Fic

CHÁ DAS CINCO
por Alex Oliver Lupin e Alex Nox


2º lugar no I Challenge de Personagens Figurantes do Fórum do 3V. Descobrimos vários episódios interessantes da vida de Albus Dumbledore e seus irmãos, Archie e Aberforth.

Ship: - | Classificação: PG13 | Gênero: Comédia/ShortFic | Spoilers: 5 | Capítulos: 1 | Status: Completa | Idioma: Português | Observação: Em Hogwarts | Publicada em: 29/10/2006 | Atualizada em: 29/10/2006

Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos.




Atenção: Essa fic se passa depois do final do quinto livro, antes do começo do sexto. Nesse momento Albus ainda não tinha uma mão queimada, estava vivo, alegre, feliz e saltitante.

Albus Dumbledore olhou por sua janela e suspirou. Por que exatamente naquele dia o céu precisaria estar nublado? Não que se importasse tanto, mas um dia ensolarado com certeza alegra o espírito de qualquer um.

Baque. Sua linha de pensamento foi interrompida e ele deu um salto. Em seguida, abriu a janela correndo para não deixar a coruja desembestada escorregar pelo vidro e cair Hogwarts abaixo. Pelo menos as corujas desavisadas e desnorteadas eram engraçadas.

Ele desamarrou a carta da perna da coruja e deixou-a afundar no pote de água do poleiro de Fawkes, que pareceu um tanto incomodada com a intrusa.

Acho que achei algum parente próximo da coruja dos Weasley, pensou Dumbledore enquanto abria a carta.

Caro Albus,

Chegarei às quatro da tarde para o chá. Aberforth, para variar, me avisou que chegará atrasado. Velho gagá.

Sinceramente seu,

Archie

Albus sorriu. Eram seus dois irmãos, que havia marcado para o chá das cinco daquele dia. As duas coisas que mais prezava no mundo, que sempre vinham pedir ajuda quando precisava. Depois que sua mãe morrera há certo tempo atrás, era a única coisa que Aberforth e Archibald tinham.

— Seus dois irmãos pirados? — perguntou uma voz atrás dele.

O diretor de Hogwarts se virou e viu que Sir Cadogan, o cavaleiro andante, havia vindo tomar o chá das cinco no quadro de Phineas Nigellus, acompanhado de Abraxas Malfoy e Phileas Fogg.

— São eles mesmo — disse Albus, sorrindo.

— Sabe, deveria desafiá-los para um duelo uma hora — disse Sir Cadogan — Aliás, deveria desafiar VOCÊ para um duelo, cão sarnento!

— A qualquer hora que quiser, troll pulguento! — respondeu Albus ainda sorrindo.

Sir Cadogan sacou sua espada.

— Estou de olho no senhor — e apontou para os olhos.

Albus deu uma risada seca e foi a um canto da sala, onde havia uma harpa. Um de seus prazeres favoritos era tocar aquele instrumento. Era o mais calmo de todos, e também agradava a Fawkes.


Aberforth Dumbledore passou a mão pelos cabelos grisalhos completamente oleosos, suados e revoltos. Estava atrasado, para variar. Que podia fazer se um auror o pegara com um bule de chá que tem fetiche por morder narizes? Ele gostava de comprar coisas para avacalhar com a vida dos trouxas. Era divertido.

Andava de bicicleta por Hogsmeade. Sim, realmente era uma idéia ridícula tentar atravessar o Reino Unido inteiro de bicicleta, mas que podia fazer se sua licença para usar magia havia sido confiscada depois do incidente com a cabra?

Aliás, era uma história para contar a Albus, ele sempre pedia para esclarecê-la e Aberforth nunca tinha a oportunidade. Ele adorava aqueles chá das cinco com seus irmãos. Era engraçado ver Albus de avental fazendo muffins à moda trouxa.

Hora de deixar de lado os pensamentos de Aberforth Dumbledore e optar por uma descrição física do personagem, já que é mais importante ao leitor ansioso. Aberforth era baixo e magricela, usava vestes marrons um tanto maiores que o necessário, sujas e rotas, tinha olhos azuis escondidos atrás de enormes óculos redondos fundo-de-garrafa, e bigode e cavanhaque grisalhos e espetados para frente.

Assim, Aberforth galopou em sua bicicleta e atravessou os portões de Hogwarts.


— Não me interessa! Está aqui o seu maldito dinheiro, agora deixe-me levar isso!

— Mas senhor… — implorava o vendedor, se controlando furiosamente para não sair rolando de rir.

— Nem mas nem meio mas! Isso é meu porque o comprei!

