Fic

APENAS UMA VEZ
por *Nani Potter*

Ela só queria mostrar que já não era mais aquela garotinha frágil. Ele queria que apenas uma vez ela parasse de ter medo, dando-lhe a chance de mostrar o seu amor e apenas uma vez entendesse o seu medo de perdê-la. Música Só Pra Contrariar, Não Chora.

Ship: Harry Potter e Ginny Weasley | Classificação: PG | Gênero: Romance/SongFic | Spoilers: 1 | Capítulos: 1 | Status: Completa | Idioma: Português | Observação: - | Publicada em: 24/04/2005 | Atualizada em: 24/04/2005

Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos.




Quando eu era o seu amor

Não havia tanta dor

Eu cuidada do teu coração (coração)

A brisa fresca do fim de tarde balançou as cortinas brancas graciosamente, fazendo-as flutuarem sobre o ar, dando, assim, uma fresta para os fracos raios de sol, que ainda brilhavam, iluminassem o seu semblante adormecido.

Fez uma careta, quando sentiu o facho de luz sobre seus olhos, e gemeu levemente quando tentou se mexer e sentiu uma forte pontada em seu ombro e na lateral de sua barriga.

- Droga! - resmungou, antes de abrir os olhos lentamente e um borrão branco começar a ganhar formas; camas, portas, paredes, janelas, cortinas. Girando os olhos fez uma careta quando, em forma de flash, os acontecimentos do dia anterior ecoaram em sua men

Me dói saber que alguém te faz chorar

Porque eu no seu lugar

Te tratava com toda paixão

Era mais uma visita a Hogsmeade, num belíssimo sábado de outono. Os alunos sorriam, riam e festejavam animados por estarem indo ao pequeno vilarejo, onde poderiam beber cerveja amanteigada a vontade e reabastecer os seus estoques de chocolates.

Ela caminhava animada entre seus amigos e conhecidos, enquanto esticava o pescoço, procurando sobre várias cabeças o famoso trio maravilha.

Foi então que tudo aconteceu...

O céu límpido tornou-se negro e entre as densas nuvens cinzas que se formaram, apareceu a tão tenebrosa marca negra de Voldemort.

Viu-se sem tempo até mesmo de respirar.

Os alunos gritavam e corriam em busca de um abrigo para se protegerem dos vários feitiços que chicoteavam no ar.

Um exercito de Comensais se aproximava, os rostos escondidos por uma máscara e os corpos pelas vestes negras e pesadas, que esvoaçavam na direção que o fortíssimo vento assoprava.

Que maravilha!, Pensou irônica, empunhando a própria varinha. Respirou fundo tentando manter a calma, já que entrar em pânico iria somente piorar ainda mais as coisas.

- Bastardos! - exclamou irritada, fazendo um feitço-escudo para se proteger de um facho de luz azul, que veio em sua direção.

Começou a recuar lentamente, sempre atenta ao que estava acontecendo; os alunos ainda gritavam, professores e monitores duelavam e esperavam pela ajuda dos Aurores, que já deveria estar a caminho.

O céu tornava-se cada vez mais nebuloso e uma fina garoa se iniciava, enquanto um odor forte e podre circulava a atmosfera tensa.

- Mas, o que... - começou a murmurar, quando estranhamente começou a se sentir tonta, triste e fraca.

Uma bufada pesada atrás de si penetrou-lhe nos ouvidos e nos poros de sua nuca; arrepiando-a.

Um manto gasto e áspero roçava em sua perna e, naquele momento, Gina sentiu-se como se estivesse caindo num abismo sem fim.

Tristeza... Frio... Aperto no peito. Tudo estava a sufocando.

Tentou cerrar os dedos envolta de sua varinha, mas sua força desaparecera, sobrando somente uma terrível fraqueza e dor. Não era uma dor qualquer, como a de uma ferida. Era bem pior! Parecia que nunca mais seria capaz de sorrir. Sua felicidade havia a deixado, como se houvesse sido levada pelos grossos pingos da chuva que se tornara mais forte, ensopando seus cabelos e fazendo sua veste grudarem em seu corpo.

Sentiu mais uma bufada em sua nuca, e desta vez estremeceu.

Queria chorar. Ficar quietinha em um canto, abraçar os próprios joelhos e começar a rezar, para que todas aquelas sensações terríveis a deixassem em paz.

Engolindo em seco, tentou juntar um pouco de coragem dentro de si, e assim, começou a se virar, lentamente, sentindo seus pés afundarem na lama.

O mau cheiro era ainda mais forte, e Gina temeu desmaiar ao ter em seu campo de visão a imagem do dementador. Ele flutuava no ar, seu corpo grande era moldado por um manto preto cheio de rasgos e furos.

Mantenha-se firme, e pense em algo feliz!, Gina disse para si mesma em silêncio. Mas o seu desejo não foi atendido. Como poderia pensar em algo bom se nas últimas semanas o mundo pareceu querer despencar sobre sua cabeça? E o causador daquele maldito inferno onde ela se encontrava tinha um nome; Harry James Potter.

À vontade de fechar os olhos era enorme. Queria correr para o mais longe possível daquele monstro, mas seu corpo não lhe obedecia.

Começou a tremer. O frio era como laminas afiadíssimas a cortar-lhe a pele pálida e arrepiada.

Gina viu a mão escura com unhas enormes e cheias de ossos e veias a mostra erguendo-se em direção ao seu pescoço.

Fechou os olhos e esperou... Esperou pelo momento final de toda a sua vida.

Talvez a morte não seja tão dolorosa!, Gina pensou tentando se reconfortalecer. Na escuridão que seus olhos lhe mostravam, começou a ver imagens de seus maiores tremores e pesadelos.

Mesmo que as cenas lhe ferissem cada vez mais, concentrou-se nelas para tentar não dar importância a unha do dementador, que tocara em seu rosto e começara a deslizar por sua bochecha, arranhando sua pele como uma faca, em direção ao seu ombro.

Merda! Será que ninguém vai me ajudar? Rony cadê você? Alguém... Harry!

Foi como se os deuses houvessem atendido ao seu pedido; escutando suas preces finalmente.

Num momento, ela estava um pé a morte, o dementador se aproximando para lhe dar o tal beijo fatal, sugando sua vida, sua alma e toda a sua esperança, enquanto ao mesmo tempo as unhas dele lhe feriam a pele. Mas, em outro, braços fortes e firmes circularam sua cintura, agarrando-a como se fosse uma boneca de pano.

Gina sentiu a dor do impacto, quando seu corpo caiu como um baque sobre uma pilha de caixotes e logo em seguida o peso de um corpo másculo e viril contra o seu.

Gemeu baixinho, mas ela sabia que não era de dor e tampouco de frio.

- Espectro Patrono! – o desconhecido berrou com bastante raiva.

Gina abriu os olhos, piscando-os várias vezes, antes de fitar as incríveis íris de Harry, que a observava numa forma enigmática.

Tudo bem, a ajuda dele fora a última que pedira, mas era tudo ou nada!

Tentou sorrir, mas não conseguiu.

Suspirou aliviada e aos poucos sentiu como se sua vida estivesse votado ao seu corpo. Conseguindo colocar suas mãos sobre o peitoral de Harry, murmurou:

- Muito obrig...

- Você é louca?! - Harry gritou de repente, com o tom e voz bastante enfurecido, interrompendo a ruiva sem se importar.

Gina franziu o cenho, enquanto as pupilas de seus olhos dilatavam. Abriu e fechou a boca várias vezes, pasma.

Okay! Aquela lesma torrada acabara de lhe salvar a vida, mas não tinha direito algum de gritar com ela daquela maneira tão arisca.

Num passe rápido, jogou com força Harry para o lado, quebrando o contado dos corpos.

Fitou-o com raiva.

- Olha aqui, Potter, que você é idiota disso eu tenho certeza, mas nunca pensei que a falta de educação também fizesse parte da sua personalidade. - exclamou - Você pode ser o melhor amigo do meu irmão, e se Rony lhe deu o direto de gritar assim com ele, pouco me importo, mas eu não te dou essa liberdade de falar nesse tom estúpido comigo. - passando as palmas das mãos na lateral de sua calça, levantou-se, ainda sentindo o calor daquele ódio passar entre suas veias - Não sou sua amiga e muito menos uma dessas vagabundas que você está acostumando a beijar, então, acho melhor calar a boca.

Jurava de pé junto e tinha testemunhas que podiam confirmar que Gina tentava manter seu controle quando estava perto de Harry. Mas aquele moreno de incríveis olhos verdes conseguia a tirar do sério como ninguém.

