miúda qualquer. Uma morena Hufflepuff. Sorriu. Continuou o seu caminho e pediu:

- Um Firewhiskey. Duplo. E sim, sou uma bruxa adulta. – ela falou, perante a expressão do rapazinho das bebidas.

Engoliu tudo de uma vez só. O calor que sentiu quando o líquido desceu pela garganta fê-la sentir-se bem melhor.

- Outro.

E novamente, tudo de uma só vez. Já não queria saber nem de James, nem de Sirius, nem de porcaria de festa nenhuma. Sentia-se relaxada. Agora entendia porque é que os rapazes ficavam bêbados numa festa.

Começou a rir-se sozinha. E não notou que alguém se aproximava.

- Lils…

- Ah! James! Que coincidência encontrar-te aqui! – ela falou, um pouco alto e riu-se, o que chamou a atenção de algumas pessoas.

- Não achas que estás a exagerar? Tu não aguentas muito a bebida e…

- Eu faço o que eu quiser. Não és meu pai. Não és meu namorado… oops… afinal és! – e soltou uma gargalhada, bebendo mais um pouco.

- Lily… – James fez questão de lhe tirar o copo das mãos, mas ela esquivou-se.

- Hum hum! – ela moveu o dedo em sinal de negação – Na minha bebida ninguém toca! Ninguém, ouviste?

- Lily Evans! Pára! Estás bêbada! – ele sussurrou, perto dela.

Lily soltou mais uma gargalhada.

- Não te preocupes, rapazinho. Volta lá pra tua morena e deixa-me sossegadinha. Eu e o meu copinho. Ok?

James estacou.

- Lil, tu entendeste mal. Ela é que…

- Bla bla bla… ela isto… ela aquilo… são sempre as mulheres que se atiram a ti, não é? Claro, porque o nosso camarada Potter – deu-lhe uma palmada nas costas – é um santo! Olé!

E voltou a gargalhar. Nesse momento, quase todo o baile tinha os olhos fixos no casal.

- Amor… – ele sussurrou, mas assustou-se logo em seguida.

- NÃO ME CHAMES DE AMOR! VAI CHAMAR AMOR À VACA QUE ESTAVAS ENROLADO!

James pegou-lhe no braço.

- Lily!

- LARGA-ME! Ou queres que todos saibam que tu és um brutamontes que só controla a namorada à base de pancadaria?

E subiu pra cima do banco.

- HEY PESSOAL! NOVIDADE FRESQUINHA AQUI EM HOGWARTS! – nesse momento, apareceram Sirius e Marlene – Oh! Olha quem chegou! Só faltava mais esta para completar a festa!

- Lils, sai daí! – Sirius falou, com voz calma, mas algo autoritária.

- Eu faço o que eu quiser. Não és meu pai. Não és meu namorado… Uou… esta cena… está… a parecer-me familiar… – Lily levou a mão à testa, deixando cair o copo, que foi parado no ar por Marlene.

Sirius pegou nela e colocou-a ao ombro.

- Larga-me! Deixa-me!

- Não adianta espernear. – ele deu-lhe uma palmada – Fica quieta.

Murmurou a James que ia falar com ela, deixá-la tomar ar e foi isso que fez. Mal chegou perto do Lago, colocou-a no chão.

- Assim. Satisfeita?

- Estúpido! Idiota! – ela aproximou-se dele e bateu-lhe no braço – Tu devias ter-me deixado lá dentro! Parvalhão!

Começou a bater-lhe no peito, mas sem muito efeito.

- Odeio-te! Odeio-te! ODEIO-TE! – mas o abraço que ele lhe deu fê-la desabar num choro inconsequente, coberto de soluços intermitentes.

- Shii… está tudo bem agora…

- Ele… ele… ele traiu-me, Six… aquele… aquele… – e voltou a chorar.