E assim Archibald Dumbledore saiu de uma boutique trouxa no centro de Edinburgh vestindo uma saia rodada de tule com camisa regata e uma touca de banho, tudo de cor rosa. Muito satisfeito com sua nova aquisição, saiu andando pomposamente pela rua. Um pouco à frente, encontrou um carrinho com um lindo bebê loiro parado na calçada.

— Gugu-dada.

— Gugu-dada para você também, sua coisinha fofa! — disse Archibald sorrindo contente.

O bebê encarou o velho feio e seu rosto se fechou…

Oh, não.

Archibald viu o rosto se contorcer e os olhos se apertarem

Ooooooh não.

O bebê abriu a bocarra sem dentes e abriu o maior berreiro ao ver a figura feia e extraordinária. Ora essa, aquela coisa rosa-choque poderia ser um ET ou um bicho-papão!

Seu pranto era tão alto que chamou a atenção de todos os transeuntes. Archibald começou a se desesperar e coçou a cabeça pensando no que fazer. Assim, começou a fazer caretas e a mostrar a língua, o que não apenas se mostrou inútil como fez o rosto da criança parecer uma cachoeira.

— Que diabo está fazendo com meu filho, seu travesti nojento??

Oh, claro. A mãe do bebê. Só para tornar seu dia mais fácil.

— Com licença, senhora, não sou por quem me toma…

— Ora essa, vá se reunir a seu amigo?

— Que amigo?

— Michael Jackson!

A mãe da criança deu-lhe um belo tapa no rosto que quase quebrou-lhe o pescoço (ele virou a cabeça para o lado) e logo Archibald viu que estava ferrado. Todas as pessoas em volta olhavam para ele com dentes de fora e olhos raivosos, indicando que estavam prestes a dar-lhe uma surra. Claro, eles pensavam que pretendia abusar da criança.

Hora de cair fora.

Quando o primeiro mal-encarado a acariciar os punhos se agachou para pular sobre ele, Archibald aparatou. Todos caíram uns sobre outros formando um enorme montinho de gente no meio da rua, enquanto a mãe ia embora revoltada empurrando o carrinho.


Albus Dumbledore dedilhou as últimas notas de uma música e olhou a hora em seu relógio de bolso, que como era de se esperar tinha três ponteiros e indicava onde cada um dos três irmãos estava.

— Ótimo, Aberforth já está chegando!

Não deu nem um segundo e Aberforth abriu a porta do gabinete do diretor.

— Olá, Albus!

Albus se levantou e abraçou o irmão.

— Olá, Aberforth!

— Archie já está chegando?

— De acordo com meu relógio, sim.

Albus se afastou do irmão e conjurou, no meio de seu escritório, uma mesa com bule de chá e um fogão. Logo, ele também estava vestido de avental.

— Farei os muffins pessoalmente, como vocês gostam — disse Albus sorrindo.

Aberforth deu um sorriso amarelo. Albus podia ter inúmeras qualidades, mas a culinária definitivamente não era uma delas.

— Ainda usando a bicicleta?

— Que posso fazer? Não tenho a mínima idéia de como dirigir um carro…

Albus coçou a cabeça. — Você poderia comprar uma moto enfeitiçada, tal como a que Sirius Black tinha.

— Albus, vocês esqueceu que não posso usar magia?

Albus sorriu — Quem disse que alguém precisa saber? E em segundo lugar, não foi você quem enfeitiçou e não é um apetrecho tipicamente mágico, portanto não haveria muito problema com as autoridades.

— Pensarei nisso…

Em seguida a porta foi aberta de supetão e a bizarra figura de Archibald Dumbledore irrompeu no recinto, com sua saia de tule e sua touca de banho. Aberforth e Albus não resistiram e irromperam em gargalhadas, fazendo o suado e corrido Archie enrubescer.

— Qual é o problema? — perguntou ele. — Não gostaram do meu novo chapéu?

— Archie — disse Aberforth, entre risadas — Isso não é um chapéu!

— Os trouxas usam isso para tomar banho!! — exclamou Albus.

— E aliás, a sua saia também não está abaixo da média…

— Isso é uma SAIA?? Pensei que fosse um kilt um pouco grande!!

Archie estava mais vermelho que um pimentão.

Depois de se recuperar de seu ataque de risadas, Albus se recompôs e disse:

— Talvez fosse melhor você trocar de roupa…

— Meu caro Albus, acho melhor não já que gosto de sentir uma certa brisa em minhas partes baixas, como bem sabe!

Aberforth deu outra risada.

— Foi o seu mesmo argumento na Copa Mundial de Quidditch!

— Oh, sim, quando ele vestiu a camisola florida! — lembrou-se Albus — Vocês me contaram essa.

— Olhe, eu estava tentado a levar um vestido de baile! — disse Archibald.