E pensar que tivera a coragem de namorá-lo. Por Merlin! O que tinha na cabeça quando acreditou naquelas palavras tão ridículas, pobres... Falsas!

Seu peito se apertou, e sentiu seus olhos marejarem. Suspirou fundo, tentando controlar o pranto que ameaçava rolar por seu rosto.

"Eu amo você, Gi, e prometo te fazer muito feliz!" Ele havia lhe dito. Pareceu tão sincero que ela teve nojo de si mesma, ao se lembrar que depois daquelas malditas palavras ela havia se derretido inteira e permitindo se perder no calor daqueles braços fortes e no gosto febril daquela boca sensual e prazerosa.

Tudo um jogo. Uma brincadeira. Um verdadeiro conto de fadas fajuto...

Voltou para o momento presente quando ouviu a risada fria e calculista de Harry penetrar em seus ouvidos, fazendo sua cabeça latejar. Aquela risada...

- Ora, não me venha querer me dar nenhuma lição de moral, pirralha, já que você não tem nenhuma. - Harry retrucou de modo cortante, levantando-se e guardando a varinha no bolso traseiro da calça jeans escura.

Observou o avermelhado do rosto da ruiva ir se tornando cada vez mais intenso e não pôde deixar de sentir uma pontada de diversão em seu coração, ao mesmo tempo em que este sangrava graças a sua covardia, ao seu medo, e acima de tudo; sangrava por causa daquele amor impossível.

Ah, se ela soubesse que ele fazia aquilo por amá-la incondicionalmente.

Gina riu friamente, jogando a cabeça para trás, fazendo com que as mechas vermelhas de seu cabelo esvoaçassem para trás. Em ritmo com o vento.

Os olhos dela, quando encontraram os seus, estavam mais escuros do que o normal.

Aqueles olhos que por tantas vezes o fizera perder o rumo da razão.

- Escute bem, Potter. - Gina começou, apontando o dedo indicador para o peito do moreno, que ergueu uma sobrancelha - Não é segredo para ninguém que eu e você não nos suportamos, mas isso não quer dizer que terei de aturar esse maldito dialogo com um verme como você, já que seria uma grande perda de tempo. Então, querido...- falou irônica, aproximando-se ainda mais dele, perigosamente. Gina sabia que estava entrando num terreno perigoso, ficando tão próxima a Harry, mas quem disse que ela estava se importando? - Que tal você ficar na sua e continuar beijando qualquer garota que aparece na sua frente e ir de uma vez por todas se fu...

Gina nunca conseguiu completar aquela frase, já que no instante seguinte que iria dizer uma palavra rude, Harry sorriu de modo verdadeiro e ao mesmo tempo malicioso - e por um segundo ela viu o antigo Harry; aquele sempre tão sorridente, alegre... feliz, e não aquele atual; frio, irônico, e incrivelmente sexy. Ele puxou-a para si, envolvendo-a com seus braços e assim, a beijou com toda paixão, saudades e dor que havia guardado dentro de si por tanto tempo.

Ver aquela ruiva, tão perto de si e ao mesmo tempo tão longe estava o deixando louco. Vê-la passar bem ao seu lado, e não poder sequer tocá-la era pior que ele havia imaginado.

Gina sentiu seu mundo rodar ao perceber que aquele beijo não era como os antigos que ela e Harry haviam trocado na época em que ainda namoravam; sempre carinhos, calmos e cheios de amor. Aquele por sua vez era com paixão, desejo, e continha uma selvagem eloqüente. Gina se viu obrigada a passar os braços em torno do pescoço de Harry para não cair no chão graças a suas pernas bambas.

A língua dele era rápida e possessiva, enroscando-se, investido contra a sua numa forma que fazia com que todo o seu corpo se arrepiasse com uma carga fortíssima de eletricidade.

Gemeu instintivamente quando os dentes de Harry se cravaram em seu lábio inferior, antes de soltá-la bruscamente e começar a caminhar, normalmente, como se nada houvesse acontecido.

Gina franziu o cenho e levou a mão à boca inchada.

- O que...- começou atônita. Harry riu sem humor e virando a cabeça, fitou-a sobre os ombros, com os olhos brilhando numa forma estranhada.

- Como você mesmo disse; só continuei a beijar qualquer garota que estivesse na minha frente.

Se em algum momento Harry havia a ferido mais com suas palavras, o momento fora aquele.

Cerrou os olhos e trincou os dentes.

Verme. Maldito. Canalha!

Depois de tudo o que ele me fez e me fala... Por que ainda continuo o amando tanto?, Perguntou a si mesma, antes de respirar fundo e estender sua mão.

- Varinha! - proferiu com firmeza, e em poucos segundos sua varinha apareceu na palma de sua mão. Apertou-a e fitou Harry, que, balançando a cabeça, voltou a caminhar.

- Vá para o castelo, isso aqui não esta para crianças.

Gina sorriu pelo canto dos lábios e se colocou ao lado do moreno, que, ao ver que ela não iria o obedecer, segurou-a pelo braço, sem medir sua força.

- O que esta tentando fazer? Se matar!? - perguntou, com os olhos faiscando de raiva.

Gina puxou o próprio braço de encontro ao seu corpo, antes de responder seca:

- Eu já estou morta, Potter, desde o dia em que você me falou que tudo o que passou ao meu lado foi para se divertir. - Eu também já estou morto desde aquele dia! Eu fui obrigado a largar a pessoa que mais amava. Bosta, eu ainda te amo, sua ruiva descontrolada, rebelde e... Linda!, Harry sentiu vontade de gritar, mas a única cosia que vez foi chutar com força uma pilha de caixotes.

Se pudesse voltar no tempo, teria feito tudo diferente. Não teria permitido que as coisas tivessem chegado naquele ponto.

Nunca pensou que iria desejar tanto, apenas uma vez, mais uma chance. Mais uma chance para dizer àquela garota que a amava, que precisava dela.

Gina era a sua força, a sua alegria... A sua vida!

Passos pesados e poças de lama sendo pisoteadas chegaram ao ouvido deles, que se viraram na direção do som e puderam ver um grupo de quatro comensais se aproximarem.

Gina sorriu.

- Os dois magrinhos da direta são meus. - Harry bufou. Gina tinha menos parafusos na cabeça do que havia pensado.

- Os dois balofos da esquerda ficam comigo, então. - e trocando olhares de cumplicidade por um leve momento, os dois se colocaram em posição de duelo.

Lembra de quando você me deixou

Porque nunca, nem um dia te amou

Eu te avisei; vai dar saudade de mim

Um gemido vindo da cama ao lado, fez com que Gina voltasse ao momento presente.

Olhou para o lado e pôde ver Harry, deitado com uma faixa de gases entorno da cabeça.

Sentou-se com dificuldade e assim o observou; os lábios estavam entreabertos, onde dava a passagem para a respiração que saia leve e calma. As mãos estavam estendidas ao longo do belo corpo atlético de um garoto de dezessete anos, e os olhos cerrados faziam uma leve linha negra graças aos cílios.

Com dificuldade, Gina pulou para fora da cama e caminhou, arrastando os pés pelo piso branco e frio da Ala Hospitalar, até a cama onde Harry se encontrava; completamente vulnerável a ela.

Engolindo em seco, viu uma mecha negra dos cabelos rebeldes de Harry lhe cair sobre os lábios firmes que tantas vezes a fizeram delirar. Estremeceu.

Volte a se deitar! Quer que ele acorde, sua besta?, Uma voz chata gritou em sua mente a fazendo recuar um passo.

- É claro que ele não vai acordar, sempre teve um sono tão pesado. – falou, ao se lembrar das vezes que se viu sozinha do Salão Principal, esperando Harry acordar para que fossem tomar café da manhã juntos.

Suspirou e cerrou os olhos levemente, onde tentava esconder atrás de suas pálpebras o sofrimento do amor.

- Por que você fez isso comigo? – perguntou baixinho, levando uma de suas mãos aos cabelos rebeldes do moreno, afastando-as do rosto bonito e bronzeado de sol – Por que você teve que acabar com o nosso amor assim, Harry? – não conseguindo controlar os próprios impulsos, Gina se inclinou e assim pousou seus lábios levemente na testa suada de Harry. Um beijo carinhoso, leve e gentil.

Num gesto mais ousado, deslizou seus lábios em direção a boca entreaberta dele, e ali depositou um beijo, onde tentava passar por aquele toque todo o seu amor que ainda a consumia.

Instantaneamente sorriu e afundou seus dedos nos cabelos de Harry, que naquele momento se remexeu na cama e abriu os olhos.