- Shii… já passou… – ele pegou no queixo dela e levantou-o – Então? Não quero ver a menina mais linda desta festa com um rostinho marcado por lágrimas, não é?

- Pensei que, para ti, a menina mais linda da festa era a McKinnon. – Lily alfinetou. Mas ele apenas sorriu maliciosamente.

- Ciúmes, cara ruiva?

- Ora, seu… – mas, mais uma vez, não terminou. Sentiu novamente aquele sabor a menta… tão intenso… tão inebriante… o beijo foi-se tornando mais profundo, quase selvagem. Prensou-a contra a árvore que os escondia dos olhares mais indiscretos e quando deram por si, Sirius já não tinha a camisa e Lily tinha o vestido levantado até quase à cintura.

- Six… não…

Pararam. Ambos ofegantes. Ele, com marcas de baton vermelho por todo o rosto. Ela, com os cabelos desalinhados e o vestido negro amarrotado.

- Lilith… – ele puxou-a para si, antes de sussurrar o seu nome daquela maneira. Lily arrepiou-se inteiramente e afastou-se.

- Até amanhã, Six…

E quando ele deixou de a ver, desabou no chão, e suspirou, pensando no quanto ela estava parecida com a sua prima Bellatrix, naquela noite… não apenas pelo vestido negro ou pelo olhar fatal… não… mas pela maneira como ela o deixou… desamparado, inquieto, indefeso…

E, entretanto, a chuva começou a cair. Uma chuva forte, brusca.

- Óptimo. Um pouco de chuva para acalmar… as ideias… – ele murmurou, pegando na camisa e indo em direcção ao castelo.

Fim do Flashback

Aquele cigarro não estava a ser o suficiente para acalmá-la. Olhava novamente pela janela. A chuva tinha aumentado de intensidade. A tempestade que ela tinha previsto estava, realmente, a acontecer.

Apagou o cigarro no cinzeiro que estava em cima do parapeito. Levou a mão aos cabelos, passando-a por eles. Merlin queira que esteja tudo bem com ele… eles… raios! Era mais forte que ela.

Um trovão aclarou os céus, o que a fez sobressaltar-se. O barulho só se ouviu alguns segundos mais tarde. Fechou as cortinas. Chega de olhar lá pra fora. Ele não vai aparecer esta noite… esta noite, não.

Alguns passos e ficou parada em frente à escrivaninha. Percorreu-a com o olhar… e deteve-se num objecto em particular. Uma bola de vidro. Com uma ninfa ruiva de olhos verdes. Agitou-o. Pequenas partículas de alguma coisa… não sabia dizer o quê… ficavam em suspensão na água…

Fora ele que lhe dera. Ele, numa noite igual a esta… numa noite de tempestade…

Flashback

A chuva começara a cair naquela mesma noite. Uma chuvinha impiedosa, que não fazia estragos, mas que se tornava incomodativa. Lily esperava-o, no quarto do hotelzinho onde tinham combinado se encontrar. Mas ele não chegava mais. Meia-noite… Uma… Duas…

Quatro da manhã e uma batida na porta. Uma batida leve seguida de duas mais fortes. Era ele. Lily precipitou-se para a porta. Abriu-a. E o sorriso que viu fê-la esquecer-se de todas as preocupações e da vontade de gritar, barafustar, discutir.

Beijou-a. Um beijo urgente, saudoso. Agarrava-a contra si, com força, como se a sua vida dependesse disso.

- Six… – ela afastou-o. Inspirou fundo e começou a rir-se. Não soube porquê, mas riu. Riu com gosto.

Ele sorriu. Tirou uma caixinha do bolso. E entregou-lha.

- Abre.

Ela assim o fez. Curiosa como era, não conseguiria aguentar. Era uma caixa preta, de veludo preto, tal como o seu interior. Lá dentro, uma pequena bola de vidro, com algo brilhante, repousava, singela. Uma linda ninfa, com trejeitos de bailarina, encantava quem a olhasse.

