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2º lugar no I Challenge de Personagens Figurantes do Fórum do 3V. Descobrimos vários episódios interessantes da vida de Albus Dumbledore e seus irmãos, Archie e Aberforth. Ship: - | Classificação: PG13 | Gênero: Comédia/ShortFic | Spoilers: 5 | Capítulos: 1 | Status: Completa | Idioma: Português | Observação: Em Hogwarts | Publicada em: 29/10/2006 | Atualizada em: 29/10/2006 Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos. Atenção: Essa fic se passa depois do final do quinto livro, antes do começo do sexto. Nesse momento Albus ainda não tinha uma mão queimada, estava vivo, alegre, feliz e saltitante. Albus Dumbledore olhou por sua janela e suspirou. Por que exatamente naquele dia o céu precisaria estar nublado? Não que se importasse tanto, mas um dia ensolarado com certeza alegra o espírito de qualquer um. Baque. Sua linha de pensamento foi interrompida e ele deu um salto. Em seguida, abriu a janela correndo para não deixar a coruja desembestada escorregar pelo vidro e cair Hogwarts abaixo. Pelo menos as corujas desavisadas e desnorteadas eram engraçadas. Ele desamarrou a carta da perna da coruja e deixou-a afundar no pote de água do poleiro de Fawkes, que pareceu um tanto incomodada com a intrusa. Acho que achei algum parente próximo da coruja dos Weasley, pensou Dumbledore enquanto abria a carta. Caro Albus, Chegarei às quatro da tarde para o chá. Aberforth, para variar, me avisou que chegará atrasado. Velho gagá. Sinceramente seu, Archie Albus sorriu. Eram seus dois irmãos, que havia marcado para o chá das cinco daquele dia. As duas coisas que mais prezava no mundo, que sempre vinham pedir ajuda quando precisava. Depois que sua mãe morrera há certo tempo atrás, era a única coisa que Aberforth e Archibald tinham. — Seus dois irmãos pirados? — perguntou uma voz atrás dele. O diretor de Hogwarts se virou e viu que Sir Cadogan, o cavaleiro andante, havia vindo tomar o chá das cinco no quadro de Phineas Nigellus, acompanhado de Abraxas Malfoy e Phileas Fogg. — São eles mesmo — disse Albus, sorrindo. — Sabe, deveria desafiá-los para um duelo uma hora — disse Sir Cadogan — Aliás, deveria desafiar VOCÊ para um duelo, cão sarnento! — A qualquer hora que quiser, troll pulguento! — respondeu Albus ainda sorrindo. Sir Cadogan sacou sua espada. — Estou de olho no senhor — e apontou para os olhos. Albus deu uma risada seca e foi a um canto da sala, onde havia uma harpa. Um de seus prazeres favoritos era tocar aquele instrumento. Era o mais calmo de todos, e também agradava a Fawkes. Aberforth Dumbledore passou a mão pelos cabelos grisalhos completamente oleosos, suados e revoltos. Estava atrasado, para variar. Que podia fazer se um auror o pegara com um bule de chá que tem fetiche por morder narizes? Ele gostava de comprar coisas para avacalhar com a vida dos trouxas. Era divertido. Andava de bicicleta por Hogsmeade. Sim, realmente era uma idéia ridícula tentar atravessar o Reino Unido inteiro de bicicleta, mas que podia fazer se sua licença para usar magia havia sido confiscada depois do incidente com a cabra? Aliás, era uma história para contar a Albus, ele sempre pedia para esclarecê-la e Aberforth nunca tinha a oportunidade. Ele adorava aqueles chá das cinco com seus irmãos. Era engraçado ver Albus de avental fazendo muffins à moda trouxa. Hora de deixar de lado os pensamentos de Aberforth Dumbledore e optar por uma descrição física do personagem, já que é mais importante ao leitor ansioso. Aberforth era baixo e magricela, usava vestes marrons um tanto maiores que o necessário, sujas e rotas, tinha olhos azuis escondidos atrás de enormes óculos redondos fundo-de-garrafa, e bigode e cavanhaque grisalhos e espetados para frente. Assim, Aberforth galopou em sua bicicleta e atravessou os portões de Hogwarts. — Não me interessa! Está aqui o seu maldito dinheiro, agora deixe-me levar isso! — Mas senhor… — implorava o vendedor, se controlando furiosamente para não sair rolando de rir. — Nem mas nem meio mas! Isso é meu porque o comprei! E assim Archibald Dumbledore saiu de uma boutique trouxa no centro de Edinburgh vestindo uma saia rodada de tule com camisa regata e uma touca