Gina ficou inerte ao ver que ele acordara.

Okay, o sono dele não era tão pesado assim.

Abriu os olhos e ainda com as bocas coladas, permitiu-se mergulhar mais uma vez naquele mar esverdeado dos olhos do ex-namorado.

Harry, para a surpresa da ruiva, sorriu da maneira que fazia seu coração derreter como mel aquecido e num gesto rápido, segurou-a pela cintura com um braço, jogando-a ao seu lado na cama, enquanto com a outra colocava sobre a curva alva de seu pescoço e a beijava com ardor; correspondendo o beijo, sentindo-a, amando-a e clamando por ela.

Foi como se o vento daquele dia houvesse levado toda a sua razão e sensatez, quando permitiu que a mão de Harry se movesse para baixo do tecido fino de sua blusa, tocando em sua pele, somente para a sentir ainda mais perto dele.

Aquilo era uma loucura. Uma tortura para si e sabia que no fundo, também deveria estar sendo para ele.

As línguas se buscavam com paixão e amor, roçando uma na outra como se uma carga magnética os tivessem ligando.

Gina suspirou fundo e espalmou suas mãos no peitoral de Harry, sentindo os músculos se contorcerem ao toque de seus dedos.

Afastou-o delicadamente de si, e tirou a mão dele de encontro a sua pele, onde começava a sentir que queimava.

- Pára! – pediu baixinho, sentando na cama e cobrindo o rosto com as mãos. Estava ficando fora de seu juízo normal. Tudo entre ela e Harry havia acabado, terminado tão rápido da mesma forma que começou. Por que continuar se torturando com aquilo? Aquele jogo tinha que terminar!

- Por que parar se nós dois sabemos o que o outro quer? – a voz de Harry pareceu flutuar sobre o ar e começou a rondar envolta da cabeça de Gina, que tirando as mãos do rosto o fitou; ele estava próximo de si. Próximo até de mais, acariciando os cabelos em sua nuca com a pontinha das unhas bem cortas.

- Sinto muito, Potter, mas tudo o que havia entre nós morreu. – sentiu o corpo dele enrijecer, e respirando fundo continuou, sabendo que naquele momento teria que agradecer a todos os Deuses por aquela coragem que estava tão longe de existir – Acabou! Foi bom enquanto durou, agora...- saltou para fora da cama, afastando-se do calor do corpo do moreno – é cada um para o seu lado. – e sem encará-lo, Gina pegou as suas roupas, que estavam ao pé de sua cama e correu para o banheiro da Ala Hospitalar, deixando para trás um Harry completamente perdido.

E se ela tivesse olhado para trás, teria visto a tempo a lágrima que escorrera pelo rosto de Harry, que se jogou entre as cobertas e afundou o rosto no travesseiro, onde como acreditasse que com aquilo, poderia abafar todo o seu sofrimento.

Você trocou meu amor, e por quê?

Por essa tristeza que hoje trás com você

E nem pensou em sofrer tanto assim

Uma semana depois...

Okay, ela não esperava que depois do último encontro doloroso e definitivo dela e de Harry pudesse mudar tanto o clima entre eles. Se antes as atitudes dele a tiravam do sério; ora a provocando, ora sendo irônico ou jogando coisas dolorosas em sua cara que a magoassem. A maneira que ele estava a tratando nos últimos dias estava realmente a ferido. Muito mais do que poderia ter imaginado.

Ele nem sequer olhava para ela! Passava reto parecendo nem notá-la quando se cruzavam nos corredores, e na hora do almoço, ele sentava-se o mais longe possível, e de propósito ou não, ele ficava entre as garotas mais belas de Hogwarts, que não perdiam aquela oportunidade para cair em cima dele.

Bufando, fechou o livro de feitiços que lia num gesto brusco, chamando a atenção de alguns alunos para si.

- Intrometidos! – resmungou pegando suas coisas e saindo da biblioteca sem ao menos notar que um par de íris cinzas estava a observando todo o tempo.

Levantando-se também, Draco a seguiu, com um sorriso desdenhoso sobre os lábios finos e pálidos, assim como o restante do rosto.

- Hei, Weasley! – ele exclamou, caminhando até ela com passos firmes e relaxados, as mãos no bolso da calça e o queixo erguido.

Gina suspirou e girou as orbes cor de âmbar, quando se dava o trabalho de fitar a cobra oxigenada que sorria para si.

Tudo o que e pedi a Deus!, Gina pensou irônica, dando um sorrisinho amarelo para Draco.

- O que quer, Malfoy? – perguntou impaciente, fazendo os olhos do loiro brilharem ainda mais.

- Nada – ele deu os ombros e apoiou as costas na parede fria do corredor, ao lado da janela, onde a brisa fresca brincava com as várias madeixas platinadas do cabelo dele. – Só vim perguntar o que estava fazendo na biblioteca já que o time de Quadribol da sua medíocre casa esta treinando agora mesmo lá no campo.

Em outras circunstâncias ela provavelmente teria pulado em cima dele para esganá-lo pela ousadia de ofender a sua casa, mas a palavra; Quadribol e treino ficaram ecoando em sua mente.

- O time esta treinando? – repetiu o que ele dissera, atônita.

Draco ergueu uma sobrancelha.

- Eu já sabia que você era demente, Weasley, mas nunca imaginei que também fosse surda.

Sem se dar ao trabalho de responder, Gina girou nos calcanhares e começou a correr em direção ao seu dormitório na Grifinória, que tinha a visão perfeita para o campo.

Ah, se Malfoy estivesse mentido para ela... Tudo, para tirar uma com a sua cara, ele se arrependeria de ter nascido.

- Por que tanta pressa, querida? – a mulher gorda perguntou, fazendo Gina remexer-se inquieta. Por que aquele maldito quadro tinha que ser tão enxeridos?

- Dente de Leão! – disse a senha bruscamente.

A mulher gorda torceu o nariz e mesmo a contra gosto, abriu a porta, dando para a ruiva a passagem para os quartos.

Subiu as escadas de dois em dois degraus e jogou seu material em sua cama quando finalmente chegou a seu destino.

Abrindo a janela e afastando as cortinas ficou pasma ao contestar que Draco Malfoy não havia mentido.

Podia ver com perfeição Rony defendo com perfeição a goles que Melissa, uma integrante nova, lançara. Os batedores estavam em suas posições e ele... Harry James Potter voava sobre o campo como uma garça.

- Se ele quer guerra, guerra ele vai ter!– Gina falou entre os dentes e ainda observando Harry com os olhos faiscando de puro ódio.

Ele não tinha o direito de excluí-la do time; era a melhor artilheira de toda Hogwarts.

Podia aceitar ter aquele cachorro-sarnento a irritando, sendo seco ou irônico, e até mesmo, podia viver com ele a ignorando. Mas, não lhe avisar sobre os treinamentos de Quadribol? Ah! Aquilo já era demais, e a sua cota de paciência já chegara ao limite máximo.

Andou até o seu guarda-roupa e vestiu uma calça e uma blusa justa, antes de prender as várias madeixas cor-de-fogo num alto rabo-de-cavalo. Calçou os tênis e por fim pegou sua vassoura.

Correu pelos corredores e desceu as escadas escorregando pelos corrimões, até que finalmente se viu no hall de entrada da escola, que a levaria em direção aos jardins e estes ao campo.

Sorriu triunfante quando as belíssimas portas de carvalho se abriram dando-lhe passagem.

Caminhou calmamente, cerrando os dedos cada vez com mais força envolta do cabo de sua vassoura.

Os jogadores começaram a pousar e pôde ver com perfeição Harry pousando em cima do banco e começando a dizer as estratégias de jogo.

Girou os olhos, entediada. Aqueles discursos que ele sempre fazia eram tão chatos que já se viu várias vezes dormindo em pé.

Abrindo a porta de metal do campo, entrou, e andou um pouco mais rápido até o grupinho de jogadores, que se amontoavam para escutarem atentamente as ordens de seu capitão.

Capitão que não chama o time inteiro!, Pensou, sorrindo perigosamente.

Empinando o queixo, exclamou com a voz firme e autoritária:

- Potter!

Harry parou de falar no mesmo instante e virou-se para encontrar Gina, que caminhava em sua direção ameaçadoramente.

Os outros jogadores também viraram suas cabeças para observar a ruiva.

- O que faz aqui, Weasley? – perguntou secamente. Gina riu irônica e apoiando-se em sua vassoura respondeu:

- Não sei... Acho, que, talvez... Treinar? – ergueu uma sobrancelha – O que significa isso Potter? Você não me avisou que teria treino hoje.