- É linda… é ruiva!

- E tem olhos verdes! – ele exclamou, sorrindo, encantado com a expressão dela – Vi-a e tive de comprá-la.

Ela sorriu, maravilhada. E beijou-o em resposta.

- Onde estiveste? – ela sussurrou, entre mãos curiosas que tocavam seus corpos.

- Por aí. Com o teu namorado.

Uma frase que poderia significar muito mas que, naquele momento, não significou nada… as suas mentes, os seus corpos estavam sincronizados noutro tipo de harmonia. Que durou até de manhã.

No dia seguinte, a chuva continuou a cair. De uma maneira menos intensa mas, ainda assim, era incómoda. James havia convidado Sirius e Marlene para um jantar, bem como Remus, Dorcas e Peter. Era um daqueles jantares de convívio, entre amigos de longa data.

Durante o jantar, Marlene havia murmurado a Lily que queria contar-lhe uma novidade. Algo maravilhoso, na opinião dela. Assim foi. Quando terminaram, enquanto arrumavam a cozinha, as três mulheres conversavam.

- Aconteceu! – exclamou a loira, excitadíssima. Dorcas deu um gritinho agudo e abraçou a amiga.

- Aconteceu? O que, exactamente? – inquiriu a ruiva, meio confusa.

- O Sirius.

Lily riu.

- O Sirius já acontece há, aproximadamente, 20 anos.

- Não, Lily. Não estás a entender. – Marlene chegou perto da amiga, com um brilho estranho no olhar – Ele… ele pediu-me para namorar com ele. E nós… nós fizemos amor!

Um baque surdo aconteceu dentro do peito de Lily. Não… não podia estar a acontecer… Sirius era seu! Somente seu! Nem aquela loira nem mulher nenhuma lho podia tirar!

- Como… quando… quando foi isso? – a ruiva perguntou, num murmúrio quase silencioso.

- Ontem. Ontem à noite.

Não era possível. Ele tinha passado a noite toda consigo, excepto…

Por aí. Com o teu namorado.

Ele mentira-lhe. Ele não havia estado com James. Ele tinha estado com outra! Ele dormira com as duas na mesma noite! Talvez até com mais.

- Lils… estás bem? Estás… pálida…

Ambas as jovens ampararam Lily, mesmo sem ela dar sinal que iria tombar.

- Sim… eu… parabéns Marlene…

E saiu da cozinha. Abriu a porta da rua e correu. Correu o mais rápido que as suas sandálias lhe permitiram. Não soube por quanto tempo o fez. Só deu conta quando parou à porta de um casebre antigo, que existia no meio do jardim enorme da mansão Potter.

Entrou. O meio onde se encontrava fazia lembrar um jardim interior, não uma casa. Tinha sido criado por James especialmente para ela. Arvores frondosas estendiam-se por milhares e milhares de quilómetros… flores das mais variadas cores e feitios… animais, selvagens ou não, vagueavam… e, mesmo no meio… um lindo baloiço, onde uma trepadeira florida entrelaçava seus ramos…

Sentou-se. Não queria pensar em mais nada. Não queria lembrar da conversa. Só queria que a dor que a consumia aos poucos desaparecesse.

Da mesma maneira que não soube como chegara ali, não ouviu os passos que se aproximavam, por detrás de si. Só sentiu umas mãos em seus ombros. As mesmas mãos que a haviam tocado tantas vezes, causando-lhe prazer, transmitiam-lhe agora desprezo.

- Larga-me.

- Lil… eu vi-te sair de casa… o que aconteceu…

Ela levantou-se, de repente.

- O que aconteceu? Diz-me tu o que aconteceu, Sirius!

- Não aconteceu nada. – os traços do rosto dele mantinham-se calmos.

- Ai não? – ela cruzou os braços e sorriu, irónica – Então desculpa-me.