Depois de Archibald se trocar por vestes de Albus, ele e Aberforth se sentaram nas poltronas enquanto o diretor de Hogwarts preparava os muffins no forno.

— Nós não te contamos como conseguimos os ingressos da Copa — disse Archibald.

— Não fui eu quem lhes dei? — indagou Albus.

— Na verdade, não. Lembra-se daquela certa espanhola, a Maria Arregaçada?

— Claro que me lembro — disse Albus, coçando a barba — Ela chegou a fazer um certo favor a Percy Weasley em seu ano como veterano!

— Bem, ela surrupiou os ingressos de ninguém mais do que Adolphus Paddingale e os deu a mim quando fui, bem, visitá-la às vésperas da Copa.

— Não me diga! — disse Albus, sorrindo — Maria Arregaçada e Adolphus Paddingale!

— Foram encontrados atrás da cortina do Baile de Inverno do Ministério da Magia! — disse Archibald, sorrindo.

— Por essa eu definitivamente não esperava! — disse Albus muito bem humorado — A propósito, Aberforth, você ainda não me contou a história da sua cabra...

— Bem que eu achei que estava esquecendo algo. Você sabe como a minha linda memória é!

— Linda e furada, como a pele de um Troll — exclamou Archibald baixinho, as provocações sempre foram o seu forte. As piadas com Trolls também!

— Archie, cala a boca! — disse Aberforth — Então, eu havia ganhado aquela linda cabra branca de uma grande amiga minha, a madame Tressilian. Ela era linda e eu gostava muito dela.

— Tanto que ele a enfeitiçou para sair voando e dejetando na cabeça de trouxas — acrescentou Archibald divertido — Pelo amor de Merlin, até os aurores tiveram que inferir, achando que fosse uma coisa das trevas.

— Como uma cabra branca e linda pode ser das trevas? — perguntou Albus interessado.

— Digamos que no momento ela estivesse preta e cuspindo fogo... —disse Aberforth constrangido — Mas deixe-me começar pelo começo, Archie, afinal eu AINDA sou mais velho que você...

Albus quase abriu a boca para falar que Aberforth, sempre seria mais velho que Archibald, mas achou melhor deixar para lá...

— Bom, lá estava eu, embasbacado com a minha linda cabra, quando Archibald entra na minha casa.

— Embasbacado é pouco — disse Aberforth, encarando o forno, que estava tremendo — ele estava fazendo teatrinho de sombras para a cabra. Um teatrinho de sombras muito obsceno por sinal!!!

— Archibald Wolfgang Gustav Thomas Dumbledore, feche nesse exato instante essa sua coisa que você chama de boca! — Aberforth começara a se irritar e sua face estava adquirindo um tom púrpura — continuando, ele entrou e eu tomei um susto. Atrás de mim estava borbulhando o meu caldeirão com uma poção que emitia luz. Ele me deu um susto tão grande que eu caí para trás e derrubei o caldeirão. A mistura de espalhou rapidamente pelo chão. Eu subi numa poltrona e Archie na mesa. Mas a minha cabra, ingênua como cabras são, achou uma ótima idéia dar uma lambedela na poção. Ela mal havia tocado na superfície límpida da solução quando ela começou a brilhar nos olhos. No momento seguinte ela estava cuspindo fogo...

Albus revirou os olhos e disse:

— Eu sempre falei para você não juntar saliva de dragão com escamas de lagarto...

— Como você sabe?

— Eu conheço os efeitos...

— De qualquer jeito. Eu estava desesperado. Como que a minha pobre cabrinha poderia ficar daquele jeito?? Eu resolvi lançar um contra-feitiço que seria o suficiente.

— Vale lembrar que ele estava gaguejando nessa hora. — Archibald não desistia de irritar seu irmão. Sempre fora assim, desde que eram pequenos.

— Sim, eu estava. A gagueira que acabou com tudo. O meu contra-feitiço não deu muito certo. Eu sem querer a fiz voar.

— Mas isso ainda não é tudo... Ele ainda pulou sobre a cabra e os dois caíram no fogo. Ele ficou com uma bolha gigante na...

— Archie, mantenha os modos — Albus, o irmão mais velho era muito severo quanto a isso.

— Bom, e a pobre cabra ficou toda chamuscada — terminou Aberforth — essa é a história.

— Não termine a história agora, ela está começando a ficar legal — reclamou Archibald. Aberforth fulminou-o com o olhar — então eu mesmo continuo. A cabra saiu voando pelo céu nublado, muito parecido com o de hoje a propósito, e dejetando sobre a cabeça de uma velhinha. Ela começou a gritar ao ver a cabra macabra e mandou uma mensagem pela Rede do Floo para o Escritório de Aurores.