de banho, tudo de cor rosa. Muito satisfeito com sua nova aquisição, saiu andando pomposamente pela rua. Um pouco à frente, encontrou um carrinho com um lindo bebê loiro parado na calçada. — Gugu-dada. — Gugu-dada para você também, sua coisinha fofa! — disse Archibald sorrindo contente. O bebê encarou o velho feio e seu rosto se fechou… Oh, não. Archibald viu o rosto se contorcer e os olhos se apertarem Ooooooh não. O bebê abriu a bocarra sem dentes e abriu o maior berreiro ao ver a figura feia e extraordinária. Ora essa, aquela coisa rosa-choque poderia ser um ET ou um bicho-papão! Seu pranto era tão alto que chamou a atenção de todos os transeuntes. Archibald começou a se desesperar e coçou a cabeça pensando no que fazer. Assim, começou a fazer caretas e a mostrar a língua, o que não apenas se mostrou inútil como fez o rosto da criança parecer uma cachoeira. — Que diabo está fazendo com meu filho, seu travesti nojento?? Oh, claro. A mãe do bebê. Só para tornar seu dia mais fácil. — Com licença, senhora, não sou por quem me toma… — Ora essa, vá se reunir a seu amigo? — Que amigo? — Michael Jackson! A mãe da criança deu-lhe um belo tapa no rosto que quase quebrou-lhe o pescoço (ele virou a cabeça para o lado) e logo Archibald viu que estava ferrado. Todas as pessoas em volta olhavam para ele com dentes de fora e olhos raivosos, indicando que estavam prestes a dar-lhe uma surra. Claro, eles pensavam que pretendia abusar da criança. Hora de cair fora. Quando o primeiro mal-encarado a acariciar os punhos se agachou para pular sobre ele, Archibald aparatou. Todos caíram uns sobre outros formando um enorme montinho de gente no meio da rua, enquanto a mãe ia embora revoltada empurrando o carrinho. Albus Dumbledore dedilhou as últimas notas de uma música e olhou a hora em seu relógio de bolso, que como era de se esperar tinha três ponteiros e indicava onde cada um dos três irmãos estava. — Ótimo, Aberforth já está chegando! Não deu nem um segundo e Aberforth abriu a porta do gabinete do diretor. — Olá, Albus! Albus se levantou e abraçou o irmão. — Olá, Aberforth! — Archie já está chegando? — De acordo com meu relógio, sim. Albus se afastou do irmão e conjurou, no meio de seu escritório, uma mesa com bule de chá e um fogão. Logo, ele também estava vestido de avental. — Farei os muffins pessoalmente, como vocês gostam — disse Albus sorrindo. Aberforth deu um sorriso amarelo. Albus podia ter inúmeras qualidades, mas a culinária definitivamente não era uma delas. — Ainda usando a bicicleta? — Que posso fazer? Não tenho a mínima idéia de como dirigir um carro… Albus coçou a cabeça. — Você poderia comprar uma moto enfeitiçada, tal como a que Sirius Black tinha. — Albus, vocês esqueceu que não posso usar magia? Albus sorriu — Quem disse que alguém precisa saber? E em segundo lugar, não foi você quem enfeitiçou e não é um apetrecho tipicamente mágico, portanto não haveria muito problema com as autoridades. — Pensarei nisso… Em seguida a porta foi aberta de supetão e a bizarra figura de Archibald Dumbledore irrompeu no recinto, com sua saia de tule e sua touca de banho. Aberforth e Albus não resistiram e irromperam em gargalhadas, fazendo o suado e corrido Archie enrubescer. — Qual é o problema? — perguntou ele. — Não gostaram do meu novo chapéu? — Archie — disse Aberforth, entre risadas — Isso não é um chapéu! — Os trouxas usam isso para tomar banho!! — exclamou Albus. — E aliás, a sua saia também não está abaixo da média… — Isso é uma SAIA?? Pensei que fosse um kilt um pouco grande!! Archie estava mais vermelho que um pimentão. Depois de se recuperar de seu ataque de risadas, Albus se recompôs e disse: — Talvez fosse melhor você trocar de roupa… — Meu caro Albus, acho melhor não já que gosto de sentir uma certa brisa em minhas partes baixas, como bem sabe! Aberforth deu outra risada. — Foi o seu mesmo argumento na Copa Mundial de Quidditch! — Oh, sim, quando ele vestiu a camisola florida! — lembrou-se Albus — Vocês me contaram essa. — Olhe, eu estava tentado a levar um vestido de baile! — disse Archibald. Depois de Archibald se trocar por vestes de Albus, ele e Aberforth se sentaram nas poltronas enquanto o diretor de Hogwarts preparava