- Lils…

- Sim… desculpa por não te ter felicitado pelo teu namoro com a McKinnon.

Os traços antes calmos do rosto dele, tornaram-se nesse instante duros, indecifráveis. Aparentava uma calma imensa, mas ela sabia que, no seu interior, tudo gritava.

- Obrigado, Lily. Mas não precisavas. – ela virou as costas – Ah, vá lá, Lilith, tu sabes que é de ti que eu gosto…

- Mas não me amas.

- Lilith…

- Tu mentiste-me.

- Li…

- Sai. Vai-te embora.

- É isso que queres, Lily? – ela não o via, mas sabia que olhava para o chão e passava as mãos no cabelo, nervoso.

- É.

Um suspiro.

- Adeus Lilith…

E saiu.

Fim do Flashback

Durante essa lembrança, Lily descera as escadas, com o mesmo objecto na mão. Tinha chegado à sala. Lembrar-se do ocorrido fez a raiva, o desespero, tomarem conta de si e arremessou a bola de vidro contra um espelho enorme, que era ostentado numa das paredes. Isso fez com que se quebrasse, fragmentando-se em várias partes.

- Que se lixem os sete anos de azar…

A escuridão nocturna não permitia que o reflexo fosse completamente nítido, mas dava para perceber os contornos da face de Lily, nas várias partes em que se quebrara o espelho. Parecia que aqueles fragmentos mostravam as várias divergências da sua própria alma.

- No que foi que te tornaste, Lily Evans…

Um novo trovão irrompeu nos céus. Desta vez a tempestade avisava que estava mesmo por cima da sua cabeça.

Mas o trovão não veio sozinho. Alguém batia à sua porta, desesperadamente. Dirigiu-se para a mesma. E, quando a abriu, estava na sua frente a pessoa que menos esperava.

- Six…

Estava encharcado. O cabelo pingava grossas gotas, devido à chuva. Alguns arranhões, hematomas, cortes…

- Não me convidas a entrar? – a voz era grossa, arrepiante. Apesar do seu aspecto e cansaço visível no olhar e expressão corporal, ainda conseguia sorrir. Assim o fez… convidou-o a entrar.

Não se sentaram. Permaneceram a encarar-se. Mais uma vez, verde contra cinza, como sempre fora.

- O Rem…

- Está bem. O James e o Peter estão com ele.

- E tu… – a voz dela não saia tão segura como ela queria que fosse.

- Eu precisava ver-te.

Lily virou as costas, mas colocou-se a uma distância segura. Não queria ser surpreendida por mais um abraço. Não sabia se ia ter forças para resistir.

- Não devias ter vindo.

- Lilith…

Não… não podia começar a chamá-la daquela maneira.

- Por favor, Sirius… é melhor ires. - insiste para ficar, por favor… , ela pensou, entretanto.

- Não, Lily. Não hoje.

A ruiva virou-se. Os olhos dele brilhavam estranhamente.

- Porque deixaste de me procurar?

- Pelo mesmo motivo que tu o fizeste. – ele falou, voz calma, mas nitidamente nervosa.

- Sabias que eu não te ia negar.

- Da mesma maneira que não o fizeste hoje, ainda agora há pouco?

Aquelas palavras doíam-lhe no coração, mas ela sabia que era a mais pura das verdades.

- Sirius…

- Six…

- O que? – ela olhou-o, timidamente.

- Chama-me como sempre o fizeste… Six…

E aproximou-se dela. Uma aproximação perigosa.

- Sirius…

Ele abraçou-a.

- Não digas mais nada, Lilith… dá-me só esta noite… apenas esta noite…

E beijou-a. Lily sabia que, a partir daquele beijo, não haveria mais volta. Então, decidiu que seria dele, apenas essa noite.