Harry deu os ombros e desceu do banco, ficando frente a frente com ela.

- Não quis me dar a esse trabalho. – Gina abriu a boca para responder, mas ele foi mais rápido, interrompendo-a – Como descobriu que hoje iria ter treino?

Bingo! Ele havia caído na sua armadilha. Qual será a reação do Capitão quando souber que uma de suas artilheiras fora informada do treino por um Sonserino. Pior! Por seu pior inimigo?

“Não quero você perto dele, Gi!”, Harry havia lhe dito isso várias vezes, deixando bem a vista o ciúme que sentia.

- Draco...- fez questão de dizer o primeiro nome de Malfoy, frisando-o – Me disse.

Os olhos de Harry pareceram queimar como duas tochas. O maxilar enrijeceu e os punhos dele se cerraram.

- Como ele soube? - Gina deu os ombros.

- Se quer saber de algo, Potter, aconselho que vá ter uma conversinha com a professora de Adivinhação!

Harry franziu o cenho e agarrou o braço da ruiva com força, aproximando-a de si.

- Saia deste campo, Weasley – disse entre os dentes – você não faz mais parte do time.

Aquilo definitivamente não era o que ela estava esperando ouvir.

Ela, fora do time? Potter estava louco?

Foi como se um balaço a atingisse e por alguns instantes sentiu as dores de seus ferimentos voltarem a atormentá-la.

Respirou fundo para manter a calma. Ela não iria explodir, não iria fazer nenhuma loucura!

- Você não pode fazer isso! – exclamou quase num berro.

Todos os outros jogadores prestavam atenção nos dois, que não pareciam muito preocupados com isso.

Rony tinha os braços cruzados e sorria divertido, enquanto os outros faziam comentários baixinhos.

- Só não posso, como já fiz! – Harry respondeu, apontando com um gesto e cabeça a porta de saída do campo.

- Eu sou a melhor artilheira, quem você vai por em meu lugar – ele ia responder, mas Gina já havia apontado para a garota; Eleanor Kelpper – Ela? – Harry não respondeu, só ficou ainda mais sério. Gina riu sarcástica. – Meu Deus! Você por acaso enlouqueceu? Quer perder a taça esse ano? Potter acorda, essa garota não consegue nem se-gu-rar a goles.

- Por isso que estávamos treinando, para melhorar o ataque dela. – Harry defendeu a garota, que já estava encolhida atrás da própria vassoura, como se fosse seu escudo.

Gina passou a mão pelos cabelos e colocou as mechas vermelhas de sua franja, que fugiu do elástico, atrás da orelha.

Olhou para a morena por cima dos ombros de Harry e fuzilando-a com os olhos perguntou seca:

- Como conseguiu essa vaga, Kelpper, deitando-se com o capitão? – todos ficaram pasmos com aquele argumento e Gina sorriu satisfeita ao ver a garota abaixar a cabeça e lágrimas silenciosas começarem a rolar pelo rosto de boneca.

Por alguma razão, Gina sorriu, mas sentiu uma pontada em seu peito; culpa, remorso, pena? Não sabia explicar.

- Ela não é você, Weasley! – Harry gritou, já alcançando o limite de sua paciência. Por que Gina tinha que ser tão irritante? E por que tinha que ter aquele poder ainda sobre ele? Aquele o qual o fazia ter que respirar várias vezes para manter a calma e a sensatez e não beijá-la, como a muito vinha ansiando. Céus, como aqueles dias haviam sido uma tortura para si.

Quando a via no corredor fazia de tudo para não olhá-la, mas sentia o perfume dela; aquele aroma doce e único que tantas vezes o embriagou.

E quando um passava pelo outro, Harry não conseguia controlar o impulso e assim olhava para trás, observando as costas de Gina, e o rebolar sensual dos quadris dela.

- Diferente de você, Weasley – voltou a dizer, agora com o tom de voz firme e forte. – Eleanor se dá ao respeito.

Aquilo foi como se tivesse acabado de levar um tapa. Gina cerrou os olhos.

- O que você esta insinu...

- Eu estou afirmando, Weasley, que você é uma miserável de quinta! – Ah, Gi, se você soubesse o quanto te amo!, Sentiu vontade de dizer ao ver os olhos da ruiva marejarem, fazendo a cor âmbar ficar ainda mais clara, misturando-se com um alaranjado belíssimo.

- Harry! – Rony exclamou, pasmo pela atitude do amigo. Correu até a irmã e fitou as orelhas dela tornarem-se púrpuras. - Agora que a vaca vai pro brejo! – o ruivo murmurou, recuando um passo. Sua irmã estava descontrolada!

Mas Harry manteve-se firme, o queixo erguido em desafio e os olhos fitando a ex-namorada segurar a própria vassoura com mais força.

O que ela poderia fazer? Acerta-o com aquele cabo de madeira?

Sentiu vontade de rir com aquela hipótize absurda.

Gina umedeceu os lábios e viu quando Harry seguiu a pontinha de sua língua com os olhos.

- Nunca mais ouse a me chamar dessa maneira. – disse entre os dentes, dando a volta nos calcanhares, para a surpresa de todos e até mesmo a de Harry. Então, não seria daquela vez que Gina iria matá-lo.

Só que estavam todos enganados, por que num gesto inesperado, Gina pegou uma garrafinha de água, que estava sobre o banco, e atacou-a de encontro ao rosto de Harry com força, molhando-o inteiro.

- E eu juro, Potter, que você vai se arrepender disso – e, por fim, jogou a vassoura, que também estava sobre o banco, de encontro ao moreno, acertando-o na cabeça, fazendo-o cair para trás, sobre a grama.

E foi embora, deixando para trás um atordoado Harry Potter – que estava com um belo galo na cabeça.

- Harry, você esta bem? – Eleanor perguntou aflita, ajudando o moreno a se sentar.

- Ai, minha cabeça. – gemeu. Rony sorriu com gosto.

- Bem feito, quem mandou mexer com a minha irmã. – Harry o encarou e suspirou fundo, enquanto aceitava o saquinho de gelo que Eleanor havia ido buscar.

- Obrigado – agradeceu a garota com um sorriso, fazendo-a corar. Um gesto tão encantador que o fez lembrar vagamente quando aquilo acontecia com Gina, quando ele a observava ou lhe direcionava um sorriso. Chegou a ser chato uma certa época, mas depois havia se tornado bastante divertido fazer a caçula dos cabeças vermelhas, corar furiosamente. – Eu sinto muito, Rony.

O ruivo balançou a cabeça e se levantou.

- Não é a mim que você vai ter que pedir desculpas, Harry. – e também saiu do campo.

Sou eu que te amo, não preciso mais provar

Olha quando eu digo que e comigo é pra ficar

Vem comigo que não chora

Esse amor sempre teu, não cansou de esperar

- Maldito! Cachorro! Verme! Cafajeste! Mentiroso! Legume! – Gina gritou assim que entrou em seu dormitório, jogando de encontro à parede os vários vasos que continha na cabeceira das camas, e os tinteiros junto com os pergaminhos e as penas, que se espalharam pelo chão.

Jogou-se de encontro a sua cama e abraçou o travesseiro, começando a soluçar.

Como odiava aquela sensação. Era como se estivesse sendo pisoteada, ao mesmo tempo em que sentia seu estômago dar várias voltas, fazendo-a ficar enjoada.

Suas lágrimas se misturavam com seus abafados soluços, engasgando-a com aquele sabor salgado. O sabor de sua magoa, sofrimento e de amor não correspondido. Um amor falso e ilusório.

Não era uma garota que chorava com facilidade, mas Harry parecia ter aquele dom sobre ela; ele parecia saber onde exatamente ficava a sua ferida, o seu ponto fraco. Que era o seu coração! Onde, sangrava e pedia por socorro.

Tinha vontade de gritar e pedir para que alguém a enxerga-se como na verdade era, e não mais como a menininha Weasley que fora anos atrás.

Socou o travesseiro, antes de jogá-lo em direção a parede.

- Que todos morram! – gritou exaltada, enxugando as lágrimas com as costas da mão numa forma brusca, marcando seu rosto com uma mancha avermelhada.

Sentou-se na cama e fechou os olhos com força.

Começou a bater na própria cabeça, tentando apagar as cenas carinhosas e cheias de amor entre ela e Harry.

Ora eles se abraçavam. Beijavam-se, e trocavam juras de amor.

Nunca seria capaz de apagar o dia em que Harry havia lhe presenteado com um anel de compromisso e junto com este o sorriso mais belo que já vira em toda sua vida.