os muffins no forno. — Nós não te contamos como conseguimos os ingressos da Copa — disse Archibald. — Não fui eu quem lhes dei? — indagou Albus. — Na verdade, não. Lembra-se daquela certa espanhola, a Maria Arregaçada? — Claro que me lembro — disse Albus, coçando a barba — Ela chegou a fazer um certo favor a Percy Weasley em seu ano como veterano! — Bem, ela surrupiou os ingressos de ninguém mais do que Adolphus Paddingale e os deu a mim quando fui, bem, visitá-la às vésperas da Copa. — Não me diga! — disse Albus, sorrindo — Maria Arregaçada e Adolphus Paddingale! — Foram encontrados atrás da cortina do Baile de Inverno do Ministério da Magia! — disse Archibald, sorrindo. — Por essa eu definitivamente não esperava! — disse Albus muito bem humorado — A propósito, Aberforth, você ainda não me contou a história da sua cabra... — Bem que eu achei que estava esquecendo algo. Você sabe como a minha linda memória é! — Linda e furada, como a pele de um Troll — exclamou Archibald baixinho, as provocações sempre foram o seu forte. As piadas com Trolls também! — Archie, cala a boca! — disse Aberforth — Então, eu havia ganhado aquela linda cabra branca de uma grande amiga minha, a madame Tressilian. Ela era linda e eu gostava muito dela. — Tanto que ele a enfeitiçou para sair voando e dejetando na cabeça de trouxas — acrescentou Archibald divertido — Pelo amor de Merlin, até os aurores tiveram que inferir, achando que fosse uma coisa das trevas. — Como uma cabra branca e linda pode ser das trevas? — perguntou Albus interessado. — Digamos que no momento ela estivesse preta e cuspindo fogo... —disse Aberforth constrangido — Mas deixe-me começar pelo começo, Archie, afinal eu AINDA sou mais velho que você... Albus quase abriu a boca para falar que Aberforth, sempre seria mais velho que Archibald, mas achou melhor deixar para lá... — Bom, lá estava eu, embasbacado com a minha linda cabra, quando Archibald entra na minha casa. — Embasbacado é pouco — disse Aberforth, encarando o forno, que estava tremendo — ele estava fazendo teatrinho de sombras para a cabra. Um teatrinho de sombras muito obsceno por sinal!!! — Archibald Wolfgang Gustav Thomas Dumbledore, feche nesse exato instante essa sua coisa que você chama de boca! — Aberforth começara a se irritar e sua face estava adquirindo um tom púrpura — continuando, ele entrou e eu tomei um susto. Atrás de mim estava borbulhando o meu caldeirão com uma poção que emitia luz. Ele me deu um susto tão grande que eu caí para trás e derrubei o caldeirão. A mistura de espalhou rapidamente pelo chão. Eu subi numa poltrona e Archie na mesa. Mas a minha cabra, ingênua como cabras são, achou uma ótima idéia dar uma lambedela na poção. Ela mal havia tocado na superfície límpida da solução quando ela começou a brilhar nos olhos. No momento seguinte ela estava cuspindo fogo... Albus revirou os olhos e disse: — Eu sempre falei para você não juntar saliva de dragão com escamas de lagarto... — Como você sabe? — Eu conheço os efeitos... — De qualquer jeito. Eu estava desesperado. Como que a minha pobre cabrinha poderia ficar daquele jeito?? Eu resolvi lançar um contra-feitiço que seria o suficiente. — Vale lembrar que ele estava gaguejando nessa hora. — Archibald não desistia de irritar seu irmão. Sempre fora assim, desde que eram pequenos. — Sim, eu estava. A gagueira que acabou com tudo. O meu contra-feitiço não deu muito certo. Eu sem querer a fiz voar. — Mas isso ainda não é tudo... Ele ainda pulou sobre a cabra e os dois caíram no fogo. Ele ficou com uma bolha gigante na... — Archie, mantenha os modos — Albus, o irmão mais velho era muito severo quanto a isso. — Bom, e a pobre cabra ficou toda chamuscada — terminou Aberforth — essa é a história. — Não termine a história agora, ela está começando a ficar legal — reclamou Archibald. Aberforth fulminou-o com o olhar — então eu mesmo continuo. A cabra saiu voando pelo céu nublado, muito parecido com o de hoje a propósito, e dejetando sobre a cabeça de uma velhinha. Ela começou a gritar ao ver a cabra macabra e mandou uma mensagem pela Rede do Floo para o Escritório de Aurores. — Enquanto isso a cabra já havia dejetado sobre a cabeça da irmã gêmea da