As suas mãos percorriam o corpo um do outro, sofregamente. Não souberam dizer como, mas deram por si no quarto dela. Respirações ofegantes, murmúrios, divagações, risos suaves… roupas pelo chão…

Sirius atirou os livros que encontrara em cima da cama para o chão… não reparou na orquídea que ficou descoberta, entre as páginas, mesmo ao lado da fotografia tirada há alguns anos atrás… naquele momento, nada mais interessava do que aquela mulher que se encontrava à sua frente.

A nudez tímida daquela ruiva tirava-o do sério. Era uma mulher extremamente sensual e nem tinha noção disso. As suas mãos passeavam pelo corpo dela, arrancando-lhe suspiros e gemidos quase inaudíveis.

- Preciso de ti, Lilith…

- Six…

O nome dele, dito naquele sussurro, naquele gemido, arrepiou-o completamente. Tinham estado assim mais vezes, mas parecia que aquela era a primeira.

Não demorou a consumar o acto. Enquanto se movimentava devagar, via o prazer estampado no olhar dela. Six… Lily…

Não sabia dizer porquê, mas estar com ela era diferente do que estar com todas as outras… com as outras, era somente sexo, satisfazia-se e acabava por ali. Com ela… com ela, ele queria sempre mais… precisava de senti-la, de ouvi-la, de saboreá-la, de tê-la…

Mas como tê-la? Ela não lhe pertencia, nem nunca poderia pertencer… eram de mundos diferentes… ela era um anjo… e ele… um simples demónio que vagueava por aí…

Os movimentos dele tornaram-se mais rápidos, mais intensos, bem como os gemidos dela, a maneira como o chamava, e não demoraram a atingir o clímax. Sirius desabou por cima dela. Beijou seu pescoço. E sussurrou no seu ouvido.

- Adoro-te.

Ela sorriu. E enroscou-se nele, numa noite que prometia durar até que eles conseguissem. Até um deles ser vencido pelo sono.

*

Lily despertou com o cantar dos pássaros na sua janela. Já não chovia e o céu estava azul, lindo, maravilhoso. Sorriu e murmurou:

- Sirius…

Quando se voltou, na cama, ele já não estava ali. Ela deu um pulo na cama. No lugar que devia pertencer à cabeça dele, estava uma carta e uma flor… uma orquídea…

Pegou na carta e, trémula, abriu-a.

Lilith…

Desculpa não ter ficado até tu acordares, mas… achei melhor assim. Como sabes, não gosto de despedidas. Se bem que não é uma despedida, mas sim um “até depois”…

Eu não deveria ter ido a tua casa esta noite, mas havia qualquer coisa que me dizia, cá dentro, que era necessário. Algo mais forte que eu. Precisava de te ter pra mim, uma última vez.

Perguntas-te se valeu a pena? Sim, valeu.

Perguntas-te se me arrependo? Um pouco, talvez.

Perguntas-te, então, se voltaria a fazer tudo de novo? Sem dúvida alguma. Porque tu foste a maneira de eu me sentir mais humano, de me sentir mais perto da perfeição, mais perto do céu… meu anjo ruivo…

Relembrei todos os nossos momentos, enquanto te via dormir… tão serena… tão linda… eu desistiria de toda a minha vida, de toda a eternidade da minha existência se isso significasse poder tocar-te para sempre… apenas um toque… poder saborear esse momento… poder respirar a vida que tu tens em ti…

Desculpa se cada palavra que eu digo te faz doer… se cada frase te faz ter aquele aperto no coração… mas eu tinha de o dizer…

Então é assim, Lilith… um… adeus … nós sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, ia acabar… sabíamos que, cada noite que passávamos juntos, poderia ser a última… cada beijo poderia ser o de despedida… cada toque poderia marcar um adeus… mas foi perfeito, enquanto durou…

Perguntas-me, então, o porquê desta noite… ela tinha de acontecer… eu não poderia ir para casa sem te ter para mim, como minha mulher, uma última vez… uma última noite… esta noite…