“Eu te amo, te desejo e acima de tudo te quero! Você é muito mais do que minha namorada, agora Gi; você é minha companheira, minha melhor amiga e confidente. Quero você ao meu lado todos os dias!”, Fora à jura dele, antes de cobrir seu dedo com a jóia, oficializando a união.

Abriu os olhos e olhou para a pequena gavetinha na cômoda ao seu lado.

Seus olhos embasaram novamente com as lágrimas.

- Por quê? – perguntou-se, antes de, com a mão tremula, abrir a gaveta e fitar a pequena caixinha de veludo preta que se encontrava no canto, escondida e protegida pelo breu.

Suspirando, Gina a pegou a caixa, e engoliu em seco, antes de abri-la cuidadosamente, onde aos poucos um anel todo talhado de ouro branco com minúsculas pedrinhas vermelhas, foi se revelando diante de si.

Sorriu fracamente e segurou a jóia entre os dedos, fitando-a com atenção, observando os raios de sol que passavam pelas persianas fazerem os rubis brilharem.

- Uma jóia tão bela com um significado tão vago! – falou seca, pondo o anel em seu dedo. Riu com tristeza, ao ver que ele encaixava-se com perfeição em seu dedo, como houvesse sido feito somente para ela.

Seria muito fácil apagar aquelas imagens tão felizes do passado de sua mente, mas o difícil seria esquecer o sentimento que tinha dentro e si, cravado bem no fundo de seu coração e de sua alma.

Ah, como daria tudo que tinha para que Harry a olha-se, apenas uma vez mais com aquele brilho apaixonado nas íris verdes, como estivesse vendo além de si, e a presenteasse com o mesmo sorriso divino.

Ele havia acabado com todos os seus sonhos da mesma força que o fez brotar em si; com as palavras.

Havia gritado, falado que esteve somente brincado com ela, que nunca a amou e que naquele momento estava com outra.

No começo, fora difícil acreditar naquilo, mas depois que o vira beijando uma garota qualquer da Sonserina o seu pesadelo havia se tornado realidade.

Harry, seu Harry, estava com os braços que tantas vezes rodearam o seu corpo, na cintura de outra. Beijando com ardor, desejo, deixando bem claro para quem visse que os dois estavam realmente apaixonados um pelo outro.

Foi como um balde de água fria em sua cabeça.

“Eu lhe avisei, Weasley, você não significou nada!”, Ele falou, quando a viu e logo em seguida recomeçou – com caricias mais ousadas – o que estava fazendo com a garota que ria maldosamente para ela; um sorriso vitorioso que fez com que Gina se sentisse ainda mais humilhada e pequena.

Deu a volta nos calcanhares antes mesmo que uma lágrima de dor saísse da toca e começasse a rolar pelo seu rosto, fazendo um caminho de tristeza.

Correu... Correu como uma folha ao vento, indo de encontro a um horizonte infinito.

Depois daquele dia, não fora somente as coisas entre ela e Harry que haviam mudado radicalmente, mas sim algo dentro de si; era como uma força que esteve oculta por todos aqueles anos, e que finalmente havia se libertado do fundo de seu ser, mostrando as suas verdadeiras garras.

Ela amadurecera, e deixara de lado as fivelinhas, os ursinhos de pelúcia e o seu maldito diário, adquirindo objetos referentes a sua idade; roupas, maquiagem e de certo ponto, malicia e sedução de uma mulher de verdade.

O anel em seu dedo ainda brilhava em harmonia com os raios de sol.

Engoliu as lágrimas que se acumularam em sua boca e levantou-se, caminhando em direção ao espelho do dormitório.

A imagem que se refletia era a de uma bela garota de dezesseis anos; corpo delgado e magro, cabelos sedosos e longos, olhos brilhantes e expressivos, bochechas coradas e lábios carnudos que quando curvados num sorriso, era um convite tentador para qualquer alma masculina.

Mas, o que adianta ter toda aquela beleza se a pessoa que amava de verdade estava com outra. Nem a notava!

- Como você foi burra. – a imagem do espelho lhe disse, como se houvesse adquirido vida e a fitava em puro deboche – Imbecil. Idiota. Trouxa! – o espelho continuou, fazendo Gina trincar os dentes e cerrar os punhos.

- Isso não é verdade, esse maldito amor que me cegou! – exclamou.

- Não seja ridícula, você que foi ingênua a ponto de se permitir cegar. – a imagem retrucou, venenosa.

Gina respirou fundo; sua respiração rápida e pesada.

- Eu não tive culpa...- murmurou, abaixando a cabeça, e fechando os olhos, escutando as frases maldosas e as risadas do espelho.

Queria responder, retrucar. Mas, como poderia se defender daqueles argumentos tão dolorosos, quando eram a mais pura verdade?

Uma verdade que a corroia por dentro, consumindo-a como chamas negras.

- Você foi fraca, abaixou a retaguarda e deu-se por vencida antes mesmo de tentar reconquistá-lo. Fracassada!

Gina abriu os olhos e fitou com fúria a sua própria imagem.

- Eu não iria me rebaixar a esse nível. Lambi por muitos anos os pés daquele moleque, e me recuso a voltar a fazer isso. Potter que se dane.

A imagem riu novamente.

- Sim, você lambeu, mas não minta para mim, pois você mesma sabe que quando fazia aquilo era feliz. Pelo menos, Potter falava com você e te olhava. Era como estivesse começando a enxergar. E quando você menos esperava, ele veio bem lentamente até você, te dar aquele beijo que você havia sonhado desde que o vira pela primeira vez. – Gina começou a remexer-se inquieta, perdida nas lembranças e no que o espelho falava: - E assim vocês começaram a namorar, até aquele maldito dia que o seu sonho de fadas virou um pesadelo, e no primeiro obstáculo você deu-se por vencida. Diga-me, Virginia, qual foi o motivo dele ter terminado com você?

Gina hesitou um pouco, antes de responder amargamente:

- Ele não me ama mais! – Merlin! Como doía dizer aquilo.

- E por que ele não te ama mais? – Gina riu sem humor e encarou a sua imagem:

- MERDA! EU NÃO SEI! VOCÊ QUER QUE EU PERGUNTE ATÉ MESMO O TAMANHO DA CUECA QUE ELE USA?

- Não, imbecil! Eu quero que você tenha um pingo de dignidade e tente descobrir o motivo daquele amor verdadeiro ter acabado tão rápido. Tem algo que você não sabe, Virginia; algo nessas malditas entrelinhas que você vai ter que descobrir, pois é isso que te coroe.

Foi como se uma luzinha houvesse se acendido no fundo de sua alma e Gina logo se viu com um sorriso leve nos lábios.

O verdadeiro motivo...

Os olhos alaranjados brilharam esperançosos e antes mesmo de perceber o que estava fazendo, andou com passo rápidos até o dormitório masculino, para ver o que poderia descobrir remexendo nas coisas de Harry, sem perceber que estava com o anel de compromisso no dedo.

Sou eu quem te amo, não consigo te odiar

Quero teu sorriso, sem juízo perdoar

Deixa seu sorriso e volta

Você não me esqueceu

Que saudades que dá.

Bufou pela milésima vez, enquanto sentia as mãos pouco delicadas de Eleanor em seu braço, enquanto esta o acompanhava até a saída da Ala Hospitalar.

Oh Deus, o toque daquela garota era tão diferente do de Gina; as mãos delicadas em sua pele, e os dedos delicados sempre deslizando sobre ela, marcando-a a fogo.

Balançou a cabeça, tentando despistar as lembranças, fazendo esta latejar, graças ao movimento brusco.

Pelo que Promfrey havia falado, ele não havia sofrido nenhum dano com a vassourada que recebera na cabeça, mas que ficaria com um roxo na testa por um tempo.

- Maldita ruiva! – disse entre os dentes.

- O que disse, querido? – Eleanor perguntou.

- Nada!

Girou os olhos e agradeceu aos Deuses quando a porta de madeira da Ala começou a se abrir, lhe dando a tão esperada passagem para o corredor.

Ah, mas Gina iria lhe pagar.

Caminhou sem pressa pelos corredores frios e vazios, e não pôde deixar de sentir um aperto no peito ao saber que dentro de si se encontrava daquela mesma forma; solitário, sem ninguém e opaco.

Os seus olhos marejaram quando passou por uma sala, e nesta pôde se lembrar das vezes que havia pegado Gina de surpresa, segurando-lhe a boca para não gritar, a arrastando para dentro daquela sala e assim passavam à tarde inteirinha juntos; beijando-se e conversando; rindo juntos e discutindo de brincadeira por algum motivo bobo.