velha. — Aberforth parecia estar se divertindo também — Saíram das duas, uma com uma adaga e uma com um castiçal na mão, para bater em nós. A velha com o castiçal, agora não consigo dizer, qual das duas, me acertou com o castiçal nas costas. Desde então não consigo mais me alongar direito. — Sim, mas a outra simplesmente tacou a adaga em mim, fazendo essa cicatriz aqui: — Archibald então levantou a barra de suas vestes, mostrando a tatuagem de um coração escrito: Maria Arregaçada — Ops, perna errada — Aberforth e Albus se matavam de rir enquanto Archibald, vermelho de vergonha, levantava a outra barra — Aqui está! — anunciou ele triunfante. Nesse momento Albus caiu da cadeira de tanto rir. — Você chama isso de cicatriz? Para mim parece mais uma picada de pernilongo... — Como você é simpático, querido irmão — disse Aberforth, vendo à sua frente a chance da revanche contra Archibald — você precisava ver o escândalo que ele fez por causa disso. Não chegou nem a sangrar direito. Mas nesse momento os aurores chegaram, e eu não lembro mais de nada, tirando de acordar em casa, com a varinha quebrada e uma proibição de usar magia... — Albus, não há nada de errado com o seu forno? — Por que haveria de haver? — perguntou Albus. — Isso foi uma redundância, eu acho... — Aberforth havia se apaixonado pela gramática depois que perdera a varinha. — Bom, porque ele está tremendo consideravelmente — disse Archibald ignorando Aberforth. — Não acho que seja um problema — disse Albus Nesse exato momento o forno emitiu um barulho estranho, como se estivesse dizendo: É sim um grande problema, seu cozinheiro de meia tigela! No momento seguinte o forno explodiu lançando pedaços de muffins para tudo quanto é lado. Incrivelmente, o fogo não se alastrou. — Talvez fosse um problema sim... — disse Archibald tirando massa de chocolate de sua testa — Quem sabe seria melhor pedir para um elfo doméstico trazer muffins prontos. Eles pelo menos acertam a textura! — Você quer dizer temperatura? — perguntou Albus, que estava se divertindo com aquilo tudo. — Também... A propósito você tem um pouco de alguma coisa estranha no seu chapéu... Albus levantou a varinha e toda a sujeira sumiu. — Dobby! — disse Albus então. Um elfo doméstico usando uma exótica combinação de roupas, dignas da saia de tule de Archibald. — Sim, senhor, professor Dumbledore! — falou o elfo prontamente com a vozinha esganiçada. — Eu preciso de bolinhos, muffins para ser exato, por favor! — E uma garrafa de xerez — acrescentou Archibald — Sem xerez, Dobby — cortou Albus, ele já conhecia o seu irmão, bem demais... — Sim senhor, professor! Quando Dobby sumiu do lugar que estava, Albus se aproximou de uma das milhões de prateleiras de seu escritório e puxou um álbum de couro escrito: A. Dumbledore. Esse álbum era uma antiguidade de família. Todos na sua família começavam com a letra A. Albus, Archibald e Aberforth eram os filhos, Alfred e Arlinda eram os pais. Sempre haviam sido uma família feliz. Albus sentou-se em sua poltrona e seus irmãos se colocaram logo atrás dele. Lá estavam as fotos dos três pequenos correndo de lá para cá. Lá estava a foto de quando Aberforth, que sempre fora acima do peso, estava entalado num cano. Lá estava a primeira festa dele. Albus e Aberforth perfeitamente vestidos, já Archibald estava definitivamente errado. O vestido de baile não lhe caía muito bem. Dobby voltou nesse momento com os muffins. — Aqui está senhor, tomei a liberdade de trazer também chá. Earl Grey como o senhor gosta. — Obrigado, Dobby — agradeceu Albus polidamente. Uma profunda tristeza o havia agarrado no momento. Talvez ele, já que era o mais inteligente, soubesse que aquele seria o último encontro dos três, talvez não. Mas após esse encontro, eles nunca mais se reuniram para o seu tradicional chá das cinco. FIM N/A: Esse final ficou um pouco deprê. Eu queria fazer essa fic pré-HBP, mas esse final me pareceu tão apropriado. Nós tivemos no livro seis uma despedida de Harry ao nosso querido professor Albus Dumbledore. Também tivemos a despedida do mundo mágico. Mas e a sua família? Essa fic eu escrevo em homenagem a minha irmã, à qual eu também tive que me despedir. Atenciosamente, Alex Oliver Lupin |