Sei que serás feliz com o James. Apesar dele ser um crianção, ele merece-te. Sei que não vou mais fazer parte da tua vida, não como fiz até hoje… mas nós ainda vamos nos cruzar outras vezes, Lilith… vamos trocar olhares… vamos tocar-nos sem querermos…

E, mesmo quando olhares para mim, e o meu olhar não signifique nada… tu estarás na minha mente… viva… linda… minha… como sempre foi… como sempre devia ter sido…

E, cada vez que o vento soprar mais forte ou que uma tempestade assole a tua janela… tu vais sentir-me… de uma maneira ou de outra… tocando-te… beijando-te… e sussurrando o teu nome… Lilith… minha Lilith… .

Do sempre teu, hoje e para sempre, por toda a eternidade,

Six…

Ele tinha-se ido embora. Era definitivo. Não haveria mais noites em branco, à espera que ele aparecesse, para uma noite de amor furtivo… não existiriam mais olhares maliciosos, toques intencionais, que não quereriam dizer nada mas que, ao mesmo tempo, falavam tudo…

Era real. Acabara. Ela e Sirius, nunca mais…

Levantou-se, enrolada no lençol. Ainda sentia os beijos, os toques daquela noite, como se estivessem marcados na pele, para todo o sempre. Sim, porque tinham sido os últimos. Encostara-se na janela. Lá fora, os preparativos para a boda. Cadeiras, mesas, tecidos brancos esvoaçantes, pessoas conhecidas e desconhecidas… e ela… a noiva… ali, pensando no homem que passara a noite consigo, um homem que não era o seu futuro marido. Arrependida? Nunca. Faria tudo de novo, da mesma maneira.

Bateram à porta. Six … Foi abrir, com um sorriso enorme. Mas esse morreu. Eram apenas as amigas, outras mulheres, que a vinham preparar para o casamento.

Começou a azafama. Vestido para um lado, pentes para o outro… maquilhagem… jóias… sapatos… Lily viu-se presa no meio de uma guerra de tecidos, adornos, adereços… mas nada disso significava nada… não, quando uma guerra ainda maior se travava na sua mente.

- Lils… estás pronta. – Dorcas murmurou, numa voz suave e terna. Ela levantou-se e olhou-se no espelho. Era o seu corpo, mas era outra pessoa que estava ali. Uma lágrima solitária rolou pelo seu rosto.

Todas as mulheres se enterneceram. Oh, como é lindo ver uma mulher comovida com o eu casamento, diziam. Apenas Dorcas percebeu que não era assim.

- Eu sei o que tu estás a pensar, Lils… - murmurou a morena, enquanto a abraçava – Ele foi uma parte importante da tua vida… mas estás a fazer o que é certo… o James ama-te…

Lily então sorriu. Um sorriso concreto. Um sorriso que apenas as duas amigas perceberam. Um sorriso que não a abandonou enquanto o carro rodava até à capela, nem quando caminhou pela carpete vermelha, de braço dado com o sogro.

James esperava-a no altar. James. Era agora ele quem lhe importava. O seu olhar não vagueou pela igreja à procura de Sirius. Não, agora o que interessava era ele, o homem com quem ia casar.

- Estás linda, meu amor… - sussurrou ele, quando a tomou do seu lado, no altar. Ela sorriu mais. Sabia que tinha tomado a decisão certa.

Num movimento rápido, o seu olhar cruzou-se com uma certa pessoa. O padrinho. Cumprimentaram-se com um aceno de cabeça e um sorriso.

- Sim, aceito. – a voz dela soou clara e límpida por todo o local, sem resquício nenhum de dúvida ou hesitação. Não importava o que tinha feito ou se tinha tido dúvidas quanto ao que fazer. Sabia, apenas, que tinha do seu lado dois homens: um, que sentiria amá-la todos os dias e noites… e outro, que a amaria quando uma noite de tempestade soasse mais forte.

FIM