— Enquanto isso a cabra já havia dejetado sobre a cabeça da irmã gêmea da velha. — Aberforth parecia estar se divertindo também — Saíram das duas, uma com uma adaga e uma com um castiçal na mão, para bater em nós. A velha com o castiçal, agora não consigo dizer, qual das duas, me acertou com o castiçal nas costas. Desde então não consigo mais me alongar direito.

— Sim, mas a outra simplesmente tacou a adaga em mim, fazendo essa cicatriz aqui: — Archibald então levantou a barra de suas vestes, mostrando a tatuagem de um coração escrito: Maria Arregaçada — Ops, perna errada — Aberforth e Albus se matavam de rir enquanto Archibald, vermelho de vergonha, levantava a outra barra — Aqui está! — anunciou ele triunfante.

Nesse momento Albus caiu da cadeira de tanto rir.

— Você chama isso de cicatriz? Para mim parece mais uma picada de pernilongo...

— Como você é simpático, querido irmão — disse Aberforth, vendo à sua frente a chance da revanche contra Archibald — você precisava ver o escândalo que ele fez por causa disso. Não chegou nem a sangrar direito. Mas nesse momento os aurores chegaram, e eu não lembro mais de nada, tirando de acordar em casa, com a varinha quebrada e uma proibição de usar magia...

— Albus, não há nada de errado com o seu forno?

— Por que haveria de haver? — perguntou Albus.

— Isso foi uma redundância, eu acho... — Aberforth havia se apaixonado pela gramática depois que perdera a varinha.

— Bom, porque ele está tremendo consideravelmente — disse Archibald ignorando Aberforth.

— Não acho que seja um problema — disse Albus

Nesse exato momento o forno emitiu um barulho estranho, como se estivesse dizendo: É sim um grande problema, seu cozinheiro de meia tigela! No momento seguinte o forno explodiu lançando pedaços de muffins para tudo quanto é lado. Incrivelmente, o fogo não se alastrou.

— Talvez fosse um problema sim... — disse Archibald tirando massa de chocolate de sua testa — Quem sabe seria melhor pedir para um elfo doméstico trazer muffins prontos. Eles pelo menos acertam a textura!

— Você quer dizer temperatura? — perguntou Albus, que estava se divertindo com aquilo tudo.

— Também... A propósito você tem um pouco de alguma coisa estranha no seu chapéu...

Albus levantou a varinha e toda a sujeira sumiu.

— Dobby! — disse Albus então.

Um elfo doméstico usando uma exótica combinação de roupas, dignas da saia de tule de Archibald.

— Sim, senhor, professor Dumbledore! — falou o elfo prontamente com a vozinha esganiçada.

— Eu preciso de bolinhos, muffins para ser exato, por favor!

— E uma garrafa de xerez — acrescentou Archibald

— Sem xerez, Dobby — cortou Albus, ele já conhecia o seu irmão, bem demais...

— Sim senhor, professor!

Quando Dobby sumiu do lugar que estava, Albus se aproximou de uma das milhões de prateleiras de seu escritório e puxou um álbum de couro escrito: A. Dumbledore.

Esse álbum era uma antiguidade de família. Todos na sua família começavam com a letra A. Albus, Archibald e Aberforth eram os filhos, Alfred e Arlinda eram os pais. Sempre haviam sido uma família feliz.

Albus sentou-se em sua poltrona e seus irmãos se colocaram logo atrás dele. Lá estavam as fotos dos três pequenos correndo de lá para cá. Lá estava a foto de quando Aberforth, que sempre fora acima do peso, estava entalado num cano. Lá estava a primeira festa dele. Albus e Aberforth perfeitamente vestidos, já Archibald estava definitivamente errado. O vestido de baile não lhe caía muito bem.

Dobby voltou nesse momento com os muffins.

— Aqui está senhor, tomei a liberdade de trazer também chá. Earl Grey como o senhor gosta.

— Obrigado, Dobby — agradeceu Albus polidamente. Uma profunda tristeza o havia agarrado no momento. Talvez ele, já que era o mais inteligente, soubesse que aquele seria o último encontro dos três, talvez não. Mas após esse encontro, eles nunca mais se reuniram para o seu tradicional chá das cinco.

FIM

N/A: Esse final ficou um pouco deprê. Eu queria fazer essa fic pré-HBP, mas esse final me pareceu tão apropriado. Nós tivemos no livro seis uma despedida de Harry ao nosso querido professor Albus Dumbledore. Também tivemos a despedida do mundo mágico. Mas e a sua família? Essa fic eu escrevo em homenagem a minha irmã, à qual eu também tive que me despedir.

Atenciosamente,

Alex Oliver Lupin