Suspirou e jogou a cabeça para trás, num gesto que mostrava o seu estado de exaustão.

Uma mão tocou em seu rosto; e sentiu algo se engasgar em sua garganta ao perceber que aqueles dedos não eram os de Gina, que aquele calor não era dela, e aquele toque não era o da sua ruiva.

Olhou para o lado e encontrou os escuros olhos de Eleanor, que o fitava preocupada.

- O que você tem? - ela perguntou doce, fazendo-o suspira. Estava na hora de começar deixar as coisas bem claras.

Segurando a jovem pelos ombros, disse:

- Tenho que te falar uma coisa...- respirou fundo – Acho melhor terminar o nosso relacionamento. – direto, firme e rápido. Tudo o que uma mulher detestava!

Os olhos da morena se arregalarem e Harry pôde ver que as lágrimas começava a deixá-los mais brilhantes.

- É... é por causa dela não é? – Eleanor perguntou, entre um soluço e outro.

Se tinha algo que fazia Harry abaixar todas suas armas, era ver uma mulher chorando, e o pior, quando ele era o causador daquelas lágrimas.

Engoliu em seco e sentiu seus olhos margearem também, quando pensou por quantas vezes Gina deveria ter derramado lágrimas por sua causa.

A imagem dela com os olhos brilhantes no campo de Quadribol quando a ofendera de modo tão grosso penetrou em sua mente, fazendo-o sentir-se como se estivesse perdendo todo o sentido de viver.

O que fora fazer? Como fora se deixar levar pelo medo. Covarde! Isso que era, um verdadeiro covarde!

- Eu sinto muito. – foi a única coisa que disse, antes de soltar a morena e olhando-a pela última vez, caminhou rapidamente até o Salão Comunal da Grifinória.

Magoara mais uma pessoa.

Abaixando a cabeça, começou a correr.

Tudo bem que as coisas poderiam estar pretas para o seu lado, mas por que as pessoas que mais amava tinham que ser colocadas naquele maldito jogo entre o bem contra o mal?

Maldição! Voldemort o queria, então, por que jogar tão baixo e atingi-lo de uma forma sem um pingo de escrúpulos. Ameaçando as pessoas que tanto necessitava; como uma fonte para a sua vida. E o verme sabia que Gina para ele era a pessoa mais importante.

Aquela ruiva tinha um poder tão impressionante sobre si, que chegava a assustá-lo. Ela conseguia afastar todos os seus tremores com um único olhar. Perdia o fôlego vendo-a sorrir, e o som da gargalhada dela era a coisa mais bela que chegava a seus ouvidos.

- Eu vou acabar com você Voldemort. E tenho certeza que irei sentir muito prazer quando minha espada ultrapassar o seu coração. Se você tiver algum! – disse irônico, sorrindo maldosamente pelo canto dos lábios, enquanto balançava a cabeça para trás, afastando as rebeldes mechas negras da frente de seus olhos incrivelmente verdes.

Estralou os dedos das mãos quando se colocou em frente ao quadro da Mulher Gorda que ensaiava mais uma vez uma antiga canção de ópera.

Se falasse para ela fazer umas aulas de canto, será que ela iria deixá-lo entrar?

Balançou a cabeça. Não era uma boa idéia arriscar.

- Dente de Leão! – falou, e soltando uma sonora nota irritantemente fina o quadro se abriu.

Harry suspirou quando viu que o Salão estava vazio e passando a mão pelos cabelos foi até o seu dormitório, subindo as escadas calmamente.

Há quanto tempo ele, Rony e Hermione não sentavam juntos e conversavam?

Mesmo tentando não pensar, sentia falta dos momentos de travessuras deles, andando por Hogwarts à noite, embaixo de sua capa da invisibilidade.

Não podia culpá-los, já que preferiu se afastar um pouco dos amigos, por precaução; Hermione conversava com eles algumas vezes, e o tratava sempre com o mesmo sorriso carinhoso de uma verdadeira irmã. Rony sempre seria o seu maior amigo disposto sempre a ajudá-lo, mas naquele momento o ruivo deveria querer um pouco de distancia para esfriar a cabeça depois de ter presenciado a sua briga com Gina.

E quanto àquela ruiva? Aquela pimentinha de cabelos flamejantes que o fazia enlouquecer, tanto de prazer como de raiva.

- Chega! – disse a si mesmo, parando de subir a escada e cerrando com força seus dedos em todo do corrimão.

Queria proteger Gina, sim! Mas isso não lhe dava o direito de ter ofendido ela daquela maneira tão baixa no campo.

Sentiu seu coração parar de bater.

“Não é a mim que você tem que pedir desculpas, Harry”, A frase de Rony penetrou em sua mente, fazendo-a girar ao seu redor, deixando-o tonto por alguns segundos.

- Merda! – exclamou entre os dentes, a baixando a cabeça e cerrando os olhos com força.

Droga de vida! Maldita guerra e, acima de tudo, desgraçado era aquele amor que o corroia por dentro. Maldita ruiva que o fez conhecer, sentir e saborear o verdadeiro amor. Amar tão intensamente a ponto de dar sua vida por ela.

Chacoalhou a cabeça e respirou fundo antes de abrir os olhos e guiá-los para o fim da escadaria, que levaria ao seu dormitório e logo os moveu para o dormitório feminino, onde Gina deveria estar naquele instante; deitada, com as mãos ao longo do corpo, olhando as nuvens alem da janela, inerte a seus pensamentos, ou simplesmente deveria estar dormindo. Uma ótima hora para admirá-la, apenas uma vez, mais de pertinho.

- Talvez... Fosse uma boa hora para eu me desculpar. – falou, antes de bufar – Claro! Se quiser ser golpeado do outro lado por uma vassoura. Pare de ser idiota e achar que é sempre o culpado de tudo! – e, assim, continuou a subir.

Parecia que cada degrau era um obstáculo em sua vida, onde ele conseguia pular e deixá-lo para trás sem problemas algum, mas tinha apenas um que doía, cutucava a sua ferida e a cavava cada vez mais fundo; a solidão.

Chegando finalmente ao seu andar e caminhou cabisbaixo até o seu dormitório, em pensamentos penambulantes e em mil e uma maneiras de como se desculpar com Gina.

Colocou a mão na maçaneta da porta e sentiu a frieza desta lhe atravessar a pele da mão e percorrer seu corpo como uma cobra rastejando pelo chão, rapidamente para alcançar a sua caça tão ansiada.

- Acho que vou escrever um bilhete para ela, vai ser mais fácil e isso não vai causar mais uma discussão.- abrindo a porta entrou no dormitório, mas antes que pudesse sequer fechá-la, o que viu o fez ficar completamente sem fôlego; Gina estava bem ali, em frente para a janela com uma certa carta nas mãos, lendo-a compulsivamente, e as lágrimas rolavam pelo seu rosto.

Essa não, ela pegou a carta!, Pensou, fechando a porta num baque forte, chamando a atenção da ruiva, que o fitou através do reflexo da janela, erguendo os olhos numa forma que lhe mostrava os olhos; opacos e sem vida.

- O que faz aqui, Weasley? – Harry perguntou num tom frio, na tentativa de controlar o seu nervosismo, que começava a assombrá-lo.

Deveria ter queimado aquele maldito pedaço de papel velho!

Gina riu seu humor; uma risada tão fria que Harry chegou a pensar que seria capaz de chegar a dar inveja num iceberg.

- Acho que não é mais necessário teatro entre nos... Harry! – Ela o havia realmente chamado pelo primeiro nome? Como tantas vezes havia feito. Ah, senhor, como sentira falta dela o chamando daquela forma tão carinhosa e... intima!

Deu um passo a frente, ficando num lugar do quarto onde os raios de sol que entravam pelas persianas o iluminassem.

- Não entendo o que quer dizer. – respondeu, cruzando os braços. Caramba, ele era orgulhoso demais, e mesmo que Gina tivesse uma grande prova nas mãos, não ia se dar por vencido tão facilmente.

- Não? – ela exclamou, franzido o cenho e dando a volta nos calcanhares, virando-se para si, trêmula e com a voz agora, mais falha e baixa. Teve que segurar a respiração para poder escutá-la: - Então, deixa eu ver se assim isso que você chama de cérebro, pega no tranco.

Oh não, ela não iria fazer aquilo que estava pensando. Ia?

Gina ergueu a carta na altura dos olhos e num tom de voz irônico, começou a lê-la:

Caro Senhor Potter,

É com muito desgosto e tristeza que o deixamos informado que a guerra contra Você-Sabe-Quem, esta por logo a estourar e é por isso que pedidos que seja o mais discreto possível em seus atos para esses últimos meses.

O Ministério teve uma conversa com Dumbledore esses dias e o Diretor aceitou que seria muito bom, o Senhor se afastar um pouco das pessoas importantes para si, onde pensamos que Aquele-que-não-deve-ser-nomado esta atrás destas pessoas, somente para aproximar-se de si e feri-lo ainda mais com seus atos e planos tão pecaminosos.

Sentimos muito, pois imaginamos que estando no sétimo ano, poderia ser o seu melhor ano letivo, já que no fim deste irá se formar, mas nem tudo o que queremos pode se realizar.

Sentimos muito, e, por favor, aceite-as da melhor forma, já que todos aqui também sofrem por seus entes tão queridos que podem vir a falecer nesta guerra tão próxima.

Atenciosamente,

O Ministro.

Gina abaixou a carta bruscamente e encarou Harry com os olhos firmes e duros, fazendo-o estremecer e coçar a nuca, num gesto desengonçado.

- Agora a ficha caiu? – ela perguntou sarcástica, dando um leve sorriso forçado no canto dos lábios.

Harry olhou para a sua cômoda e viu que a gaveta desta estava aberta e algumas coisas suas estavam espalhadas por sua cama.

Por alguma razão a pergunta da ruiva desapareceu de sua mente como uma fumaça e no lugar desta uma raiva laborou-se.

- Você mexeu nas minhas coisas? – perguntou, fitando-a – Com que direito? – num gesto rápido, caminhou até a sua cama e passou por Gina, onde acidentalmente fez com que seu braço rosasse levemente no busto dela, fazendo com que ambos estremecessem com o contato tão ousado dos corpos.

Não dando chance para a ruiva perceber o seu estado, pegou suas coisas e jogou-as dentro da gaveta e fechou-a bruscamente.

- Com que direto? – Gina repetiu a pergunta depois de um tempo, como estivesse tentando sair do transe – O mesmo direito que eu tinha de saber o motivo de você ter terminado o nosso namoro.

Harry riu sem humor e aproximou-se dela, os narizes quase se roçando.

- Eu já lhe disse, Weasley... Eu não te amo mais!

- Mentiroso! – Gina exclamou sem hesitar, esfregando a carta no rosto dele – Essa carta diz tudo, Harry. Por que continuar mentindo tanto para mim como para você mesmo. Por Merlin, pára de ser orgulhosos e se permita, apenas uma vez, de ser feliz! – os olhos marejaram – Não apenas por você, querido, mas por mim também. – Querido!, Ah, como ele havia ansiado por ela chamá-lo daquela forma. Fechou os olhos por alguns segundos, tentando guardar novamente aquela doce palavra em sua mente.

- Eu... não... posso. – disse com a voz fraca, quando sentiu a respiração de Gina na curva de seu pescoço e os dedos da mão dela começarem a acariciar-lhe a nuca. Aquele era o gesto que ele havia falado, aquele era o calor que havia ansiado e o toque que tantas vezes o atormentara em suas noites.

- Você pode sim. – ela respondeu num tom de voz rouca e sensual – e eu sei que quer!

Era como estivesse caindo num poço sem fundo, sentindo as águas irem enchendo seus pulmões, não lhe dando a chance de respirar.

Precisa de oxigênio, e Gina estava recusando a dar-lhe.

A boca dela, macia e quente, roçou suavemente na sua, e quando seus olhos se encontraram, Harry sentiu novamente aquela sensação de plenitude e o amor arrebatasse em seu peito.

Foi como se um trovão caísse sobre sua cabeça, quando seu corpo estremeceu ao contado dos lábios dela no seu, despertando-o de toda aquela loucura.

Segurando a ruiva pelos ombros, a afastou de si, antes de caminhar até a janela, deixando-a a suas costas, paralisada e atônita por seu gesto inesperado.

Gina suspirou e passou a mão pelos cabelos.

Não podia negar que se surpreendera por aquela revelação; Harry não havia terminado com ela por não amá-la mais, mas sim por querer protegê-la de todo o mal que Voldemort ainda estava planejando.

Virando-se para o moreno, observou-o; uma das mãos se apoiava no parapeito da janela, enquanto a outra estava em sua cintura, os olhos verdes perdidos em algum canto do jardim.

- O que foi agora? – perguntou de repente, fazendo Harry ter um sobressalto e mover os olhos para si.

- Me esqueça, Gina. Acabou tudo entre nós! – ele respondeu, antes de abaixar a cabeça.

Foi como se o mundo houvesse despencado em suas costas e um buraco ia se abrindo, aos poucos, em baixo de si, e em segundos iria a engolir para o submundo.

A sua respiração pesou, e Gina sentiu um solavanco forte no peito. Céus! Seu coração estava tão acelerado que temeu que este pulasse para fora de seu corpo.

Umedeceu os lábios, e cotou até dez mentalmente; não iria perder a paciência com aquela anta desmamada. Não iria!

- Você está dizendo que mesmo depois de toda a sua farsa ter sido desmascarada, quer termina tudo o que houve entre nós? Enterrar o começo da nossa história como se ela nunca houvesse existido.

Harry engoliu em seco.

- Não é isso, eu somente acho que não estou pronto para um relacionamento sério. Principalmente com uma garota mais nova que eu!

Aquilo foi o bastante para que Gina perdesse toda a sua classe e paciência com ele.

Num gesto rápido, ela socou fortemente a porta aberta do armário ao seu lado e caminhou até si como uma fera preste a devorar a sua presa, sem ao menos deixar sobrar os ossos.

Ela segurou seu braço com força, cravando as unhas em sua carne, antes de virá-lo para ela e assim fuzilá-lo com as íris amêndoas.

- Escute bem, Potter...- ela começou, a voz rasa e sussurrada, como se ela estivesse pensando em cada silaba que diria, cada uma perigosamente – Eu não sei se você aprendeu a somar no primário, mas eu sou um ano mais nova que você! Também não sei o que na verdade você sente por mim, mas eu te amo. – Harry enrijeceu ao ouvir aquelas palavras e repreendeu-se ao ver um leve sorriso nos lábios da ruiva, mostrando a ele que ela havia percebido o seu nervosismo – E esse amor que sinto por você é a maior certeza que eu tenho em toda a minha vida. E graças a ele eu sou capaz de tudo; de morrer por você, de enfrentar qualquer obstáculo... Nunca irei abaixar a cabeça. Mas diferente de você, Harry, mesmo que eu fosse derrubada, eu iria me levantar e continuar enfrentando cada dificuldade com a cabeça erguida, e não abaixá-la e colocá-la entre as minhas pernas, como você está fazendo. – os olhos dela marejaram – Você não confiou em mim e não acreditou na minha força e muito menos na intensidade do meu amor. Você me subestimou, e disse a si mesmo que eu era uma imprestável que ainda se escondia embaixo da saia da própria mãe. Mas eu te respondo, Potter, que essa criança que você conheceu desde os onze anos, que você salvou das garras de Voldemort – Harry ficou impressionado ao vê-la dizer o nome do Lorde das Trevas sem hesitar – cresceu, que se transformou numa garota de verdade. Numa garota de dezesseis anos que enfrenta tudo e todos, que sabe segurar uma varinha e não treme na própria base. Mesmo você não querendo acreditar nisso, Harry, eu sei caminhar com as minhas pernas e sei muito bem me defender.

Gina soltou o braço dele, e deu um passo para trás, fazendo como que Harry visse perfeitamente cada contorno de seu rosto, cada lágrima que agora escorria.

Okay, Gina não era tão fraca como imaginara e naquele instante ela estava provando a ele que realmente honrava a casa da Grifinória, e continha mais coragem em suas veias do que pensara.

Algo úmido e salgado umedeceu sua boca e Harry percebeu que estava também chorando, uma lágrima escorrera por seu rosto e deslizara por sua pele, marcando-a em um caminho de felicidade e ao mesmo tempo tristeza.Gina fungou e encarando-o bem fundo perguntou num fio de voz:

- Você quer mesmo terminar o nosso namoro Harry? É somente dizer sim e nunca mais irei me meter no seu caminho. Nunca mais!

Harry sentiu os músculos e ossos de todo o seu corpo se contorcerem e estranhamente temeu que caísse no chão graças ao não poder mais conseguir sentir suas pernas que bambeavam.

Não que estivesse assustado, mas as palavras nunca mais o pegara de surpresa e desprevenido.

E agora, o que iria responder?

Estava entre uma faca de dois gumes, onde de um lado estava a sua felicidade e ao mesmo tempo o risco de perder a pessoa que mais amava numa maldita guerra, enquanto no outro lado estava a sua infelicidade, mas Gina tinha uma grande chance de sobrevier no final daquele pesadelo.

Agora ela estava bem ali, a um palmo de seu toque e de seus braços, implorando em silêncio para que ele não a recusasse.

Os olhos se encontraram e ele mergulhou naquele mar revolto de emoções mais puras que já vira e também já possuiria.

E, naquele instante, se perguntava como fora tão tolo ao notar a irmã de seu melhor amigo naquele seu último ano.

Gina crescera, amadurecera e se transformara na garota mais bela que já vira. Mas tal beleza que ele, cego, fora perceber quando estava na beira de um precipício, que se caísse, não saberia se voltara vivo ou morto.

- Harry...- ela o chamou quase num suplico e não conseguindo segurar mais as próprias emoções e desejos, ele correu até ela e a englobou em seus braços, espreitando-a fortemente contra o seu peito.

Gina riu entre os soluços e as lágrimas de felicidade e abraçando-o pelo pescoço, permitiu que Harry a rodopiasse no ar.

- Não, não, não! Claro que não, meu amor! – a pôs no chão e olhou-a – Eu não se como consegui viver todo esse tempo sem você. Oh Merlin, eu te amo tanto. Tanto! – beijou-a quase com desespero – me perdoa. Me perdoa por ter sido tão fraco, patético e sem escrúpulos. Eu não mereço seu amor!

- Shhh! – Gina muxoxou, calando-o com a pontinha de seus dedos, onde Harry sorrindo, segurou-os e mordiscou cada um, deslizando-os por sua boca – Já chega de se corroer, meu amor, agora estamos juntos.

- Para sempre! – e ainda sorrindo de orelha a orelha beijou-a.

Agora sim. Agora, Gina podia sentir todo o amor que tinha naquele beijo, que Harry havia repelido dos beijos anteriores.

As bocas se procuraram sedentas uma das outras, ansiosas pelo contato cada vez mais intimido.

Gina abraçou ainda mais o namorado pelo pescoço, enquanto este a segurava pela cintura, puxando-a para si, fazendo-a ficar na pontinha dos pés.

- Vejo que continua a mesma nanica, pimentinha! – Harry brincou, roçando sua boca na da ruiva que riu divertida.

- Cala a boca, Pato Potter!

Felizes, eles voltaram a se beijar, mostrando naquele contato todo o amor que sentiam um pelo outro, sensações que percorriam seus corpos como uma carga de eletricidade, unindo-os cada vez mais.

Harry sentiu que não era somente o seu coração que se misturava com o dela, batendo num mesmo compasso descontrolado em harmonia, mas sim suas almas, que se aglomeravam em volta deles.

Entreabriu os lábios e deslizando a pontinha de sua língua pela boca de Gina, fez com que ela abrisse sua boca dando-lhe a passagem tão esperada, e quando sua língua, quente e úmida, tocou na dela, foi como se tudo estivesse girando tão rápido que a qualquer momento poderia perder os sentidos.

Abraçou-a com mais força contra si, como se quisesse se fundir naquele corpo miúdo e delicado que se aconchegava em si como uma gatinha manhosa.

Mordiscou-lhe o lábio inferior, e assim começou uma nova busca selvagem pela língua dela, que se enroscava na sua como uma cobra em sua dança de acasalamento.

Tudo era em pura sincronia perfeita.

As caricias, o beijo e os gemidos de prazer.

Deslizou suas mãos pelas costas dela, e enterrou seus dedos nos cachos ruivos, enquanto Gina arranhava sua barriga por de baixo de sua blusa, arrepiando-o por inteiro.

Sem perceber o que estava fazendo, eles andaram lentamente até a cama de Harry.

Gina gemeu quando sentiu sob suas costas o fofo colchão e o gelado cobertor em contato com a sua pele.

Harry afastou a cabeça e fitou-a com os olhos verdes brilhando de puro amor. As íris esmeraldas brilhavam intensamente e Gina sentiu-se a mulher mais feliz do mundo naquele instante nos braços do amado.

Harry sorriu malicioso, enquanto engatinhava pela cama até chegar na altura de sua cabeça e olhá-la como se fosse uma Deusa.

- O que foi? – Gina perguntou baixinho, se ajeitado melhor sob o corpo de Harry que estava sobre o seu, aquecendo-a por inteiro como chamas a possuí-la.

- Nada – ele respondeu, começando a ficar sério – só estava vendo o tanto que fui tolo. Eu quase te perdi. – as mechas negras caiam-lhe sobre o rosto firme, e Gina sorrindo, delineou os lábios dele com o dedo indicador para logo o subir para as covinhas e por fim para a cicatriz em forma de raio. Segurando-o pela nuca, fez com que Harry abaixasse a cabeça e assim ela beijou-lhe a testa, no lugar onde estava a tão famosa marca.

- Você sempre foi um tolo, Harry. – disse divertida – Mas é o meu tolo. Você é uma metade de mim, e ficar sem você aqui do meu lado dói. Vamos esquecer o passado e aproveitar esse momento tão mágico. – beijou-o e não conseguiu repelir um gemido quando as mãos dele começaram a percorrer a extensão de seu corpo numa caricia mais ousada.

Investiu seu corpo contra o dele, fazendo-o gemer.

Harry a abraçou com carinho e continuou a beijá-la; na boca, no queixo, no pescoço.

Os longos dedos ágeis encontraram os primeiros botões da blusa dela, olhou para a ruiva perguntando se poderia continuar e ela como resposta sorriu.

Gina prendeu a respiração e fechou os olhos quando percebeu que sua pele ia cada vez mais sendo destampada, enquanto Harry ficava com a boca seca, beijando cada espaço recém-descoberto, marcando-o com o seu toque, mostrando quem era o verdadeiro dono daquele território.

As mãos deles percorriam sua pele tanto a do seu ventre como a de suas pernas.

Gemeu quando os lábios de Harry tocaram na curva de seu seio, e como resposta agarrou-lhe o cabelo.

Estava cometendo uma verdadeira loucura com aquilo tudo, mas a saudade era tanta que Gina não se importava. Queria somente continuar; se entregar a Harry e conhecer o tão famoso paraíso nos braços do homem que tanto amava e que iria, finalmente, transformá-la numa mulher.

- Harry! – exclamou o nome dele quando num gesto decisivo ele tirou-lhe a blusa.

- Gina! – ele respondeu, pegando as mãos da ruiva e guiando-as para os botões de sua blusa, onde em poucos segundos juntava-se a sua no chão.

As caricias continuaram, cada vez mais quentes, ousadas e excitantes. Fazendo-os estremecerem em pela vertigem.

O sangue fervia e borboletas pareciam voar entre suas veias.

Gina sentia seu corpo todo dormente, e sabia que Harry também se encontrava da mesma forma.

Deslizou suas unhas pelas costas másculas e firmes, arrepiando-o intensamente.

Mas, de repente, Harry parou, estacou como se houvesse recuperado a razão.

Ele ergueu a cabeça e num gesto afastou as madeixas rebeldes de seus olhos.

- Gi – ele falou, seu nome num tom tão carinhosos que a fez sentir-se emocionada – Eu sei que nunca lhe dei razão para confiar em mim, mas... Apenas uma vez, meu amor, deixe-se levar e acredite em mim e confie.

Gina sorriu surpresa pela atitude do moreno, que não estava pedindo para que eles parassem, mas que sim que ela se entregasse a ele. Que ela fosse dele.

Respirado fundo, tentando controlar a sua respiração alterada, Gina se aconchegou melhor entre aqueles braços fortes e o corpo atlético e olhando bem no fundo daquele mar esverdeado, respondeu:

- Eu sempre confiei em você, Harry! – naquele momento Gina nunca vira um sorriso tão belo como aquele que Harry lhe deu ao ouvir aquelas palavras.

Sentiu como se fosse uma barra de mel e que aos poucos estava sendo derretida por um calor infernal. Como se ambos estivessem com uma febre altíssima.

- Eu amo você! – Harry murmurou antes de beijá-la com ardor.

Naquele dia, eles não uniram somente os corações e as almas, mas sim os corpos em plena perfeição.

Harry não fez amor com Gina, ele a adorou, ele a amou e acima de tudo a fez mulher.

O que o destino os reservava? Ninguém poderia dizer, mas eles sempre saberiam, que no fim de tudo eles sempre seriam Harry e Gina.

E por apenas uma vez, eles poderiam dizer a todos que foram feitos um para o outro e que aquele amor, incondicional, fora consumido nas chamas do prazer.

FIM